Reunião sobre lay-off termina sem acordo entre GM e sindicato

Acabou sem acordo a reunião entre a direção da General Motors e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos nesta sexta-feira (1). O encontro foi marcado após a montadora anunciar a intenção de implantar um lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho) na fábrica.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, (centro) na coletiva de imprensa

Flávio Pereira/Meon

Acabou sem acordo a reunião entre a direção da General Motors e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos nesta sexta-feira (1). O encontro foi marcado após a montadora anunciar a intenção de implantar um lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho) na fábrica.

Uma outra reunião foi marcada para quarta-feira (6) para discutir o tema. Mesmo sem detalhar quantos funcionários entrariam no programa, a GM informou que o dia 6 é a data limite para bater o martelo sobre a questão. O complexo industrial tem 5.000 funcionários em São José.

Apesar de se mostrar aberta à negociação, a diretoria do sindicato quer garantias de que não vai haver demissões depois de implementada a suspensão temporária dos contratos dos trabalhadores. Segundo o sindicato, na última vez que a empresa adotou a estratégia, em 2012, o lay-off foi sucedido pela demissão de 598 operários em 2013.

“Temos a clara impressão de que estamos frente a um novo processo de demissão em massa. Não é uma questão de inflexibilidade do sindicato, mas nossa luta nesta situação é para a garantia dos empregos. Portanto, na reunião de quarta-feira só vamos negociar caso haja o comprometimento de manutenção dos empregos”, afirma Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, presidente do sindicato.

Durante coletiva de imprensa, Macapá ainda cobrou uma postura do governo federal em relação às possíveis demissões no setor automotivo. Para o sindicalista, após receber subsídios fiscais e recursos públicos da União, as montadoras deveriam se comprometer com a garantia de empregos.

“Nossa intenção é de nos reunir com a presidente Dilma Rousseff justamente para cobrar essa atitude do governo federal. Atualmente, as questões no setor automotivo não são apenas entre empresas e sindicatos, mas envolvem diretamente a política também”, afirma.

PDV
Um indicativo de que a empresa estaria na iminência de outra demissão em massa, segundo o sindicato, é o número de Processo de Demissão Voluntária aberto na GM nos últimos anos. De acordo com o sindicato, todos os meses a empresa oferece aos funcionários condições especiais para a demissão voluntária.

“De 2012 para cá, aproximadamente 2.500 trabalhadores saíram da empresa por meio do PDV. O clima entre os funcionários é de instabilidade por causa da indefinição da empresa”, diz.

Ford
O sindicato de São José dos Campos criticou a atuação do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, na negociação que resultou na implementação do lay-off de 1.800 funcionários na fábrica da Ford.

De acordo com Macapá, o atual momento da indústria automotiva exige ações conjuntas entre os representantes dos trabalhadores. “Precisamos mostrar força para evitarmos as demissões”, comenta.

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