São José 247 anos: Carlos Artur, a história do menino que aprendeu a voar na Capital do Avião
A história de Carlos Artur do Espírito Santo, 68 anos, caminha junto da história da aviação em São José dos Campos. Em sua oficina, no aeroclube da cidade, o mecânico e piloto guarda recordações dos Anos Dourados dos ases joseenses e histórias ricas de sabedoria.

















A história de Carlos Artur do Espírito Santo, 68 anos, caminha junto da história da aviação em São José dos Campos. Em sua oficina, no aeroclube da cidade, o mecânico e piloto guarda recordações dos Anos Dourados dos ases joseenses e histórias ricas de sabedoria.
Santo nasceu em Itaquera, na zona leste de São Paulo, mas se mudou com a família em 1957 para São José, quando tinha apenas 11 anos. “Morávamos no centro, mas todo dia eu ia nadar em um açude no Putim. Nesse caminho, via o aeroclube, que na época era de uma turma do CTA e do ITA. Nem existia a Embraer. Me apaixonei pelos planadores e dediquei minha vida toda à aviação”, conta.
De tanto observar a atividade no aeroclube, Santo virou mascote da equipe, aprendeu a pilotar e a consertar os planadores do Clube de Vôo a Vela, grupo que pratica vôo com este tipo de aeronave sem motor. Antes de completar 13 anos já tinha brevê -licença para pilotar – e ganhava os céus da cidade.
“Fiquei encantado. Quando voei pela primeira vez foi um prazer indescritível. Voar é algo indescritível. Nunca fui um piloto brilhante, mas já perdi a conta de quantas horas de vôo tenho. Minha maior paixão eram as aeronaves, por isso aprendi mecânica e construí minha vida consertando e montando aviões. Não fiquei rico, ao contrário, tenho que trabalhar até hoje para viver, mas com certeza foi uma vida feliz”, conta Santo.
Trajetória
Com a experiência de mais de 50 anos no mundo da aeronáutica, Santo se formou em mecânica e já trabalhou em quase todas as grandes empresas do ramo. No DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) e na Embraer, trabalhou ao lado das mentes que fizeram nascer os primeiros aviões na região.
“Trabalhava para a Neiva, setor da Embraer que fabrica aeronaves agrícolas. Cuidei de muitos Tucano e Brasília. Guido Pessotti, um dos desenvolvedores do Bandeirantes, e o Francisco Galvão, pai do Tucano, estavam sempre conosco no Clube do Vôo a Vela. Eu estava lá com eles no primeiro vôo do Brasília. Trabalhei no PAR, o Programa de Asas Rotativas, na década de 60, no CTA e em tantos outros projetos”.
Pela Embraer, Santo já viajou para diversos países. Ao garoto simples e muito curioso, a aeronáutica abriu novas fronteiras. “Estive várias vezes na Europa, fui para os Estados Unidos, e para a África fazer manutenção de aeronaves. Na Angola morei por seis meses, cheguei a ter uma vida melhor que aqui, mas voltei. Gosto daqui”.
O Clube do Vôo a Vela de São José, que hoje funciona em Caçapava, é um dos maiores do Brasil. Santo conta que quando não estava trabalhando participava de competições como mecânico e viu grandes ases de sua equipe faturar campeonatos no Brasil e até mesmo fora daqui. “Já chegamos a ser vice campeões mundiais. Sempre nos destacamos, nosso clube é tradicional, um dos melhores do país”, relata orgulhoso.
Capital do avião
Entre o aeroclube em São José dos Campos e o Clube de Vôo a Vela em Caçapava, do qual faz parte desde menino, Artur, como é chamado, segue sua vida de testemunha ocular da história da aviação nacional e dos grandes momentos da indústria aeronáutica que transformaram São José dos Campos na Capital do Avião.
“Santos Dummont já previa que o Vale seria a terra da aviação. Eu vim para o lugar certo. Nasci para isso e vou tocando a vida assim, apaixonado por esses aviões”, conclui Santo, que até hoje passa seus dias montando, peça a peça, aeronaves experimentais, planadores e rebocadores, como um imenso quebra cabeça em sua pequena oficina, ao lado da cadela Loira e de seu gato Preto.
Posts Relacionados

Grupo Muffato investe R$ 65 milhões e confirma chegada do Max Atacadista em Jacareí

Certifica Cephas abre inscrições para certificação profissional

Homem é preso no Urbanova por violência psicológica e posse ilegal de arma de fogo
