Rotas do Café, Queijo e Vinho movimentam turismo e negócios no interior de São Paulo

Levantamento aponta crescimento de visitantes, faturamento e investimentos em experiências gastronômicas e rurais no Vale do Paraíba e na Mantiqueira

Escrito por: Rubens Baracho5 min de leitura
Queijaria BelaFazenda integra as Rotas do Queijo | FOTO: Divulgação
Queijaria BelaFazenda integra as Rotas do Queijo | FOTO: Divulgação

As Rotas do Café, do Queijo e do Vinho vêm ganhando espaço no turismo paulista e impulsionando a economia de diferentes regiões do estado. Um levantamento do Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), ligado à Secretaria de Turismo e Viagens de São Paulo (Setur-SP), mostra aumento no fluxo de visitantes, faturamento e investimentos entre os empreendimentos participantes.

Os dados fazem parte da primeira edição da Sondagem de Desempenho e Perfil das Rotas Gastronômicas do Estado de São Paulo, publicada no primeiro trimestre de 2026.

De acordo com a pesquisa, cerca de 50% dos empreendimentos realizaram melhorias na infraestrutura, ampliaram áreas de atendimento ou criaram novas atrações para os visitantes.

Além do impacto econômico, as iniciativas fortalecem o chamado turismo de experiência, que combina gastronomia, produção artesanal, cultura e contato com as características de cada região.

Rotas do Café registram maior crescimento

Entre as três iniciativas analisadas, as Rotas do Café apresentaram os indicadores mais expressivos.

Segundo o levantamento:

  • 80% dos empreendimentos registraram impactos positivos após a entrada na rota;
  • O número médio de visitantes cresceu 37,25% em 2025;
  • Os estabelecimentos receberam, em média, 20,5 visitantes por dia nos períodos de maior movimento;
  • O faturamento aumentou, em média, 35,75%;
  • O gasto médio por turista chegou a R$ 199,29 por dia nos meses de maior movimento.

O público também apresenta uma composição diversificada. Turistas de outras cidades paulistas representam 29%, enquanto visitantes de outros estados correspondem a 26%. A capital paulista responde por 21% e os estrangeiros representam 24%.

Rotas do Queijo ampliam número de visitantes

As propriedades produtoras de queijo artesanal também registraram resultados positivos.

A pesquisa aponta que 74% dos empreendimentos participantes perceberam impactos positivos com a integração à rota.

Entre os principais números estão:

  • Crescimento médio de 41,8% no fluxo de visitantes;
  • Alta média de 27,2% no faturamento;
  • Gasto médio de R$ 123,94 por turista por dia nos meses de maior movimento;
  • 41% dos visitantes vêm de outras cidades do Estado de São Paulo;
  • Turistas da capital representam 26%;
  • Visitantes de outros estados correspondem a 22%;
  • Turistas estrangeiros representam 11%.

Os meses com maior volume de visitação foram dezembro, julho, janeiro e junho.

Vale do Paraíba e Mantiqueira também entram no roteiro

O crescimento do turismo gastronômico também pode ser observado em destinos próximos ao Vale do Paraíba. São Bento do Sapucaí, Santo Antônio do Pinhal e Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, reúnem propriedades e empreendimentos ligados ao enoturismo, à gastronomia e à produção artesanal.

Em São Bento do Sapucaí, o visitante encontra experiências em vinícolas e propriedades rurais, além de produtos artesanais. Santo Antônio do Pinhal também integra a Rota do Vinho, enquanto Campos do Jordão combina a produção de vinhos com sua tradicional vocação para o turismo gastronômico.

Na região, Pindamonhangaba e Cunha também aparecem em iniciativas relacionadas à produção de queijos artesanais. A combinação entre paisagens rurais, gastronomia e produção local amplia as possibilidades de turismo de experiência para quem busca viagens de curta duração pelo interior paulista.

Rotas do Vinho fortalecem o enoturismo

As Rotas do Vinho também registraram crescimento e ajudaram a ampliar a visibilidade do enoturismo paulista.

Entre as vinícolas participantes:

  • 57% relataram impactos positivos da participação na rota;
  • O número médio de visitantes cresceu 15,9%;
  • O faturamento aumentou, em média, 12,4%;
  • O gasto médio chegou a R$ 185,80 por pessoa por dia nos meses de maior movimento;
  • Cerca de 184 turistas por dia visitaram os estabelecimentos nos períodos de maior fluxo.

Os meses com maior visitação foram julho, junho, agosto e maio.

O público das Rotas do Vinho é formado principalmente por turistas de outras cidades paulistas, que representam 30%. Na sequência aparecem visitantes da capital (29%), de outros estados (24%) e do exterior (17%).

Além da Mantiqueira, destinos como São Roque, Jundiaí, Vinhedo, Itatiba, Louveira e Valinhos também se destacam pela oferta de experiências ligadas ao vinho e ao turismo rural. Já Espírito Santo do Pinhal reúne duas importantes vocações: o cultivo de cafés especiais e a produção de vinhos.

O aumento da procura tem estimulado investimentos em degustações, eventos, experiências turísticas e melhorias na estrutura das vinícolas.

Turismo gastronômico ganha força em São Paulo

Os resultados mostram que as rotas gastronômicas vão além da comercialização de produtos. A proposta de aproximar o turista da produção, da história e da identidade de cada região tem ajudado a criar novas experiências e aumentar o tempo de permanência dos visitantes.

Com o crescimento da procura, propriedades rurais, produtores artesanais, cafeterias e vinícolas passam a investir cada vez mais em estruturas voltadas à recepção dos turistas, criando novas oportunidades de negócios e geração de renda no interior paulista.

Para o público do Vale do Paraíba, esse movimento também abre novas possibilidades de turismo de fim de semana, com destinos próximos que combinam gastronomia, natureza, cultura e experiências de produção artesanal.

O levantamento completo do CIET está disponível na plataforma de dados do turismo do Estado de São Paulo.