Revoluções Musicais do Século XX: A Jamaica como berço dos DJs e remixes

As origens do gênero musical conhecido como DUB foram criadas no final dos anos 60, enquanto o reggae fervilhava e os estúdios revelavam produtores de muito talento. Nessa época, muitas das canções de reggae e rocksteady passaram a trazer uma versão instrumental no lado B dos compactos de 45 RPM. Nessas versões, os vocais eram removidos, mas o baixo e a bateria se destacavam junto à adição de ruídos e efeitos eletrônicos.

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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As origens do gênero musical conhecido como DUB foram criadas no final dos anos 60, enquanto o reggae fervilhava e os estúdios revelavam produtores de muito talento. Nessa época, muitas das canções de reggae e rocksteady passaram a trazer uma versão instrumental no lado B dos compactos de 45 RPM. Nessas versões, os vocais eram removidos, mas o baixo e a bateria se destacavam junto à adição de ruídos e efeitos eletrônicos.

Essas versões foram chamadas de DUB. Em muitos casos, o dub era uma mixagem “caseira”, uma espécie de artesanato musical livre. Essas versões instrumentais permitiam a apresentação ao vivo dos cantores MCs e dos DJs – que animavam as pistas de dança nos salões e nas ruas de Kingston. Os DJs foram essenciais para a consolidação do gênero. As primeiras mixagens feitas por DJs eram, na realidade, versões dub de antigos sucessos do rocksteady.

Naturalmente, havia muitas possibilidades de se criar um dub. Geralmente era inserida uma gama enorme de ruídos – sons de sirenes, tropas marchando, carro, avião, tiro, copos quebrando, etc. De fato, a herança do dub superaria as fronteiras musicais jamaicanas, criando a figura do remix – técnica essencial para o futuro mercado da dance music – e dando origem ao que mais tarde se chamaria hip hop (gênero americano que ainda estudaremos aqui).

Dancehall e raggamuffn
A década de 80, ao contrário da anterior, trouxe certo marasmo para a música jamaicana – começando pelas mortes de Bob Marley e Carlton Barret (baterista do The Wailers). Enquanto isso, King Jammy, um produtor bastante ligado às inovações tecnológicas dos EUA, se trancava num estúdio com o tecladista Tony Asher para tentar acabar com esta estranha apatia musical.

Sem o apoio de uma banda, usando apenas um teclado Cássio e uma bateria eletrônica (já comuns na época), Jammy criaria uma base (de reggae) instrumental, posteriormente cantada por um vocalista, dando origem a um novo ritmo, o dancehall – que faria grande sucesso na Jamaica. O dancehall foi muito bem acolhido por uma sociedade que não mais negava as origens musicais de seu país. Logo, esta espécie de “nova encarnação do reggae”, tornava-se um ritmo necessariamente democrático. Qualquer um poderia pegar o microfone e cantar sobre uma base rítmica eletrônica – o que tornava as produções mais baratas, acessíveis, impulsionando o mercado musical jamaicano.

Pouco depois, surgiriam os duelos de vocais – um conceito bem-sucedido de outro produtor, Donovan Germain. De um lado um cantor. De outro um DJ. Na maioria das vezes, eram duelos entre essas duas escolas musicais. Os cantores vinham geralmente das escolas americanas do soul. Os DJs espelhavam a fúria dos rude boys (nome dado às gangues de delinquentes juvenis na Jamaica nos anos 60). Os duelos vociferavam sobre o dia a dia, a política, a violência policial e, acima de tudo, o sexo.

Esse uso da instrumentação eletrônica, vinda do dancehall, mais tarde aliada a vocais inspirados nas rimas e na rítmica falada do rap americano, ficou conhecido como ragga, ou raggamuffin (um xingamento para dizer “sujo”), que, na verdade, surgiu como negação ao pacifismo da cultura rastafari. O ragga adotou um novo visual, com cabelos curtos e cortes geométricos, correntes no pescoço e roupas luxuosas. Nesta época, destacaram-se nomes como Maxi Priest, Shabba, Cocoa Tea e muitos outros.

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