Por Vinicius Assis Em RMVale

Lar doce lar: a história do Joaquinzão e do Martins Pereira

Tanto o São José quanto o Taubaté mandam os jogos em estádios com, ao menos, 50 anos de tradição


Palco de inúmeras conquistas e decepções, os estádios são capítulos a parte da história do futebol. Na região, o Joaquinzão e o Martins Pereira recebem há, ao menos, 50 anos as partidas do Taubaté e do São José.

Mesmo separados por quase 37 quilômetros de distância, as casas do São José e do Taubaté representam parte importante da história não só dos clubes, mas também das duas cidades mais populosas da região.


Joaquinzão

Batizado de Joaquim de Morais Filho, o presidente do Taubaté na época da construção do estádio deu o próprio nome a casa do Burro da Central. O estádio foi inaugurado em 1968, após uma série de campanhas populares.

Antes da construção do Joaquinzão, o Taubaté mandava as partidas no Estádio Praça Monsenhor Silva, conhecido como “Campo do Bosque”, local pertencente a prefeitura da cidade.

Em 1954, uma ambiciosa meta da diretoria do Burro era construir um campo próprio para o time. Em 1955, o prefeito da cidade e figura ilustre na história taubateana, Félix Guisard doou um terreno de 38.300 m² para que o clube tirasse os planos da construção do papel. Além disso, o clube também recebeu uma doação de 45 milhões de Cruzeiros Velhos e um dirigente do clube fez uma campanha de doação de tijolos, para conseguir o material para de fato erguer o que seria o novo estádio do Taubaté.

O estádio ficou pronto em 1967, mas só foi inaugurado no dia 1° de outubro de 1968, em um amistoso entre o dono da casa e o São Paulo, que terminou com a vitória do time da capital, por 2 x 1. Quanto ao jogo que foi recorde de público existem divergências.

Os principais registros apontam que o jogo presenciado por mais torcedores foi o empate de 1 x 1, no dia 11 de junho de 1980, quando o Taubaté encarou o Corinthians pelo Campeonato Paulista, oportunidade em que 21.272 torcedores compareceram ao Joaquinzão. Já por outro lado, há quem acredite que o jogo com maior público foi o empate em 0 x 0 do Burro da Central contra o Catanduvense, em partida válida pelo Campeonato Paulista de 1988, onde 21.371 torcedores foram ao estádio.


Martins Pereira

Conhecido apenas pelo sobrenome, a casa do São José tem como nome oficial Doutor Mário Martins Pereira. O estádio recebeu o nome em homenagem ao responsável por doar o terreno onde o campo está localizado, na zona leste da cidade.

O São José já passou por várias transformações – inclusive no escudo e nas cores, já que o time jogava com uniforme listrado em preto e branco, semelhante as cores do Corinthians - desde que fundado como um time amador em 1933 até a profissionalização do clube, em 1957. Antes da estreia do Martins Pereira, em 1970, o clube mandava os jogos no Estádio da Rua Antônio Saes, local com pouca infraestrutura.

O estádio foi construído sem o dinheiro público, no que era tido como um projeto completamente inovador para a época. Além de não usar o dinheiro da prefeitura, o então presidente do clube Mário Ottoboni, chegou a ter discussões com os políticos da cidade.

Em entrevista ao repórter Estevam Neves e publicada no início de 2018, ano de morte do ex-dirigente, Ottoboni revelou que o estádio era para ter ajuda da prefeitura, mas por desavenças do mandatário com o prefeito isso não aconteceu. Sem a ajuda da prefeitura, Mário Ottoboni teve de usar o próprio dinheiro em algumas ocasiões para manter o sonho da construção do estádio e deu certo, já que em 1970 a nova casa do clube estava de pé. Por causa das dívidas do clube, o Martins Pereira teve de ser leiloado em 1975. O ambiente foi arrematado pela Urbam (Urbanizadora Municipal), que administra o estádio até hoje.

A estreia do estádio foi em um amistoso entre o Atlético Mineiro, de Minas Gerais e o Internacional de Porto Alegre, do Rio Grande do Sul. A partida, que aconteceu no dia 15 de março de 1970 acabou com a vitória dos mineiros por 1 a 0, com um gol de Dadá Maravilha, no que foi a primeira vez que as redes do Martins Pereira balançaram. O primeiro jogo do São José foi em 22 de março do mesmo ano, quando a Águia perdeu de 1 a 0 para o Nacional, da capital paulista.

Quanto ao maior público da casa do São José, também existem divergências. Muitos acreditam que ele foi registrado em 11 de maio de 1997, quando 19 mil pessoas assistiram a Águia do Vale empatar em 1 a 1 com o São Paulo. Já outras pessoas creem que o maior número de torcedores presentes foi em 20 de Janeiro de 2007, quando o São José perdeu de 6x2 pro Cruzeiro, de Minas Gerais em uma partida válida pela Copa São Paulo de Futebol Júnior.

O local passou por uma reforma em 2013, onde a capacidade de público caiu de 16.500 para 12.234 torcedores, para assim atender normas de segurança. Desde a reforma, o local recebe jogos de outras modalidades, além do futebol masculino e feminino. O Martins Pereira também é palco de disputas de rugby e futebol americano.

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