Filme de diretor taubateano é selecionado para maior festival de cinema negro do mundo

Longa “Doutor Gama”, de Jeferson De, conta história de abolicionista brasileiro que libertou mais de 500 pessoas escravizadas

Escrito por: Bruna Oliveira2 min de leitura
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O longa metragem brasileiro “Doutor Gama”, do diretor taubateano Jeferson De, foi selecionado para participar do American Black Film Festival (ABFF), o maior evento de cinema negro do mundo.

O festival acontece em novembro, em Miami, no Estados Unidos, e o filme nacional está entre as 10 obras escolhidas para integrar a edição que marca o aniversário de 25 anos do festival.

“Doutor Gama” conta a trajetória de um dos personagens mais importantes da história brasileira. Luiz Gama foi um abolicionista e nasceu livre na Bahia, foi vendido pelo pai para pagar uma dívida de jogo, aprendeu a ler e a escrever já adulto e, como advogado, libertou cerca de mais de 500 pessoas escravizadas.

APROVAÇÃO DO PÚBLICO E CHANCE DE OSCAR

Em cartaz nos cinemas e já disponível na plataforma de streaming Globo Play desde o início do mês, o filme vem alcançando reações muito positivas entre a crítica e o público. Com a participação no ABFF sendo mais um ponto de consagração, o caminho para possibilidades como o Oscar e a BAFTA não parecem tão distantes.

Em entrevista para o Brasil de Fato, Jeferson comemorou emocionado: “Recebi a notícia ontem. Ainda estou com olhos brilhando”. Para o cineasta, a seleção indica interesse em uma história que precisa ser contada.

“É algo muito grandioso, porque a comunidade negra americana está pressionando o Oscar há muito tempo. Chegar lá com um filme brasileiro e preto neste momento é muito importante”. O diretor completa “Eles estão de olho na gente. Eles querem saber quem é esse tal de maior abolicionista brasileiro, que a gente nunca ouviu falar?”, disse ele.

Dono de uma história surpreendente, Luiz Gama deixa “no chinelo” qualquer outra trajetória de super herói ficcional. Além da jornada no filme, De acredita que Luiz Gama precisa ser reconhecido e chegar a todos, às “quebradas” inclusive. “É a nossa história, é como resgatar a história de um parente, de um avô. Para mim tem esse lugar, eu, como homem preto, fazendo um filme sobre um ancestral”.

Também destacou que a figura de Luiz Gama são atos de absoluta relevância. “Ele tem uma importância para nós negros, mas ele tem uma importância para esse Brasil que a gente quer, um Brasil livre, com a participação de todos.”

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