Funcionários da limpeza protestam por atraso de salários em São José
Equipes das unidades de saúde estão há dois meses sem receber benefícios


Funcionários estiveram em frente à secretaria
Marcus Alvarenga/Meon
Cerca de 60 funcionários da limpeza e poda de vegetação das unidades de saúde de São José dos Campos fizeram um protesto em frente à Secretaria de Saúde na manhã desta quinta-feira (9), no Parque Industrial, na região sul. De acordo com o grupo, a falta da equipe de limpeza está mais crítica no Hospital de Clínicas Sul.
Os trabalhadores denunciam diversos problemas encontros e as condições de trabalho nas unidades. “Desde a greve que fizemos em março do ano passado somos ameaçadas e nada muda. Nossos salários continuam sendo pagos atrasados, os benefícios sempre pela metade e não temos materiais de trabalho”, conta uma das funcionárias que preferiu não se identificar com medo de represália.
O trabalho nas unidades de saúde está reduzido para apenas 30% desde o dia 6 de março, quando a empresa Comatic, responsável pelo serviço terceirizado, adiou o pagamento de março para a próximo segunda-feira (13).
“Eles dizem que devem nos pagar dia 13, mas nunca é certeza e o meu aluguel já está vencendo, estou com duas contas de água e luz atrasadas. E no último mês eles colocaram apenas R$ 60 do vale-alimentação, o resto nem vimos o valor”, relata uma das colaboradoras que trabalha na Clínicas Sul e preferiu não ser identificada.
Cobrança
O Sindeturh (Sindicato dos Empregados de Turismo e Hospitalidade) cobra da empresa para que o pagamento seja efetuado em dia, sem atrasos. “Estamos procurando agir dentro da lei. Já faz um ano que a Comatic está atrasando os salários dos funcionários. Só que dessa vez vamos entrar com a rescisão indireta de todos os colaboradores. São mães e pais de família, que enquanto saem para trabalhar de graça, os filhos ficam sem ter o que comer”, explica Gloria Maciel, diretora do sindicato.











Sem materiais
Os EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual) e uniformes estão entre os materiais em falta para o trabalho de poda e conservação. “Eu estou indo trabalhar com a minha calça, usando as luvas das enfermeiras da unidade, além de usar da rouparia do hospital para a limpeza. Estamos sem pano e lenços e usando as toalhas e lençóis usados. Ainda empresto a vassoura de um comerciante na frente do posto para varrer”, conta uma das funcionárias sobre a situação na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Telespark e, que segundo ela, se repete em outras unidades.
Os trabalhadores da poda de vegetação também alegam estar realizando o corte da grama sem viseira e uniforme de proteção.

Manifestação dos funcionários durante esta quinta (9)
Marcus Alvarenga/Meon
Prefeitura
Durante a manifestação em frente à Secretária de Saúde, apenas uma funcionária da limpeza veio ao encontro dos mais de 60 funcionários para declarar que ninguém iria atendê-los. Por volta das 10h, a assessoria de imprensa da prefeitura foi ao encontro dos trabalhos e da imprensa para apresentar uma declaração.
Segundo a assessoria, o pagamento da prefeitura para a Comatic está em dia, e somente neste ano já seria o segundo problema pontual da empresa que a atual administração precisa notificar a empresa. Ainda segundo a administração, os problemas se repetem há dois meses, sendo ela notificada e multada. A prefeitura pode ainda romper o contrato com a empresa, caso ela não cumpra com as obrigações estabelecidas.
Empresa
Ao Meon, o gerente de RH (Recursos Humanos) da Comatic, Giovani Moreira, afirma não estar ciente das reclamações e da greve dos funcionários da empresa.”Vou me inteirar sobre o assunto”, diz.
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