RMVale

Entrevista: Padre Afonso Lobato (PV), novo representante da RMVale na Alesp fala com o Portal Meon

Parlamentar ocupará por 180 dias a vaga de Fernando Cury (Cidadania), afastado por importunação sexual

Escrito por Gabriel Campoy

07 ABR 2021 - 09H00 (Atualizada em 07 ABR 2021 - 13H33)

Arquivo Pessoal PADRE AFONSO LOBATO (Arquivo Pessoal)

A RMVale terá um novo representante na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) nos próximos meses. Após o afastamento de 180 dias do deputado estadual Fernando Cury (Cidadania), por importunar sexualmente sua colega parlamentar Isa Penna (PSOL), o ex-deputado Padre Afonso Lobato (PV) estará atuando na suplência de seu colega de coligação durante o tempo de punição.

Como o afastamento de Cury implica na paralisação de seu mandato, Padre Afonso poderá montar sua própria equipe de gabinete. O mandato, contudo, é tampão, já que o parlamentar afastado fica apto a retomar suas atividades ao fim da punição.

Na expectativa pela convocação do presidente da assembleia, Carlão Pignatari (PSDB), Padre Afonso Lobato conversou com a reportagem do Portal Meon e falou sobre as pautas que irá priorizar nos próximos meses, sua relação com a política, religião e sobre a cidade da qual adotou como sua: Taubaté.

Confira a entrevista abaixo.


Como é para o senhor retornar à representação da RMVale após dois anos fora da Alesp?

É diferente. Nós nunca ficamos torcendo para acontecer desgraças na vida de ninguém. Quando fiquei na suplência, aguardei alguma candidatura a prefeito dentro de nossa coligação e, claro, fiquei na torcida para fossem eleitos para que pudesse assumir.

Em Presidente Prudente o deputado que era da nossa coligação acabou eleito prefeito, entretanto, em Campinas acabou não dando. Mas, aí aconteceu o que aconteceu com o Cury, e a Alesp resolveu afastá-lo por 180 dias. Fiquei feliz pela oportunidade, mas chateado com o contexto.


Com qual expectativa o senhor chega à Alesp?

Eu olho como missão. Acredito que político seja instrumento, meio ferramenta. Neste momento de pandemia, no estágio que estamos, com mais de 4 mil pessoas  morrendo por dia, eu que dediquei meus mandatos anteriores para a área da saúde, fico bastante sensibilizado e comprometido com essa causa. Estão faltando profissionais já, hospitais fechando a porta por conta de leitos, de paciente, então assumimos como uma missão colocada nas nossas mãos, por Deus, e que seja uma forma de ajudarmos as pessoas.


O senhor não era o primeiro suplente então?

Não. O primeiro suplente era Edson Giriboni (PV), de Itapetininga, que entrou na vaga deixada pelo Ed Thomas (PSB), que foi eleito prefeito de Presidente Prudente. Eu era o segundo.


O que mudou na Alesp desde o tempo em que o senhor foi deputado pela última vez?

Acredito que mudou muita coisa. A política em si é uma arte e uma ciência que trabalha com a realidade. Trabalha com as pessoas, por isso vive em constante mudança. A forma de fazer política com as redes sociais, a pandemia, o jeito de falar com o povo sem gerar aglomerações, reuniões, as próprias participações na assembleia. Enfim, muita coisa mudou. Essa polarização terrível que vivemos no campo político acaba esgarçando as relações, dificultando o diálogo. É um desafio construir pontes com essa polarização dos dias atuais.


O senhor terá um mandato de 180 dias. Quais serão as prioridades da legislatura?

Para quem não tinha nada, 180 dias é uma belíssima ferramenta. Nossa prioridade será a saúde. Não tem como não ser. Sempre foi durante meus 16 anos como na assembleia. Eu acho que os recursos que chegam precisam ser geridos de uma forma melhor. Nós temos hoje na nossa região mais de 400 pessoas na fila para uma sessão de radioterapia. Isso é criminoso.


O PV, partido do senhor, compõe a base de sustentação do governo Doria na Alesp. O senhor irá apoiá-lo?

Eu nunca fui escravo de nenhum governo, sempre atuei com autonomia. Quem me deu o mandato foi o povo. Acredito sim, que preciso de uma boa relação com o governo, justamente para que nossas pautas sejam viabilizadas, mas eu não estou submisso a eles. Eu posso ser parceiro ao governo, e parceria não é submissão. Eu sempre me posicionei com autonomia na Alesp e, embora eu sendo da base aliada, sempre tive questionamentos e já votei diferente da situação em diversas vezes. Vou continuar na mesma postura. Livre, independente e votando com o que a minha consciência me obrigar.


Nas eleições municipais de Taubaté o senhor teve uma grande participação abdicando de uma eventual candidatura a prefeito para apoiar o candidato vencedor José Saud (MDB). Como o senhor avalia a administração dele nesses primeiros 100 dias de mandato?

Eu acho que todos os prefeitos estão enfrentando enormes desafios com a pandemia. Toda essa questão de fechar e abrir comércio, a diminuição na arrecadação, o aumento do desemprego, o aumento da fome, tudo é complicado. É um momento terrível e de que ele precisará de muito discernimento para enfrentar esse momento. O Saud é uma experiência nova, está começando. Estive junto com ele, apoiei e torço por ele. Contudo, não tive nenhuma participação no governo dele, não indiquei nenhum cargo, para nenhuma secretaria.


Letícia Aguiar (PSL) e Sérgio Victor (NOVO) são os representantes da RMVale na Alesp


O senhor acha importante uma atuação colegiada da bancada da RMVale? Irá procurar os deputados Sérgio Victor (NOVO) e Letícia Aguiar (PSL) para uma frente parlamentar de apoio à região?

Eu tive uma experiência bastante positiva quando presidi a frente parlamentar do Vale do Paraíba durante 8 anos. Eu não acompanhei o mandato do Sérgio Victor e não lhe conheço pessoalmente. Já a Letícia Aguiar conversei apenas uma vez. Não acompanho o mandato deles, mas qualquer união de esforços neste momento será muito importante. Juntos, podemos muito mais.


O senhor deixará a paróquia durante o exercício parlamentar?

Não. Nós ganhamos um auxiliar, então vou tentar achar uma forma de conciliar. Atualmente estou como pároco em Pindamonhangaba. Vou continuar ajudando no exercício do ministério.


Qual a posição do senhor em relação ao AME de Taubaté e o Serviço de Radioterapia de Guaratinguetá, ambos que ainda não foram entregues pelo Estado?

São dois serviços essenciais para região. O AME (Ambulatório Médico de Especialidades) de Taubaté irá atender diversos municípios. Nós vamos trabalhar para isso. Quando presidi a frente parlamentar nós conseguimos viabilizar a vinda dos AMEs para região. Então nós pretendemos unir esforços, chamar os prefeitos da região que serão atendidos e buscar uma união para solucionarmos esse problema. O meu estilo não é de ficar batendo nos outros e fazer vídeo xingando, meu caminho é  solucionar os problemas pelo diálogo. Em relação ao Serviço de Radioterapia, uma licitação já foi realizada, uma empresa selecionada, mas não sabemos por qual motivo nada ainda foi assinado.

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