Jovem morta em acidente na SP-50 é enterrada; Monteiro Lobato chora a perda
Flávia Barreto tinha 18 anos e morreu a caminho da faculdade





























Uma pequena cidade que amanheceu de luto. Monteiro Lobato, com pouco mais de 4 mil habitantes, chora a morte de uma de suas cidadãs. Flávia Barreto, 18 anos, morreu na noite desta terça-feira (14) durante um acidente envolvendo dois ônibus na rodovia SP-50, que liga São José dos Campos a Monteiro Lobato.
A única vítima fatal da tragédia foi enterrada por volta das 16h no cemitério municipal de Monteiro Lobato. Flávia teve seu sonho interrompido quando ia para a Univap (Universidade do Vale do Paraíba), onde cursava o 1º ano do curso de Comunicação Social / Rádio e TV.
Durante o velório, realizado na Igreja Matriz da cidade, centenas de familiares, amigos e moradores de Monteiro Lobato passaram para deixar suas condolências.
“Ficamos sabendo logo após o acidente. A irmã da Flávia também é professora e estávamos na escola quando recebemos a notícia. O namorado de uma das vítimas, que é filho da diretora da escola, nos avisou. Como a cidade é muito pequena, todos se conhecem e estão todos muito tristes”, relata a professora Angélica de Souza, amiga da família.
“Fiquei sabendo ontem mesmo e até agora não dormi. Éramos muito amigos. Fazíamos hapkidô juntos. Ela fez por 6 anos e eu fiz durante três. Só saí quando ela deixou de fazer. Ela era uma pessoa muito boa, muito educada”, diz Carlos Miguel dos Santos, amigo de Flávia.
Algumas das pessoas que estavam no acidente também prestaram uma última homenagem à amiga, com quem dividiam diariamente o mesmo veículo com destino a universidades da região. Abalados, se reservaram e não quiseram falar sobre a tragédia.
Também em choque, o irmão da vítima, o estudante de Odontologia Felipe Barreto afirma que a irmã passava por um dos melhores momentos de sua vida após optar pelo curso de Rádio e TV. A escolha pela faculdade, de acordo com ele, veio depois de um ano de indecisões sobre o futuro profissional.
“Ela amava o curso. Sempre dizia que acertou na escolha. Depois que terminou o Ensino Médio, Flávia ficou um ano pensando no que queria fazer na faculdade. Ela pensou em Artes Cênicas, até que decidiu por Rádio e TV. Os últimos meses foram os mais felizes para ela”.
O irmão, que vai a Monteiro Lobato apenas aos finais de semana, estava em São José dos Campos quando recebeu a notícia de que a irmã estava no hospital. Quando chegou à cidade, Felipe foi informado da morte da irmã.
Além de Felipe, Flávia deixa outros quatro irmãos. Destes, dois estavam no ônibus junto com ela no momento do acidente. Um deles está internado no Hospital Municipal de São José dos Campos; o outro passou pelo hospital, mas já foi liberado.
Acidente
A colisão aconteceu por volta das 17h40 desta terça-feira (14), em um trecho da SP-50 que fica no bairro Vila Paiva, na região norte de São José. O ônibus do transporte coletivo, que fazia a linha que liga o centro ao Buquirinha 2, ia sentido bairro quando um outro ônibus, que trazia estudantes de Monteiro Lobato, acabou por perder o controle, invadir a pista contrária e colidir de frente com o coletivo em uma curva.
Ainda não se sabe exatamente o que aconteceu, mas no momento do acidente, chovia e a pista estava escorregadia, o que pode ter prejudicado a direção dos veículos. A perícia da Polícia Civil deve concluir um laudo técnico com mais detalhes sobre a colisão.
Resgate
Ao todo, 121 pessoas estavam dentro dos dois ônibus na hora do acidente. O que demandou uma grande equipe para atendimento e resgate. Das 27 pessoas que estavam hospitalizadas na manhã desta quarta-feira (15), 17 ainda permanecem internadas, sendo três em estado grave, na UTI do Hospital Municipal.
A rodovia ficou totalmente interditada, das 18h às 22h30, para o trabalho dos bombeiros e paramédicos. Foi utilizada toda a frota do SAMU em São José, num total de sete ambulâncias de suporte básico e duas de suporte avançado. De acordo com a Secretaria de Saúde, cerca de 30 profissionais foram mobilizados no salvamento das vítimas, que começaram a ser atendidas ainda na rodovia.
Nos hospitais, o atendimento das vítimas foi realizado por 8 ortopedistas, 10 cirurgiões, 3 neurocirurgiões, 10 clínicos e 4 intensivistas.
(* colaboraram Elaine Rodrigues, Fábio Figueira, João Pedro Teles, Marcus Alvarenga, Moisés Rosa e Rodrigo Ribeiro)
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