#HeróiPET: vídeo flagra animais abandonados no Banhado em São José
OAB critica falta de atenção da prefeitura com o direito dos animais

Um vídeo compartilhado nas redes sociais na última semana chamou a atenção das comunidades e entidades de defesa dos animais da região. As imagens mostram uma grande quantidade de animais abandonados vivendo nos pontos de ônibus acima do Banhado no centro de São José dos Campos.
De acordo com as informações da internauta que fez o vídeo, as imagens foram feitas dias depois de algumas famílias serem remanejadas do bairro Nova Esperança, no Banhado, para um novo conjunto habitacional.
O Meon foi até o local e conversou com alguns moradores. De acordo com uma mulher que pediu para não ser identificada, que trabalha há nove anos em frente ao ponto de ônibus que foi filmado, os cachorros moram ali há muitos anos.
“Todo dia por volta das 7 horas da manhã cerca de sete cachorros já estão aqui no ponto. Uma mulher traz comida e dá para eles. Depois eles saem correndo e se espalham. Por volta das 18h eles voltam para tentar uma comida no jantar, e ali mesmo dormem”, relata.
Apesar dos pedidos dos moradores e usuários do ponto de ônibus, os animais não foram recolhidos pelo Centro de Controle de Zoonoses de São José dos Campos e continuam abandonados.

Cachorro abandonado no ponto
Reprodução/Youtube
Abandono
Todos os dias centenas de cachorros e gatos aparecem para adoção nas redes sociais, só na RMVale. São animais perdidos ou que nasceram nas ruas e até mesmo alguns que foram abandonados.
Quem tenta ajudar, as vezes fica sem saída. De acordo com as ONGs e cuidadores de animais de rua, não adianta pedir ajuda ao CCZ (Centro de Controle de Zoonose), que não tem recolhido os animais .
“Na maioria das vezes, se ligarmos a resposta será: não recolhemos animais nas ruas! não alimente o animal de rua que ele vai embora! A equipe de base do CCZ, sem qualificação técnica, se desdobra em tentar manter os animais em condições razoáveis, dentro da limitada e quase escassa oferta de atendimento médico veterinário e medicação”, revela Maria Zarur, da Encontro de Amigos pela Causa Animal de São José.
Segundo a advogada Silvia Máximo, que coordena a Comissão de Proteção e Defesa Animal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São José dos Campos, a entidade fez uma visita ao CCZ da cidade e acredita que o lugar está abandonado.
“O poder publico de São José dos Campos abandou a questão animal na cidade. No CCZ tem uma área enorme que foi abandonada, que poderia estar sendo usada. Tem uma área que podia ser usada como enfermaria para salvar muitas vidas. Mas o que vemos é que eles não investem e não cumprem a parte deles. Está ruim o tratamento dispensado aos animais. Já orientamos e achamos que poderia melhorar muito”, revela Silvia.
Segundo a advogada, os apontamentos foram apresentados à prefeitura da cidade, mas até o momento, não obtiveram retorno. “Estamos esperando. Vamos retomar a cobrança”, conclui.
Outro lado
A Secretaria de Saúde de São José dos Campos informou que o CCZ é um órgão que tem como principal função cuidar do ser humano, não dos animais. O papel do CCZ, segundo a pasta, é controlar pragas e animais que possam causar prejuízos a saúde do homem.
Em nota, a secretaria afirma que o centro realiza mutirões de castração gratuitos e periódicos para que a população possa levar seu animal de estimação (cães e gatos). Contudo, desde o início do mandato desta administração, não houveram multirões. Em setembro de 2014, um pregão para a implantação de um castramóvel foi reaberto, mas ainda não há informações do desfecho desta concorrência.
O CCZ não dispõe de estrutura e equipamentos para atendimentos a procedimentos veterinários para traumas ou emergências, até porque é um órgão que atua na Saúde Coletiva e controle de doenças zoonóticas. Esses equipamentos são restritos a estabelecimentos de atendimento clínico e até cirúrgico, como uma clínica veterinária ou hospital veterinário. O CCZ dispõe de um ambulatório para procedimentos mais simples aos animais lotados em nosso canil.
Sobre as denúncias apuradas pela OAB, a pasta informa que gostaría de receber com mais detalhes os apontamentos feitos pelo especialista da comissão (médico veterinário). Sobre a falta de preparo dos funcionários, a secretária afirma que os profissionais do CCZ passam por constante reformulação e treinamentos.
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