Balieiro: “quando eu não tiver nada para oferecer, saio da política”
Formando em Engenharia Elétrica pela Univap (Universidade do Vale do Paraíba) em 2001, o secretário de Transportes de São José dos Campos, Wagner Balieiro, 35 anos, começou a se envolver com a política em 1996. Oito anos depois, foi eleito vereador pela primeira vez.


Wagner Balieiro comenta sobre sua trajetória política e do apoio de sua família
Warley Leite/Meon
Formando em Engenharia Elétrica pela Univap (Universidade do Vale do Paraíba) em 2001, o secretário de Transportes de São José dos Campos, Wagner Balieiro, 35 anos, começou a se envolver com a política em 1996. Oito anos depois, foi eleito vereador pela primeira vez.
Entre 2009 a 2012 cumpriu seu segundo mandato na Câmara, até que nas últimas eleições municipais se tornou o vereador mais votado na história da cidade. Não ocupou o cargo. Foi convidado pelo prefeito Carlinhos Almeida (PT) para assumir a Secretaria de Transportes.
“Não foi uma decisão fácil”, diz. Em entrevista ao Meon, Balieiro fala sobre religião e política, sobre o papel do vereador e da puxada rotina de trabalho, de segunda a segunda. “Sou solteiro e talvez (o trabalho) seja um motivo para ainda estar. É difícil achar alguém que entenda o meu trabalho, pois não tenho horário e a agenda sempre está com muitas reuniões”, afirma.
Conte um pouco de sua trajetória e como surgiu o interesse pela vida política.
Comecei minha trajetória quando tinha 16 anos, ajudando como monitor de crisma na região leste, nos bairros Vila Industrial e Vila Tesouro. Sempre tive interesse pelas questões sociais e acreditava que só poderia contribuir se fosse protagonista da transformação. Tinha uma missão de mudar a vida das pessoas, participei de diversos movimentos populares desde jovem. De lá pra cá, comecei a me envolver nas ações sociais e, em 1996, ingressei no PT por livre e espontânea vontade.
Depois de participar de alguns movimentos sociais, em que momento percebeu que era preciso se envolver com a política?
Em 96 comecei a trabalhar como técnico de operação na Eletropaulo (até 2007) e fui me envolvendo com o sindicato da categoria e tendo contato com várias pessoas. Foi nesse período que apoiei o PT, que me identifiquei com os ideais e acabei conhecendo o Carlinhos (Almeida). Tudo naturalmente. E contando com o apoio dos moradores do bairro Vila Tesouro, na região leste, reativei a Associação Amigos de Bairro, na qual fui presidente por dois mandatos, de 97 a 99 e de 99 a 2001. Já em 99, quando fui cursar a faculdade de Engenharia, me convidaram para participar do Diretório Estudantil da Univap e fizemos muitas manifestações pela isenção da cobrança do estacionamento na universidade. Tudo o que negociamos deu 100% em 2001 e 2002.
O que te leva a se engajar em tantos movimentos?
Estou com 35 anos e a minha vida inteira é dedicada a isso. Se eu identificar alguma situação diferente vou entrar e tentar ajudar da melhor forma possível. Parece uma missão em que sou chamado. Isso aprendi dentro da igreja, onde temos que ser protagonistas, não devemos depender dos outros. Gosto muito de uma frase do Che Guevara em que ele diz: “Quando você treme de indignação ao ver uma injustiça acontecendo então quer dizer que somos companheiros”. É legal estar junto de pessoas que pensam assim.
Você é novo e está em um cargo importante. Como consegue conciliar sua vida pessoal com a profissional?
Mesmo quando era vereador desde 2004, e fui o mais votado pelo PT, acho que participar desse processo é saber que vai ter que se doar. Você tem que abdicar uma parte pessoal para se propor ao projeto. Trabalho de segunda a segunda, com reuniões e conversas. E é importante manter o diálogo com sinceridade com a população, explicando o que é possível fazer, com transparência. Não ter medo de dizer a verdade, mesmo que seja algo negativo.
E a sua família entende?
Sou solteiro e talvez seja um motivo para ainda estar. É difícil achar alguém que entenda o meu trabalho. Sempre tive apoio dos meus pais, nunca falaram nada ao contrário. Minha mãe fica preocupada com o meu trabalho. Já em alguns relacionamentos que tive era complicado a namorada entender, pois não tenho horário e a agenda sempre está com muitas reuniões.
