Relatório elaborado em São José sobre a Ditadura vai contribuir com Comissão Nacional da Verdade

Documento é composto por 66 páginas e 100 pessoas foram ouvidas

Escrito por: Moisés Rosa2 min de leitura
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Relatório é encaminhado para a Comissão Nacional

Flávio Pereira/Meon

Depois de oito meses de trabalhos, a Comissão da Verdade de São José dos Campos finalizou as atividades e entregou relatório final, nesta terça-feira (9), na Câmara de São José. Com a conclusão dos trabalhos, o relatório também foi encaminhado para a Comissão Nacional, que vai indicar repressores e penalidades.

O documento conta com mais de 100 depoimentos de pessoas sobre a época da Ditadura Militar, dos momentos de tortura e perseguição. Em discurso, o relator Moacyr Pinto, afirma que este foi um grande passo dado para retratar os momentos da época.

O relatório foi dividido em duas partes. A primeira focada na demanda da Comissão Nacional da Verdade, que buscou novos fatos, coleta de dados sobre pessoas desaparecidas na ditadura e a identificação de centros de repressão. A segunda foi tornar o documento acessível, na versão eletrônica, com a íntegra dos depoimentos.

“Buscamos tornar o relatório mais acessível ao cidadão, trazendo os principais acontecimentos, fatos, e apontando os responsáveis pelas torturas na região”, diz Moacyr Pinto.

Em um dos fatos descritos no relatório estão as expulsões de alunos do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), marcado pela atitude do ex-reitor do instituto em defender os estudantes. “Apuramos os acontecimentos de 64 a 85 e, entre eles o caso do ITA, em que o ex-reitor pediu a anistia dos alunos. Na época, a direção do ITA considerou a atitude como insubordinação e afirmou que cada aluno deveria requerer individualmente a sua anistia”, relata a vereadora e presidente da Câmara, Amélia Naomi (PT).

A Comissão também ouviu depoimentos sobre o período da expulsão com o Tenente Brigadeiro do Ar, Sérgio Pedro Bambini e o Brigadeiro Engenheiro Maurício Pazini Brandão. Já o documento da Comissão Nacional da Verdade deve apontar 300 agentes do Estado que participaram de tortura durante a Ditadura Militar (1964-1985).

Comissão
Fundada em 2013, a comissão teve como objetivo esclarecer episódios de desrespeito aos Direitos Humanos cometidos em São José dos Campos durante os chamados anos de chumbo.

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