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Mães que deixaram saudade: conheça a história da Laura Stetner e da sua mãe Roberta, que partiu há oito anos

A estudante perdeu sua mãe e irmã em um acidente quando tinha apenas 14 anos

Escrito por Julia Lopes

09 MAI 2021 - 16H49 (Atualizada em 10 MAI 2021 - 08H43)

Arquivo Pessoal Roberta e Laura (Arquivo Pessoal)

O Dia das Mães é tradicionalmente conhecido como uma data para comemorar e homenagear as mães com presentes e almoços especiais de domingo. Mas, para muitas pessoas que perderam suas mães, esse dia se torna uma data cheia de saudades e lembranças.

Laura Stetner, estudante de jornalismo, de 22 anos, moradora de São José dos Campos, perdeu sua mãe, Roberta Stetner, de 29 anos, e sua irmã, Melissa Stetner, de 5 anos, em 2013, quando tinha apenas 14 anos. As duas foram atropeladas por um caminhão quando estavam andando de bicicleta na rua e morreram na hora por traumatismo craniano.

Laura conta que era uma pré-adolescente na época e que estava terminando o ensino fundamental, morava com a mãe e o padrasto, mas com a perda repentina da sua mãe e irmã, sua vida mudou completamente. A estudante teve que ir morar com seu pai que não tinha muito contato até então.

Conforme foi crescendo, a jovem foi se questionando sobre o que aconteceu com a sua mãe.

“A morte é uma grande pergunta da humanidade. O que acontece quando você morre? Penso muito sobre isso para tentar ressignificar a morte dela de alguma maneira. Mas nunca cheguei em nenhuma conclusão, a morte realmente é uma das grandes perguntas da humanidade. Não sabemos o que acontece antes ou depois”, ressalta Laura.

Depois do período de luto, que passou durante sua adolescência, ela disse que fez muita coisa que achava que poderia fazer só porque isso tinha acontecido, era um sentimento de: “Eu posso ser rebelde, olha só essa coisa horrível que aconteceu comigo”.

Mas hoje em dia, com seus 22 anos recém completados, oito anos após a perda da sua mãe, Laura pensa nas coisas boas que foram deixadas para ela, como a educação que recebeu, os momentos que viveram, com tudo que a mãe conseguiu ensinar, até o momento da sua partida, que a estudante levará para toda vida.

“Hoje em dia a forma que eu tenho de homenageá-la é ser uma pessoa melhor. A pessoa que ela criou, com a educação que ela me deu. Eu penso que minha mãe me criou para ser essa pessoa, uma sensível, que consegue apreciar a arte, se divertir. É minha obrigação viver uma vida boa agora que ela não está mais aqui”, falou a jovem emocionada.

”É uma saudade muito grande”.

Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal
Roberta Stetner


A maneira que a Laura encontra de homenagear sua mãe é sendo uma pessoa boa, amar as pessoas que estão a sua volta, fazer as coisas que ela a ensinou e ser uma pessoa melhor.

Na entrevista, a jovem se emocionou diversas vezes, ao lembrar da mãe com carinho. Até os momentos que não foram tão bons, Laura se lembra com carinho. Como por exemplo, quando sua mãe não deixava ela faltar na escola nenhum dia, mas hoje ela consegue entender que tudo era feito para seu bem e lembra com amor dessa época.

“Ela representa essa pessoa para mim, uma pessoa que fez tudo na vida dela para mim. Me colocou sempre em primeiro lugar na vida dela. Todas as forças que ela tinha era para me dar uma boa educação, para me tornar uma boa pessoa”, diz.

A jovem contou que Roberta a teve muito nova, com 17 anos, mas que se mostrou muito madura por fazer tudo o que estava ao seu alcance para educar a filha da melhor forma.

“É entender que não há homenagem maior do que ser a pessoa que ela queria que eu fosse, me tornar uma boa pessoa, com educação, com princípios, com sensibilidade e com bons hábitos”, destaca Laura.

Outra homenagem que a Laura fez para sua mãe foi tatuar o momento do dia em que ela jogou as cinzas da mãe no mar, um desejo que ela deixou claro que queria antes de partir.

Lição

Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal


Para quem vai passar o primeiro Dia das Mães sem a sua mãe, Laura deixa uma lição: “O tempo é rei nessas situações, as coisas só melhoram com o tempo”.

A jovem deixou claro que o tempo não faz tudo sozinho, que nos casos da pessoa não se sentir confortável com o luto, é bom procurar ajuda profissional para conversar e conseguir externalizar e entender esse sentimento, para achar a melhor maneira de lidar com a perda.

“Eu tento não focar na parte negativa, tento focar nas coisas boas, que essa coisa ruim que aconteceu comigo deixou de fruto na minha vida. É basicamente você tomar consciência e procurar ajuda profissional e esperar o tempo passar. Porque o tempo passa para todo mundo e em algum momento isso vai acontecer com todos. A morte é inerente, para morrer basta estar vivo”, finalizou Laura.

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Por Julia Lopes, em RMVale

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