Retrato do passado através do caminho do Vale do Café no Rio
Projeto com roteiros pelo interior fluminense faz turista viajar pela história do Brasil Império


Moldura da Fazenda São João da Prosperidade simula fotografias antigas
Bruna Toni/Estadão
Enfileiradas como bons soldados servindo ao Império, as dezenas de palmeiras de até 40 metros de altura formam um corredor natural entre o portão de entrada e o casarão Silenciosas, acompanham o caminhar de um casal com braços entrelaçados e trajes que os entusiastas de novas tendências dirão ser o que há de melhor no estilo retrô. Ao chegarem até nós, apresentam-se: “Somos o Visconde e a Viscondessa de Rio Preto, sejam bem-vindos à nossa casa, a Fazenda do Paraízo”.
É dessa forma que começa a viagem no tempo, ou melhor, o nosso roteiro pelo circuito histórico do Vale do Café, região do interior do Rio de Janeiro que ganhou projeção nacional durante o auge da produção cafeeira no Brasil, no século 19.
Dois séculos à frente do que viveu o casal de viscondes e numa área há muito sem café, a cena da nossa recepção é interpretada, na verdade, pelo historiador e guia turístico Adriano Novaes e pela gestora de turismo e guia Samantta de Souza. Vestidos a caráter e com linguajar de época afiado, os dois fazem parte de um grupo que realiza as tradicionais visitas teatralizadas em algumas fazendas da região.
Incentivados pelo projeto do Sebrae para promover o turismo com foco no período imperial batizado de Tour da Experiência, 18 estabelecimentos das cidades de Rio das Pedras, Valença, Vassouras, Barra do Piraí e Piraí criaram produtos que buscam resgatar a história do País entre 1822 e 1889.
Como resultado, atrações diversas que exigem no mínimo um fim de semana para serem curtidas com calma – a distância de São Paulo até Piraí, município mais próximo da capital paulista, é de 338 quilômetros. Ir de uma cidade a outra significa percorrer, em média, apenas dez quilômetros a mais.
O que se encontrará pelo caminho vale por um bom número de aulas de História, desde a preservação da memória material traduzida por objetos e construções de 200 anos atrás até a releitura de nossa gastronomia. Comer (muito) bem, aliás, é regra por lá e qualquer passeio terminará com ao menos um cafezinho.
Assim como os guias, os proprietários das fazendas muitas vezes se vestem como barões e baronesas para receberem seus visitantes Acompanhados quase sempre por mulheres negras que ocupam papéis de serviçais sem voz, a situação gera incômodo. Consequência, talvez, da linha tênue que há entre a representação teatral de uma época e a reprodução de preconceitos enraizados na sociedade
Sentindo-se como uma sinhazinha garbosa, negra alforriada, visconde ou líder quilombola, fato é que a passagem pelo Vale do Café te fará viajar para muito além das estradas terrestres.
Saiba mais
Como chegar: de carro, melhor forma de circular no Vale, chega-se mais rápido pela BR-116, partindo de SP – são cerca de 4 horas. Do Rio, leva-se 2 horas
Onde ficar: cerca de 30 fazendas estão abertas à visitação e algumas recebem hóspedes. Rio das Pedras: Fazenda União (2 diárias o casal, com refeições, R$ 1.160). Vassouras: Mara Palace (R$ 209 por pessoa); Santa Amália (R$ 502 o casal, com refeições); Cachoeira Grande (R$ 400, com café). Barra do Piraí: Ponte Alta (R$ 305 por pessoa); Pousada Brisa do Vale (R$ 275, casal). Valença: Vista Alegre (R$ 300 o casal, com café); Fazenda Florença (2 diárias o casal, com refeições, R$ 1.158). Piraí: Casa do Manequinho (R$ 190). Preços mínimos
Site: portalvaledocafe.com.br
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