Santuário Nacional de Aparecida celebra abertura da Campanha da Fraternidade sobre Políticas Públicas
Em Brasília, evento de lançamento faz criticas à nova Previdência e sucateamento do SUS


Santuário celebra missa de Cinzas e a abertura da Campanha da Fraternidade 2019
Divulgação/Thiago Leon
O Santuário Nacional de Aparecida celebrou nesta quarta-feira (6) a missa de Cinzas e a abertura da Campanha da Fraternidade 2019, que promove reflexão sobre o tema ‘Fraternidade e Políticas Públicas’, com o lema ‘Serás libertado pelo direito e pela justiça’.
Para dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida e presidente da celebração, todo cristão precisa refletir o tema proposto e conhecer o texto-base. “Precisamos conhecer, participar dos conselhos, das audiências públicas, das conferências, dos debates, dos fóruns. É preciso ocupar esses espaços onde a nossa voz, a voz do pequeno se manifesta e tem vez”, disse.
O arcebispo falou sobre o significado das políticas públicas, ressaltando que as leis devem ser do conhecimento de todos.
“Políticas públicas são leis estaduais, federais e municipais em favor do pobre, do doente, do idoso. Leis já conquistadas pela sociedade, já conquistadas por pessoas da Igreja, da política, leis que já existem e nós não as conhecemos. Todas as leis são para o bem comum; são também obras de misericórdia”, concluiu.
A missa de Cinzas marca o início da Quaresma,que para os cristãos significa tempo de preparação para a Páscoa que, neste ano, cai no dia 21 de abril. Em sua homilia, dom Orlando Brandes, ressaltou que “a Quaresma é o inicio do nosso êxodo, saindo do nosso pecado e das nossas escravidões”.

A procuradora-geral Raquel Dodge, o presidente da CNBB, cardeal Sérgio da Rocha, e o secretário-geral da entidade, dom Leonardo Steiner durante lançamento da Campanha da Fraternidade 2019 nesta quarta-feira em Brasília (DF)
Foto:Marcelo Camargo Agência Brasil
Lançamento Nacional
Apesar da tentativa de bispos de desvincular a Campanha da Fraternidade, da Igreja Católica, de “guias ideológicos e partidários”, o lançamento nacional do programa deste ano não ficou livre de críticas à reforma da Previdência e situação do Sistema Único de Saúde (SUS).
Presente à mesa do lançamento, Geniberto Paiva Campos, médico cardiologista e instituidor do observatório de saúde do Distrito Federal, questionou a reforma da Previdência, principal bandeira atual do governo de Jair Bolsonaro. “Será que a reforma da Previdência, que já vem discutida desde o governo anterior, ela não seria um retorno ao século 19? (Vamos) Tirar esses direitos?”, questionou.
Já a representante do Conselho Nacional de Saúde Vânia Lúcia Ferreira Leite, também presente à mesa, fez uma crítica ao sucateamento do Sistema Único de Saúde (SUS). Ela citou a Emenda Constitucional 95, que instituiu o teto de gastos, como exemplo de mudanças que podem comprometer o financiamento do sistema. A mesma emenda também foi criticada por Gilberto Vieira dos Santos, secretário-adjunto do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que citou a necessidade de políticas públicas para os povos indígenas.
O cardeal Sergio da Rocha, arcebispo de Brasília e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), disse que não há um posicionamento oficial da confederação sobre a reforma da Previdência. “Mas vale aquilo que nós já temos afirmado anteriormente, isto é, que não se penalize aqueles que já são mais sofridos na própria sociedade, que não haja perda de direito dos trabalhadores”, afirmou o bispo.
“Nesse momento, na elaboração de uma proposta é necessário considerar esses trabalhadores. O povo mais pobre e sofrido que necessita ser assistido e não sacrificado ainda mais”, disse.
“A Igreja já se manifestou em governos anteriores a respeito disso e a nossa missão profética continua viva, ou seja, nesse momento nós continuamos também a alertar para que ao pensar a vida política do País se assegure os direitos fundamentais da população”, reforçou.
Armas
Ao responder sobre as atuais políticas públicas do governo Bolsonaro sobre posse de armas, dom Sérgio disse que a igreja já ressaltou em outras ocasiões que “a construção da paz seja feita por meio da justiça social”. Em relação aos indígenas, ele disse que continuam a defender o respeito à vida, terra e cultura dos povos indígenas.
“Não é porque temos situações novas que vamos deixar de anunciar aquilo que tem sido critério orientador da conferência episcopal”, afirmou.
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