Relato de dias difíceis
Tudo começou no ano de 2019, próximo a véspera do Natal, quando ouviu falar de uma tal de epidemia lá da China

Hoje vou contar a história de um menino de 9 anos que na quarentena descobriu várias verdades.
Tudo começou no ano de 2019, próximo a véspera do Natal, quando ouviu falar de uma tal de epidemia lá da China, mas ele não se preocupou.
Então no ano seguinte ele teve o entendimento de que esse vírus já havia chegado ao Brasil.
As escolas começaram a adotar a técnica de aula online – as aulas remotas. No começo foi tranquilo, mas pelo terceiro mês ele já estava perdido. Precisou de muito esforço e conseguiu se organizar.
Fez um cronograma no qual uma vez por semana saia de seu apartamento para brincar com as crianças. Mas com o tempo percebeu que as crianças com as quais brincava não mais lhe davam atenção. Sentiu-se tão só e guardou rancor.
Aquele sentimento foi corroendo por dentro. Sentia que as crianças fingiam ser suas amigas por puro interesse, mas quando perceberam que não tinham nada para tirar dele, o trataram como um qualquer (uma pessoa à toa).
Não confiava nos adultos, pois entendia que os adultos julgavam as pessoas por suas próprias condutas. Estava perdido e vivendo um momento de luto consigo.
Mas em meio a tanto sentimento ruim, ele encontrou uma amiga que o tratava bem e com respeito. Ficaram grandes amigos e ela sempre era a pessoa que o dava conforto quando queria sair para brincar e não tinha segurança para enfrentar as demais crianças.
Chegou um momento que o menino percebeu que precisava de ajuda e pediu para sua mãe leva-lo ao psicólogo, pois estava sofrendo. Deu-se início à terapia, visto que logo à primeira vista identificou-se com a terapeuta.
Está fazendo sessões semanais e a cada encontro é trabalhado as emoções e sentimentos do menino, por meio de jogos e cartas de emoções, que de forma lúdica mede a temperatura das emoções.
Hoje ele já reconhece que é preciso, sim, empatia, mas não deve trazer para si os problemas e dores dos amigos. Entende que há adultos que não conhecem de forma ordenada o universo e sentimentos de uma criança.
Mas o mais importante que esse menino leva de toda essa situação é que a família é o tesouro mais precioso que existe. Ela é sua verdadeira amiga. Pois foi na sua família que encontrou o apoio necessário para superar sua dor.
Na família habita amor, compreensão, cooperação… se uma pessoa que está passando por um momento de crise e desconforto emocional tem uma família atenciosa e paciente para auxiliar no seu emocional, qualquer problema é superado.
E foi com o apoio de seus pais e sua terapeuta que esse menino está vencendo a cada dia os seus temores e descobrindo que há sim, muitos motivos para sorrir.
Parceria:

Com supervisão de Nicole Almeida, jornalista do Grupo Meon.
Aluno do 4º ano do Ensino Fundamental I da Escola Municipal Conceição Aparecida Magalhães Silva, em Jacareí
