São José inclui nova doença no Teste do Pezinho e amplia proteção a recém-nascidos

Rede de saúde de São José dos Campos amplia exames de triagem neonatal

Escrito por: Maria Júlia da Silva Binotto3 min de leitura
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Neste sábado, 6 de junho, data em que se celebra o Dia Nacional do Teste do Pezinho, São José dos Campos dá um passo importante na saúde pública infantojuvenil. A rede municipal de saúde anunciou a ampliação do exame de triagem neonatal, que agora passa a identificar sete patologias em vez de seis, incluindo o rastreamento inédito para a Toxoplasmose Congênita.

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O procedimento, que é simples, rápido e considerado indispensável para o diagnóstico precoce de disfunções silenciosas, é assegurado a 100% das crianças nascidas na Maternidade do Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence. O período preferencial recomendado pelos especialistas para a coleta das gotas de sangue vai do segundo ao quinto dia de vida do bebê. Essa agilidade é crucial para detectar anomalias genéticas, metabólicas e infecciosas antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas clínicos, evitando sequelas irreversíveis ou danos graves ao desenvolvimento.

Com um fluxo médio que gira em torno de 450 nascimentos mensais, a unidade conta com um plano de contingência liderado pelo Programa Hospitalar Domiciliar (PHD) para evitar a evasão de pacientes sem a realização do exame. Nos casos em que a mãe e o recém-nascido recebem alta médica antes das primeiras 48 horas de vida — período anterior à janela ideal de coleta interna —, os profissionais do PHD realizam visitas técnicas diretamente nas residências das famílias para efetuar o procedimento. Em 2025, essa modalidade de atendimento domiciliar cobriu cerca de 17% do total de bebês nascidos no hospital.

A inclusão da sétima doença ao painel municipal atende aos critérios estabelecidos pela Lei Federal nº 14.154/2021, que determina a expansão gradual do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) em todo o país. Até então, o teste básico cobria seis patologias crônicas:

  • Fenilcetonúria;
  • Hipotireoidismo congênito;
  • Doença falciforme (e demais hemoglobinopatias);
  • Fibrose cística;
  • Hiperplasia adrenal congênita;
  • Deficiência de biotinidase.

A Dra. Flavia P. Prudente de Morais, médica coordenadora da UTI Neonatal do Hospital Municipal, ressaltou que a medida é um dos avanços preventivos mais significativos das últimas décadas para diminuir os índices de morbidade infantil, mitigando riscos de microcefalia, crises epilépticas, atraso neuropsicomotor e óbito. A especialista pondera, contudo, que o cenário nacional ampliado ainda impõe desafios estruturais em termos de logística de transporte, redes laboratoriais e acompanhamento médico contínuo.

O fluxo operacional da coleta consiste na retirada de seis gotas de sangue da região do calcanhar do recém-nascido, coletadas pela equipe de enfermagem em um papel-filtro específico. Após a secagem, as amostras passam por triagem e checagem de dados cadastrais conduzidas internamente pela colaboradora Fabiana dos Santos Porto, que organiza os lotes despachados em todas as terças e quintas-feiras rumo ao Instituto Jô Clemente, em São Paulo, polo laboratorial centralizador das análises no estado.

Os laudos médicos finais ficam prontos em um prazo estimado de 30 dias. As famílias saem da maternidade com um comprovante contendo um sistema de QR Code, permitindo o rastreamento digital direto do resultado pelo celular. Nas situações em que os exames laboratoriais apontam qualquer tipo de inconformidade ou alteração nas taxas, a criança é imediatamente integrada ao Projeto Casulo, ambulatório especializado da rede municipal de São José dos Campos responsável pelo tratamento das patologias.

Cabe destacar que o Hospital Municipal é um equipamento público da Prefeitura de São José dos Campos gerido sob modelo de parceria pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina).

Foto: Reprodução/PMSJC

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