Trabalhadores aprovam proposta de lay-off da GM em São José

Os trabalhadores da General Motors aprovaram nesta terça-feira (26) a proposta de lay-off (suspensão temporária de contratos) feita pela montadora em São José dos Campos. A medida foi votada em duas assembleias realizadas pela manhã, com o 1º e 3º turnos, e às 14h30, com os funcionários do 2º turno.

Escrito por: Rodrigo Ribeiro3 min de leitura
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Assembleia realizada na General Motors de São José dos Campos (Divulgação/SindMetal/SJC)

Parte dos trabalhadores da GM de São José aceita lay-off, mas teme demissão

Divulgação/SindMetal/SJC

Os trabalhadores da General Motors aprovaram nesta terça-feira (26) a proposta de lay-off (suspensão temporária de contratos) feita pela montadora em São José dos Campos. A medida foi votada em duas assembleias realizadas pela manhã, com o 1º e 3º turnos, e às 14h30, com os funcionários do 2º turno.

A proposta aprovada pela planta de São José coloca 930 operários em regime de lay-off entre 8 de setembro de 2014 e 7 de fevereiro de 2015. A medida prevê, contudo, a garantia de estabilidade de emprego por mais seis meses após esse período. Não podem ter os contratos suspensos temporáriamente: pré-aposentados, lesionados e gestantes. Nesse período, a GM também irá implantar um novo programa de PDV (Pedido de Demissão Voluntária).

Medo
Entre as negociações da GM com o sindicato, estão os trabalhadores, os que mais sofrem com a instabilidade no emprego. O Meon conversou com alguns que não quiseram se identificar. As histórias são diversas, mas o sentimento é o mesmo: medo.

Segundo um dos trabalhadores que está na unidade joseense há nove anos “o clima na empresa é péssimo”. “Desde que foi anunciado o fechamento do MVA (Montagem de Veículos Automotores) em 2013 passamos nervoso, sem saber se estaremos empregados no dia seguinte”, completa.

Um outro funcionário conta que acabou de ser pai e teme por uma possível demissão. “Infelizmente sabemos que o setor automobilístico não está bem, mas agora que tenho filho, não dá pra ficar desempregado”, diz, acrescentando que trabalha na GM há três anos.

Em meio aos que temem uma demissão, está um funcionário que foi demitido no início do ano e recontratado há um mês. “A demissão foi péssima e me chamaram de volta para um trabalho temporário. Não fiquei tão empolgado por conta de ser temporário, mas ter o emprego de volta, mesmo que seja por um período, já ajuda né? A questão é que já sei que uma hora ou outra vou deixar a empresa novamente”, lamenta o empregado.

“Todo dia fico apreensivo no trabalho, quando o supervisor chama, a gente já sua frio. Moro com minha esposa e dois filhos, a maior parte da renda de casa é a minha, o que queremos é uma estabilidade no emprego, seja com a chegada desses investimentos ou não”, conta o trabalhador que está há 15 anos na GM.

Acordo
Com 5,2 mil trabalhadores, a General Motors anunciou a intenção de implantar o lay-off em julho para adequar o volume de produção à retração do mercado. No lay-off, o funcionário pode ficar afastado por até cinco meses, nesse período, parte do salário (R$ 1,3 mil) é bancada pelo FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e o restante pela empresa. O trabalhador também precisa frequentar um curso de qualificação profissional.

Nas assembleias desta terça-feira (26), a maioria dos trabalhadores também aprovou a proposta do sindicato de pedir à GM que cumpra o acordo assinado com a categoria em 2013. Nesta proposta, a empresa prometeu um investimento de R$ 2,5 bilhões e a produção de um novo carro na unidade de São José.

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