Por Elaine Rodrigues Em RMVale

Entrevista: Horácio Forjaz fala da vocação aeroespacial de São José

Horácio Forjáz Diretor Geral do Parque Tecnológico em São José dos Campos

Forjáz acredita na vocação de São José

Warley Leite/ Meon

Uma série de inaugurações, em março deste ano, torna o Parque Tecnológico de São José dos Campos, um dos maiores centros de investimentos em pesquisa e tecnologia aeroespacial na América Latina. No final do primeiro trimestre de 2014, entram em funcionamento os centros de pesquisa da Boeing e da Airbus, além do novo laboratório aeroespacial do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), único do modelo no Brasil.

Com cinco anos de existência, o Parque Tecnológico já recebeu mais de R$ 1,76 bilhões em investimentos públicos e privados. Outros R$ 400 milhões começam a ser investidos, ainda neste ano, com a instalação do Centro de Pesquisas do ITA (Instituto Tecnológico Aeroespacial), no valor de R$ 300 milhões e do Centro de Tecnologias Aeronáuticas e o Instituto de Inovação em Defesa do Senai, com mais R$ 100 milhões para as obras iniciais.

O atual diretor geral do local, Horácio Aragonés Forjaz, 63 anos, é engenheiro eletrônico formado pelo ITA, e mestre em Computação Aplicada pelo Inpe ( Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Em seu histórico profissional está a vice-presidência executiva de administração e comunicação da Embraer. 

Para Forjaz, o parque tem cumprido sua função. "Queremos manter viva a vocação tecnológica e aeroespacial de São José dos Campos, enquanto fomentamos um futuro sustentável para a economia da cidade", destaca. 

Em entrevista ao Meon, Forjaz fala dessa vocação e da importância do Parque Tecnológico para a cidade.

O que você entende por vocação tecnológica?
A identificação de São José com a tecnologia tem raízes antigas. Começa quando foi escolhida na década de 40 para sediar o CTA (Centro Tecnológico Aeroespacial), daí não parou mais. Vieram o Inpe, a Avibrás, a Tecnasa, a Engesa e a Embraer, o que fez com que a cidade incorporasse essa vocação tecnológica. Algo que está acima de planos de governo e partidos políticos. 

Se é uma vocação natural da cidade, por que o parque não foi instalado antes?
Um Parque Tecnológico tem a função, entre outras coisas, de facilitar o desenvolvimento de projetos, unindo a mão de obra especializada, com as boas idéias das empresas, e atraindo investimentos para concretizar esses projetos. Já tínhamos algo parecido com isso há 60 anos no CTA. A mão de obra especializada formada ali no ITA, junto com programas como do avião Bandeirantes, e o apoio financeiro do governo, que financiou o projeto.

Quando nasceu a idéia do Parque Tecnológico como é hoje?
Na metade da década de 90, época em que a Embraer estava no seu auge, o então prefeito Emanuel Fernandes pensou em como manter aquele bom momento, e daí veio a idéia do Parque Tecnológico, para desenvolver as áreas de aeronáutica e defesa, energia, e as TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação). O projeto foi amadurecido e estruturado por mais de dez anos, fecharam acordos, vieram investimentos, e em 2006 foi realizada a compra da planta da Solectron onde estamos. Finalmente em 2009, o Parque foi inaugurado.

Qual a importância do Parque para a economia da cidade?
Há 20 anos, o setor viveu um superávit de R$ 25 bilhões, o que com os impostos recolhidos e outros investimentos estaduais e federais, fizeram de São José dos Campos uma cidade bem planejada e possibilitou a instalação de um Parque Tecnológico do porte do que temos aqui. Contudo, nos últimos anos a crise trouxe um perda no nosso PIB (Produto Interno Bruto) e temos, na contramão, buscado investimentos para que as empresas cresçam e voltem a aquecer o mercado aeroespacial. O que já esta acontecendo com a vinda da Boeing, Airbus e de tantos outros investimentos em pesquisas.

Quais os próximos passos?
Continuar a receber pequenas e médias empresas, ajudá-las a se desenvolver mais rápido e torná-las de alta qualidade, com integração com faculdades, grandes empresas e estrutura adequada. Esse ano teremos a ampliação da Unifesp e a inauguração do prédio novo do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), que já está instalado em uma área provisória, além da a inauguração do LEL (Laboratório de Estruturas Leves) do IPT. Muitos outros investimentos devem vir, o parque não deve parar de crescer, nossa prioridade é atrair mais recursos do Governo federal, para subsidiar esse desenvolvimento.

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