Rotas do Café, Queijo e Vinho movimentam turismo e negócios no interior de São Paulo
Levantamento aponta crescimento de visitantes, faturamento e investimentos em experiências gastronômicas e rurais no Vale do Paraíba e na Mantiqueira

As Rotas do Café, do Queijo e do Vinho vêm ganhando espaço no turismo paulista e impulsionando a economia de diferentes regiões do estado. Um levantamento do Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), ligado à Secretaria de Turismo e Viagens de São Paulo (Setur-SP), mostra aumento no fluxo de visitantes, faturamento e investimentos entre os empreendimentos participantes.
Os dados fazem parte da primeira edição da Sondagem de Desempenho e Perfil das Rotas Gastronômicas do Estado de São Paulo, publicada no primeiro trimestre de 2026.
De acordo com a pesquisa, cerca de 50% dos empreendimentos realizaram melhorias na infraestrutura, ampliaram áreas de atendimento ou criaram novas atrações para os visitantes.
Além do impacto econômico, as iniciativas fortalecem o chamado turismo de experiência, que combina gastronomia, produção artesanal, cultura e contato com as características de cada região.
Rotas do Café registram maior crescimento
Entre as três iniciativas analisadas, as Rotas do Café apresentaram os indicadores mais expressivos.
Segundo o levantamento:
- 80% dos empreendimentos registraram impactos positivos após a entrada na rota;
- O número médio de visitantes cresceu 37,25% em 2025;
- Os estabelecimentos receberam, em média, 20,5 visitantes por dia nos períodos de maior movimento;
- O faturamento aumentou, em média, 35,75%;
- O gasto médio por turista chegou a R$ 199,29 por dia nos meses de maior movimento.
O público também apresenta uma composição diversificada. Turistas de outras cidades paulistas representam 29%, enquanto visitantes de outros estados correspondem a 26%. A capital paulista responde por 21% e os estrangeiros representam 24%.
Rotas do Queijo ampliam número de visitantes
As propriedades produtoras de queijo artesanal também registraram resultados positivos.
A pesquisa aponta que 74% dos empreendimentos participantes perceberam impactos positivos com a integração à rota.
Entre os principais números estão:
- Crescimento médio de 41,8% no fluxo de visitantes;
- Alta média de 27,2% no faturamento;
- Gasto médio de R$ 123,94 por turista por dia nos meses de maior movimento;
- 41% dos visitantes vêm de outras cidades do Estado de São Paulo;
- Turistas da capital representam 26%;
- Visitantes de outros estados correspondem a 22%;
- Turistas estrangeiros representam 11%.
Os meses com maior volume de visitação foram dezembro, julho, janeiro e junho.
Vale do Paraíba e Mantiqueira também entram no roteiro
O crescimento do turismo gastronômico também pode ser observado em destinos próximos ao Vale do Paraíba. São Bento do Sapucaí, Santo Antônio do Pinhal e Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, reúnem propriedades e empreendimentos ligados ao enoturismo, à gastronomia e à produção artesanal.
Em São Bento do Sapucaí, o visitante encontra experiências em vinícolas e propriedades rurais, além de produtos artesanais. Santo Antônio do Pinhal também integra a Rota do Vinho, enquanto Campos do Jordão combina a produção de vinhos com sua tradicional vocação para o turismo gastronômico.
Na região, Pindamonhangaba e Cunha também aparecem em iniciativas relacionadas à produção de queijos artesanais. A combinação entre paisagens rurais, gastronomia e produção local amplia as possibilidades de turismo de experiência para quem busca viagens de curta duração pelo interior paulista.
Rotas do Vinho fortalecem o enoturismo
As Rotas do Vinho também registraram crescimento e ajudaram a ampliar a visibilidade do enoturismo paulista.
Entre as vinícolas participantes:
- 57% relataram impactos positivos da participação na rota;
- O número médio de visitantes cresceu 15,9%;
- O faturamento aumentou, em média, 12,4%;
- O gasto médio chegou a R$ 185,80 por pessoa por dia nos meses de maior movimento;
- Cerca de 184 turistas por dia visitaram os estabelecimentos nos períodos de maior fluxo.
Os meses com maior visitação foram julho, junho, agosto e maio.
O público das Rotas do Vinho é formado principalmente por turistas de outras cidades paulistas, que representam 30%. Na sequência aparecem visitantes da capital (29%), de outros estados (24%) e do exterior (17%).
Além da Mantiqueira, destinos como São Roque, Jundiaí, Vinhedo, Itatiba, Louveira e Valinhos também se destacam pela oferta de experiências ligadas ao vinho e ao turismo rural. Já Espírito Santo do Pinhal reúne duas importantes vocações: o cultivo de cafés especiais e a produção de vinhos.
O aumento da procura tem estimulado investimentos em degustações, eventos, experiências turísticas e melhorias na estrutura das vinícolas.
Turismo gastronômico ganha força em São Paulo
Os resultados mostram que as rotas gastronômicas vão além da comercialização de produtos. A proposta de aproximar o turista da produção, da história e da identidade de cada região tem ajudado a criar novas experiências e aumentar o tempo de permanência dos visitantes.
Com o crescimento da procura, propriedades rurais, produtores artesanais, cafeterias e vinícolas passam a investir cada vez mais em estruturas voltadas à recepção dos turistas, criando novas oportunidades de negócios e geração de renda no interior paulista.
Para o público do Vale do Paraíba, esse movimento também abre novas possibilidades de turismo de fim de semana, com destinos próximos que combinam gastronomia, natureza, cultura e experiências de produção artesanal.
O levantamento completo do CIET está disponível na plataforma de dados do turismo do Estado de São Paulo.
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