PSDB denuncia superfaturamento em serviços de impressão em São José
Vereadores da bancada do PSDB em São José dos Campos vão ingressar na próxima sexta-feira (17) com representação na Justiça denunciando suposto superfaturamento na licitação de serviços de impressão contratados pela prefeitura em dezembro de 2013.


Vereadores vão ingressar com três ações judiciais nesta sexta-feira (17)
Divulgação/ PSDB
Vereadores da bancada do PSDB em São José dos Campos vão ingressar na próxima sexta-feira (17) com representação na Justiça denunciando suposto superfaturamento na licitação de serviços de impressão contratados pela prefeitura em dezembro de 2013.
A concorrência, vencida pela empresa paulistana Gomaq, prevê 143,5 milhões de impressões em preto e branco por um período de três anos. O valor contratado foi de R$ 0,09 por cópia, ao passo que o último contrato deste porte na prefeitura foi fechado por R$ 0,038 -uma diferença de mais de R$ 7 milhões no valor total do contrato.
A denúncia foi apresentada na tarde desta terça-feira (14) em coletiva à imprensa realizada no Diretório Municipal do PSDB. Segundo os vereadores tucanos, as irregularidades estariam no valor contratado maior que o praticado no mercado e na ausência de competição entre as empresas participantes.
Levantamento realizado pela bancada do PSDB aponta que a Gomaq atenderia contratos para outros órgãos públicos na região por um preço unitário da impressão quase três vezes menor do que o licitado em São José.
Segundo o relatório, a Gomaq tem contrato com os cartórios eleitorais de São José por R$ 0,036 cada impressão. Na Fundhas (Fundação Hélio Augusto de Souza), um contrato semelhante fixa o preço unitário em R$ 0,047. Em outro contrato fechado com a Polícia Militar de Caçapava, o valor é R$ 0,043.
“Vamos ingressar com ações na Justiça comum, no Ministério Público e no Tribunal de Contas do Estado. Queremos que a empresa baixe o preço para, no mínimo, o mesmo valor que utiliza em outros contratos vigentes. Também vamos exigir o ressarcimento do prejuízo causado, além de cobrar investigação dos envolvidos”, afirma o vereador Fernando Petiti (PSDB).
Competitividade
Segundo os vereadores, apesar do contrato vigente à época da licitação ser de R$ 0,038, o valor referencial do certame foi de R$ 0,09. Quatro empresas apresentaram propostas, com valores variaram entre R$ 0,09 e R$ 0,12. A acusação da bancada tucana é que nenhuma empresa da RMVale foi consultada. Apenas duas concorrentes chegaram à fase final da licitação, sendo que só a Gomaq deu o lance.
A falta de competitividade entre as postulantes foi relatada no documento expedido pelo procurador Diogo F. dos Reis após o vencimento da licitação. Em outra consideração, Reis pede que seja checada a razoabilidade dos preços.
“Diante dessas evidências, por que a prefeitura não adiou esta licitação, que era o mais sensato a ser feito? Prorrogaria-se o contrato vigente e, assim, a administração teria tempo para realizar uma concorrência mais justa”, explica Anderson Farias, presidente regional do PSDB.
Outro lado
Em nota enviada à imprensa, o governo de São José rechaça as acusações, afirmando que o novo contrato de impressões e cópias trouxe tanto vantagens econômicas quanto qualidade no serviço. O documento aponta “evidente motivação política, em pleno período eleitoral”, no que a prefeitura classifica de “grave acusação”.
Segundo a nota, há uma deturpação no preço de R$ 0,038 por impressão para as cópias em preto e branco divulgado pela bancada do PSDB.
“Na prática, os custos variavam de impressora para impressora conforme a produção do mês. Por exemplo, no mês de dezembro de 2013, o custo médio das impressões, no contrato antigo, nas 124 impressoras que eram disponibilizadas na Saúde, Educação e demais áreas, foi de R$ 0,10. Durante o ano de 2013 o valor médio por página foi de R$ 0,054”, afirma a nota.
O número de impressoras foi outro ponto questionado pela prefeitura. De acordo com o governo, o antigo contrato contemplava 124 aparelhos para atender as secretarias de Educação, Saúde e as demais áreas. Com o novo contrato, o objetivo foi de substituir os equipamentos antigos “obsoletos, com alto custo de manutenção e necessidade de reposição de toner”.
Sobre a utilização do valor de referência de R$ 0,09 no certame, a prefeitura informa que, pelo contrato ser mais amplo, considerando ganhos de gerenciamento e redução de desperdícios, não seria correto utilizar como referência o valor do serviço anterior.
“Além de saltar de 124 para 561 equipamentos (…) O gerenciamento conta com servidor próprio e software que permite saber a exata quantidade de cópias ou impressões feitas por cada usuário, em tempo real. Isso já vem dando bons resultados de redução de cópias”, diz o governo municipal.
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