Explosões de caixas eletrônicos geram impasse entre bancos e PM

A explosão de dois caixas eletrônicos na sede da Secretaria de Obras de Pindamonhangaba, realizada na madrugada desta terça-feira (15) eleva para onze o número de casos de assalto com uso de explosivos na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte.

Escrito por: Elaine Rodrigues4 min de leitura
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A explosão de dois caixas eletrônicos na Secretaria de Obras de Pindamonhangaba, na madrugada desta terça-feira (15), aumenta para 11 o número de casos de assalto com uso de explosivos na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, só em 2014.

O crime detona também uma polêmica entre a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) e a Polícia Militar.

Levantamento feito pelo Meon mostra que ao todo, durante os 11 assaltos, bandidos explodiram 40 caixas eletrônicos, em oito cidades da RMVale.  São José dos Campos lidera a lista, com quatro explosões. Já Taubaté, Igaratá, Aparecida, Cachoeira Paulista, Santa Branca, Caraguatatuba e Pindamonhangaba, até o momento, registraram, pelo menos, uma ação em 2014.

Para o comandante da Polícia Militar na RMVale, coronel Cássio Armani, falta interesse dos bancos em investir em mais segurança nos caixas eletrônicos. “Me reuni em janeiro com a direção de segurança da Febraban e com a diretoria de quatro grandes bancos e, infelizmente, o que descobrimos foi que os bancos não melhoram as questões de segurança nos caixas eletrônicos porque perdem pouco nessas ações, algo em torno de 5% do total de prejuízo, outros 95% são causados por fraudes, inclusive via internet. Enquanto isso, o policial se arrisca para garantir a segurança pública. Uma operação da polícia como a que aconteceu em Caraguá tem um custo muito alto, além de termos dois militares baleados”, afirma Armani.

Na opinião do comandante, instalar dispositivos como os que mancham as notas e diminuir a quantidade de dinheiro colocado nos caixas inibiriam a ação dos criminosos. “Nós perguntamos sobre tudo isso para os bancos, mas disseram que ainda estão iniciando um estudo para saber o que é melhor. Agora, tudo isso tem um custo e no momento quem paga a conta é a Polícia Militar que é a primeira a enfrentar a questão. A população também corre risco em cada ocorrência dessas. Até o comerciante está repensando se mantém o equipamento, porque o dano que sofre não vale o serviço que presta”, ressalta.

Outro lado
A Febraban rebate. Afirma que a Polícia é quem deve investir mais no combate ao crime. Em nota, a instituição informa que  é necessário combater as causas dos assaltos e impedir que os bandidos tenham acesso fácil a explosivos, como acontece há três anos. Também ressalta que a polícia deve trabalhar na desarticulação das quadrilhas, por meio de ações de inteligência.

A federação afirma ainda que os bancos investiram mais de R$ 9 bilhões em segurança só em 2013 e que têm aperfeiçoado seus sistemas para torná-los mais eficazes e seguros. Um exemplo citado foi a redução no limite de saque em alguns períodos do dia para desestimular o uso dos caixas em horários de risco.

Cronologia
8/1- Grupo armado explode caixa eletrônico em loja de conveniência de um posto de combustível, no Jardim Eulália, em Taubaté;

10/1 – Bando detona dois caixas eletrônicos na rodoviária de Igaratá;

15/1 – Três caixas eletrônicos são explodidos em um restaurante no posto Arco-Íris, no Km77 da Via Dutra, no trecho de Aparecida;

22/1 – Cinco homens armados com fuzis, explodem caixa eletrônico em Cachoeira Paulista e fogem em moto e caminhonete;

27/1 – Em São José dos Campos, dez homens explodem seis caixas eletrônicos dentro do Supermercado Carrefour;

7/2 – Mais de doze homens armados com fuzis invadem o supermercado Coop, em Santana, em São José dos Campos, e explodem seis caixas eletrônicos e a frente de uma agência bancária;

23/2 – Bandidos explodem dez caixas eletrônicos nas únicas três agências bancárias de Santa Branca;

15/3 – Cerca de 15 assaltantes detonam seis caixas eletrônicos dentro do Serramar Praia Shopping, em Caraguatatuba. A perseguição durou quatro dias e deixou dez mortos e cinco presos;

17/3 – Mais dois caixas eletrônicos que ficavam numa farmácia no Jardim Santa Inês 2 são destruídos em São José;

24/3 – Dupla explode caixa eletrônico dentro do Supermercado Coop na região leste de São José dos Campos;

15/4 – Quadrilha detona dois caixas eletrônicos e faz um guarda municipal refém no prédio da Secretaria de Obras, em Pindamonhangaba.

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