Revoluções Musicais do Século XX: Rock’n’Roll – uma nova juventude
No início da década de 50, nos EUA, a síntese de quatro vertentes afro-americanas como o blues, o boogie-woogie (estilo mais ritmado do blues), o gospel e o swing jazz, daria origem ao maior gênero da música negra do período e um dos ritmos mais importantes da América: o Rhythm and Blues (ou R&B) – estilo que já usava instrumentação elétrica, misturava instrumentos de sopro e vocais berrados. O R&B, por sua vez, seria nada menos que a grande semente do rock`n`roll – ou seja, o rock’n’roll pode ser considerado, em sua essência, uma música legitimamente afro-americana.

No início da década de 50, nos EUA, a síntese de quatro vertentes afro-americanas como o blues, o boogie-woogie (estilo mais ritmado do blues), o gospel e o swing jazz, daria origem ao maior gênero da música negra do período e um dos ritmos mais importantes da América: o Rhythm and Blues (ou R&B) – estilo que já usava instrumentação elétrica, misturava instrumentos de sopro e vocais berrados. O R&B, por sua vez, seria nada menos que a grande semente do rock`n`roll – ou seja, o rock’n’roll pode ser considerado, em sua essência, uma música legitimamente afro-americana.
Os brancos também embarcariam no rock’n’roll rapidamente, suplantando suas antigas raízes, como o folk e a música country. Mas quem traria força para esse mergulho dos brancos no rock seria o rockabilly (mistura de country, gospel, blues e R&B), surgido no sul dos EUA em meados dos anos 50. A visão de mundo do rhythm and blues era sensivelmente mais positiva do que o blues clássico das décadas de 30 e 40. Enquanto a vida cotidiana continuava sendo o grande tema do blues, a boemia e os relacionamentos sexuais se tornariam questões frequentes no universo do R&B.
Artistas como Hank Williams propunham, em meados dos anos 40, narrativas inéditas para os jovens brancos, como amores perdidos, infidelidade sexual, bebedeiras, vida desregrada, etc. Em meados da década de 50, Elvis Presley lançaria uma versão da canção blues That`s All Right, cantando com displicência, a voz trêmula, em tom de abandono, criando o rockabilly, que atrairia, logo depois, Jerry Lee Lewis, Johnny Cash, Carl Perkins e Roy Orbison para sua musicalidade mais romântica.
Não podemos esquecer que músicos como Chuck Berry, Bill Halley e Little Richard – verdadeiros criadores do rock’n’roll – também já traziam a mesma temática, mas foi na esteira de Elvis Presley, um ícone perfeito para o mercado (homem branco e símbolo sexual), que o futuro do rock clássico estaria assegurado. Outro fator essencial para seu sucesso foi o advento da televisão, novo veículo e portal cultural para uma juventude motivada pela ascensão econômica e em busca de um novo estilo de vida.
O rock’n’roll foi seguido por essa nova geração, pronta para quebrar barreiras e transcender os dogmas da cultura dominante. Era o esplendor da contracultura, clamando a favor da paz, dos direitos civis, do amor livre. As coisas que realmente importavam para esses jovens eram a diversão e o entretenimento – uma vez que não eram mais obrigados a trabalhar para ajudar suas famílias, e formavam uma legião de consumidores vorazes e ansiosos. Para os mais velhos, educados pelo establishment social, o novo gênero tornou-se extremamente polêmico e provocativo. Além disso, enquanto estilo essencialmente negro, a maior parte dos adultos brancos julgava o rock como estúpido e virulento. De qualquer forma, o estilo de vida trazido pela nova juventude começava a ganhar força, botando em xeque as instituições, as tradições e toda a sociedade americana.
Os desbravadores do rock dividiam-se em duas gerações distintas: a dos negros (com Chuck Berry, Little Richard etc.), antes de 1956, e a dos brancos (com Jerry Lee Lewis, Buddy Holly etc.), com suas linhagens mais country e guiados por Elvis Presley, que levou o ritmo ao seu grande sucesso.
A família inicial de roqueiros (Chuck Berry, Bill Halley, Fats Domino, Little Richard) surgiu entre 1953 e 1955, proveniente de camadas pobres do sul dos EUA. Eles fizeram do rock’roll um respeitável produto comercial dentro da cultura popular americana. Muitos desses roqueiros estavam rodeados de profissionais talentosos – empresários, diretores musicais, produtores, entusiastas que os assessoravam em todos os momentos.
Esta primeira fase do rock clássico, iniciada com artistas negros, trazendo o blues e o rhythm and blues, se concluiria mais tarde com músicos brancos fazendo uma síntese de rockabilly, rock country e R&B. Os primeiros apontavam para um mundo libertário, sem censura, uma realidade de rebeldia e promiscuidade. Já a segunda geração do rock (com Elvis e Jerry Lee Lewis à frente), voltada para o amor e o abandono, rejeitaria os aspectos libertinos e revoltosos dos primeiros clássicos.
Mesmo assim, Elvis e Lewis se mostrariam provocadores o bastante para bombardear a cabeça dos jovens com suas transgressões comportamentais. Em suma, a primeira geração desenhou tanto a sonoridade quanto a atmosfera do rock, enquanto a segunda geração aproveitou o momento favorável para remodelar a sonoridade e colher os frutos promissores deste novo gênero.
No entanto, no início dos anos 60, o rock’n’roll entraria, inusitadamente, num coma profundo. Diversos artistas seriam vítimas da forte repressão política que se instalava nos EUA – compactuada por gravadoras, igreja e líderes civis americanos. Chuck Berry foi incriminado, Lewis marginalizado. Richard tornou-se religioso, Holly morreu, Elvis alistou-se e Halley praticamente desapareceu.
O rock’n’roll entrava numa espécie de quarentena. Com a forte pressão da censura, o mercado passou a valorizar performances mais românticas – em detrimento do rock mais rebelde. Não havia outra escolha: os EUA teriam que esperar pacientemente pela invasão inglesa, liderada por Beatles e Rolling Stones, temas de nossa próxima coluna.
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