‘Escola Sem Mordaça’ e ‘Escola Sem Partido’ são debatidas em São José

Professores, alunos e políticos se posicionam sobre atuação na sala de aula

Escrito por: Marcus Alvarenga4 min de leitura
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“Escola Sem Partido” deve ir a votoção nesta quinta-feira (4), em São José

Pedro Ivo Prates

A sala de aula é de onde vão sair os futuros profissionais e adultos de uma sociedade, que levarão para a sua vida o conteúdo disciplinar adquirido durante os cursos regular e especializado. Mas a forma como cada matéria é lecionada e discutida em sala de aula se tornou tema de discussão por causa da proposta de uma lei que coloca limite sobre opiniões particulares expressas junto ao conteúdo escolar.

O projeto “Escola Sem Partido”, em processo de análise na Câmara dos Deputados e no Senado Nacional, também está seguindo para votação dos vereadores de São José dos Campos. De acordo com os autores do projeto, Walter Hayashi (PSC) e Luiz Carlos Mota (PSC), a proposta de lei foi idealizada após a sugestão de moradores que relataram práticas de doutrinação política e ideológica em escolas da cidade.

“Um grupo de pessoas me procurou, buscando saber se era favorável sobre a lei e sugerindo que levássemos a proposta para a Câmara. Levei o assunto ao vereador Mota, abrindo uma discussão e no final de junho protocolamos o projeto ‘Escola Sem Partido’, conta Hayashi.

Junto ao projeto que detalha as obrigações de uma “Escola Sem Partido”, que pode ser conferido neste link, foi anexada uma lista com sete deveres do professor detalhadas ao fim da matéria.

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Reunião da frente “Escola Sem Mordaça”

Reprodução/SindServ

Escola Sem Mordaça 
A proposta da “Escola Sem Partido” se tornou uma discussão presente em todo o país, questionando uma possível censura contra professores e alunos, além de outros fatores. Um grupo de alunos, professores, apoiadores partidários e simpatizantes formou a frente “Escola Sem Mordaça”, que está buscando conscientizar a população contra o projeto de lei.

Um dos integrantes é o aluno de 14 anos Ryan Iago Barbosa, presidente do grêmio estudantil da EMEF Ana Berling Macedo, que quando ouviu falar sobre o projeto buscou ouvir professores e parentes sobre a sua funcionalidade. “Eu li sobre o ‘Escola Sem Partido’ e levei a questão para os meus professores do colégio e do curso preparatório, para tentar entender. Todos foram unânimes em considerar uma forma de impedimento do trabalho deles, que formam seres pensantes e questionadores, seres que vão mudar o mundo”, explica Ryan.

Uma das professoras integrante da frente contrária, Jéssica Marques Ribeiro, de 23 anos, mostra que a lei não afeta apenas eles, mas proíbe os próprios alunos de refletirem e se posicionarem sobre o que acreditam. “É um retrocesso quanto à educação livre, democrática, com ampla possibilidade de discutir os problemas da sociedade dentro de sala de aula. Quando os partidos mais conservadores propõem projetos como este, eles estão tentando cercear esse tipo de debate nas salas e também uma tentativa de fazer com que os alunos não reflitam sobre a sua realidade”, completa.

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Relator do projeto, Walter Hayashi (PSC)

Laís Viera/Meon

Confronto em Pauta
Na noite desta quinta-feira (4), o projeto “Escola Sem Partido” já entra em pauta para votação entre os vereadores de São José. Ambos os lados estão confirmando a presença em peso..

Entretanto, um dos responsáveis pelo projeto, o vereador Walter Hayashi, afirmou para a reportagem do Meon que pediria o adiamento da votação para poder abrir um debate sobre a proposta de lei. “A nossa intenção é conversar, vamos pedir o adiamento para poder abrir um diálogo, propondo reunião na Câmara e nas escolas. A coisa não pode ser de cima para baixo, tem que ser democraticamente discutível”, relata.

A frente “Escola Sem Mordaça” também está, por meio das redes sociais, levando o posicionamento contra uma censura dentro da sala de aula. A grande ação da frente deve acontecer no dia 11 de agosto, data em que os integrantes do movimento estão convidando alunos, professores e demais pessoas que não apoiem a aprovação da lei.

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