RMVale teve papel estratégico nos anos de chumbo da ditadura militar

O governo militar, instaurado por meio de golpe que completou 50 anos nesta segunda-feira (31), teve na RMVale uma região estratégica para estabelecer sua política que teve no desenvolvimentismo e repressão alguns de seus principais alicerces.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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O governo militar, instaurado por meio de golpe que completou 50 anos nesta segunda-feira (31), teve na RMVale uma região estratégica para estabelecer sua política que teve no desenvolvimentismo e repressão alguns de seus principais alicerces.

Militarizada, região foi acompanhada de perto pelos governos ditatoriais

A presença do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e DCTA ( Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), aliada ao posicionamento entre às capitais Rio de Janeiro e São Paulo, fez da região uma área vigiada de perto pelo regime.

Em São José dos Campos, por exemplo, direitos políticos foram cassados e, durante a ditadura, a cidade contou com dois prefeitos nomeados pelo regime militar – chamados prefeitos biônicos. Sérgio Sobral de Oliveira e Ednardo de Paula Santos foram os indicados.

De acordo com a historiadora da Universidade do Vale do Paraíba, Maria Aparecida Papali, o panorama de repressão fez com que as manifestações contrárias ao regime ficassem relegadas a pequenos grupos de estudantes.

“Os documentos da época revelam que alunos da Fundação Valeparaibana de Ensino (atual Univap) e inclusive alunos do ITA (Instituto Tecnológico Aeroespacial) se envolveram na luta contra a ditadura”, comenta.

Mesmo sendo uma região com vocação industrial, a militarização da cidade repreendeu também as manifestações sindicais que, de acordo com a historiadora, demoraram para acontecer.

“Os sindicatos foram muito atuantes, mas isso foi mais para o fim dos anos 70 e início dos 80, quando o regime ditatorial dava sinais de enfraquecimento. Nessa época aconteceram paralisações que ficaram para a história”, lembra.

Vocação
Mesmo com uma realidade de repressão pesada na região, o historiador Mauro Castilho, da Unitau (Universidade de Taubaté) ressalta que um legado coronelista nas cidades da RMVale contribuiu para que o regime não encontrasse por aqui a resistência de cidades maiores.

“É uma marca da região essa questão de grandes famílias influentes e um resquício de coronelismo. Esse discurso era muito forte entre a população, fazendo com que a maioria das pessoas aceitassem até de forma passiva o regime que impunha-se de maneira ditatorial”, explica.

Entretanto, o professor afirma que a comunidade acadêmica deve debruçar-se de maneira mais profunda em como este período passou-se nas cidades da RMVale. “Realmente ainda faltam estudos acadêmicos. Trabalhos que seriam muito importantes para ajudar a esclarecer fatos que ainda podem estar no desconhecimento”, afirma.

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