O que faz quando tem um tempo livre?
Eu trabalho bastante e quando penso nisso é até raro lembrar. Participo muito de igreja, vou todo domingo às missas. Gosto de sair à noite para os barzinhos quando tenho companhia. Também gosto de estar sempre na internet. Sou vidrado.
A mistura da religião com a política. Qual a sua opinião?
Nas igrejas católica e evangélica temos diversas situações. O Estado tem que ser laico, que atenda a maioria e a minoria, independentemente da religião. Você pode levar princípios (da religião), mas não pode levar leis para uma tendência religiosa. Quando isso acontece sempre é excluída uma parcela.
Você foi o vereador mais votado em 2012, mas não assumiu o cargo para ser secretário de Transporte. Como é isso para você?
Ajudei na campanha do prefeito Carlinhos e estava presidente do PT. Quando tomei posse como vereador recebi o convite do Carlinhos. Não foi uma decisão fácil. Sou secretário e vereador. Os trabalhos de vereador ainda continuam, apresentando diversas sugestões.
Mais votado da história da cidade nas últimas eleições. Como foi saber disso?
Estávamos em uma conjuntura política favorável e, normalmente, quando temos a expectativa para prefeito, o quadro de vereadores também cresce. Tinha vindo de uma eleição de deputado e estava com o nome em evidência. Todos os fatores ajudaram a impulsionar o número de votos. Nunca fui de posições radicais, com atitudes moderadas, fiscalizando e sendo coerente. A nossa história também contribuiu. Foram três mandatos, sendo que no primeiro aprendi muito, pegando o ritmo. Já no segundo colocamos em teste a prova da população e, no terceiro, trouxe uma maturidade política.
Na maioria das vezes, os moradores reclamam da atuação dos vereadores. Como mudar isso?
É preciso resgatar o papel do vereador, a essência do papel de fiscalizar o Executivo. Daremos outro perfil e a Câmara vai ser vista de uma outra forma. E se a população não vem é preciso ir atrás e tentar mudar. Não é uma tarefa simples. O Brasil precisa ter partidos fortes, as pessoas têm que votar pelas ideias. Hoje em dia tanto faz o partido que o candidato está.
Você é a favor da reforma política?
Sou a favor da reforma política, mas não necessariamente é preciso tirar os partidos. Defendo os votos por partidos, o que vai caracterizar os partidos, diminuindo ou criando as legendas. É algo muito difícil para colocar em prática. Também é preciso que os jovens tenham e lutem por mais espaço, se organizando e batalhando por influência, mas infelizmente falta ideologia para o jovem se identificar com a política. Há uma necessidade do poder público ser mais transparente.
Já pensou em parar? Político tem validade?
Acho que estou novo para pensar em parar. Não vou parar tão cedo, tenho muito para contribuir, mas em alguns momentos podem ter algumas interrupções familiares que podem romper essa trajetória. Sobre o prazo de validade, a população é quem define. Quando eu não tiver nada para oferecer, eu saio. Mas não é o momento.
Como você analisa a juventude?
A juventude precisa discutir mais a política, ela não é um bicho feio, pois interfere no dia a dia. A juventude busca com o que se identificar. O PT tem um núcleo de juventude, mas acho que devemos avançar nisso.
E os projetos na Secretaria de Transportes. Quais os mais importantes para serem implantados?
O BRT é um projeto inovador para São José, que vai criar vias específicas para o ônibus, não misturando com o carro, além da implantação de estações de pré-embarque e o pagamento da passagem no ponto. O projeto é mais barato e vai atender todas as regiões, com o mesmo valor do VLT.
O sistema está preparado para atender mais de 15 mil passageiros por hora. Temos 20 mil veículos entrando todo ano na cidade e não dá para priorizar o transporte individual. Também implantamos as faixas exclusivas, que diminuíram o tempo de viagem dos ônibus em 30%. São 15 minutos a menos todos os dias.
Outro projeto essencial é o da via Cambuí, que vai ser construída na região leste e devemos abrir a licitação para o segundo semestre. Devemos ampliar o número de ciclovias na cidade, interligado com o BRT, na região norte, oeste e no bairro Santo Inês.











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