Para monsenhor Palau o desafio é tornar a Igreja mais atraente

O monsenhor José Roberto Fortes Palau, futuro bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, gosta de ler, estudar e prefere o silêncio a grandes debates. Se considera um homem de oração e realizado dentro da vida sacerdotal. Para Palau, o desafio da Igreja Católica hoje é se tornar mais atraente.

Escrito por: Elaine Rodrigues5 min de leitura
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José Roberto Fortes Palau, novo bispo auxiliar da arquidiocese de São Paulo, foto: Warley Leite/Meon

Monsenhor Palau: “o desafio da Igreja é se tornar mais atraente”

Warley Leite/Meon

O monsenhor José Roberto Fortes Palau, futuro bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, gosta de ler, estudar e prefere o silêncio a grandes debates. Se considera um homem de oração e realizado dentro da vida sacerdotal. Para Palau, o desafio da Igreja Católica hoje é se tornar mais atraente.

Pároco da Igreja de Santo Agostinho, no bairro Urbanova, em São José dos Campos, o padre Palau será nomeado bispo em 21 de junho. O anúncio foi feito pelo Papa Francisco, na quarta-feira (30).

Com mais de 21 anos de sacerdócio, se formou doutor em Teologia pela PUC-Rio, foi reitor do Seminário Diocesano e da Faculdade de Teologia de São José, além de vigário em diversas paróquias da diocese. “Nunca saí de São José dos Campos. Dediquei minha vida até agora a esta cidade, da qual vou sentir saudade”, destaca o sacerdote.

Nascido em Jacareí, em 9 de abril de 1965, mudou-se ainda menino com a família para Igaratá. Quando não está no trabalho pastoral, está estudando. O sacerdote chega a ler três livros por semana. Em entrevista exclusiva ao Meon, monsenhor José Roberto Fortes Palau fala sobre sua vocação, trajetória e os desafios da Igreja.

Como o senhor ficou sabendo da nomeação?
Faz um mês que fui comunicado, mas não podia contar para ninguém, por questão de norma da Igreja. Sabia inclusive da data da nomeação e aguardei em oração. Fiquei feliz pela confiança que o Santo Padre depositou em mim. Confesso que será um desafio, mas vou de coração aberto e espero colaborar com Dom Odillo Scherer e com a Arquidiocese de São Paulo.

Como era sua vida antes do sacerdócio?
Eu morava em Igaratá com meus pais e frequentava a paróquia de Nossa Senhora do Patrocínio. Na época eu fazia curso técnico em mecânica na ETEP e não tinha muito tempo de participar na igreja, até os 21 anos não pensava em ser padre. Eu ainda trabalhava na Tectran, era corrido. Contudo ia a missa todos os dias. Essa era a minha realidade até 1986. Em 1987, mudou tudo e eu já estava no seminário em São José dos Campos.

Quando decidiu ser padre?
Quem me apresentou o seminário foi um padre italiano que trabalhava em Igaratá na época, Luigi Messenero, já falecido. Foi ele que me incentivou a ir para o seminário, que me acompanhou, me levou para os encontros vocacionais e aí acabei indo para o seminário. Era meu diretor espiritual e meu confessor. Ele percebeu a vocação e me orientou. Inclusive foi quem preparou minha primeira missa, em 1993. Dois anos depois, Padre Luigi voltou para a Itália e acabou morrendo de câncer em 2002, se não estou enganado. Foi um pai espiritual, um dos melhores padres que conheci na vida, um homem de uma espiritualidade profunda. Marcou muito a minha vida e me levou para o sacerdócio.

Como o senhor define a sua espiritualidade?
Minha espiritualidade é mais monástica, apesar de eu ser padre diocesano, o carisma principal é a caridade pastoral. Quando eu fui reitor do seminário sempre dizia aos seminaristas que a nossa dedicação tem que ser exclusiva e total ao povo. O sacerdócio baseado em Cristo, o bom pastor que vai atrás das ovelhas desgarradas, que cuida com amor e alegria do povo. Contudo eu estudei com os carmelitas e acabei absorvendo muito da espiritualidade do Carmelo. Gosto muito do silêncio, da meditação, dos santos do Carmelo como Santa Tereza D´Ávila, São João da Cruz, Santa Edith Stein, entre muitos outros.

Devoto do silêncio, como pretende conduzir seu trabalho na agitada São Paulo?
Eu busco forças para o meu serviço pastoral na oração. Como dizia o papa São João Paulo II, todo trabalho pastoral só se torna fecundo se brota da oração e dizia ainda que às vezes é muito melhor que o padre passe algumas horas dentro do sacrário rezando pela sua comunidade do que ficar andando para lá e para cá, batendo cabeça e não produzindo absolutamente nada. O bom trabalho pastoral tem que ter eficiência e eficácia: a primeira vem da organização, mas a segunda vem da oração.

Qual o maior desafio da igreja católica hoje?
O desafio é o tema da Assembleia Geral da CNBB que começou o ano passado e continua este ano, a comunidade em comunidades. É levar o povo a participar. São José dos Campos tem várias boas experiências neste sentido, como as CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) na Paróquia Coração de Jesus ou ainda as células na Paróquia Espírito Santo, onde as famílias se reúnem nas casas, as pessoas partilham sua fé e conseguem perseverar na igreja. Por outro lado, a igreja tem também que evangelizar por atração. Quem está olhando de fora tem que sentir vontade de entrar. O desafio enfim é tornar a Igreja cada vez mais atraente para manter os fiéis que têm e buscar aqueles que estão desgarrados, os que ainda estão lá fora.

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