Secretária de S. José critica ‘doações em massa’ para moradores de rua

Grupos tem saído pela cidade para entrega de comida e roupas de frio

Escrito por: Rodrigo Ribeiro4 min de leitura
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Estudo da prefeitura apontou 355 pessoas em situação de rua

Flavio Pereira/Meon

A Secretaria de Desenvolvimento Social de São José dos Campos não recomenda a entrega deliberada de comida, roupas de frio e outros itens para moradores de rua da cidade. Nos últimos dias, as temperaturas caíram drasticamente na região e motivaram a distribuição de alguns utensílios por diversas pessoas.

Na última terça-feira (14) a noite, por exemplo, era possível encontrar dois grupos distintos entregando mantimentos em um mesmo local. “A secretaria entende e incentiva a solidariedade, mas não na rua. Se queremos proteger esses moradores do frio, eles não podem ficar nas ruas”, afirma a secretária de Desenvolvimento Social, Valéria Gonelli.

“A larga oferta [por meio das entregas] que os moradores de rua recebem acaba sendo desleal com o trabalho de convencimento da secretaria que já é muito difícil. Acabam mantendo as pessoas no local porque eles recebem de tudo ali, não querendo ir para os abrigos”, completa Valéria.

De acordo com a secretária, nos abrigos os moradores de rua não têm acesso a bebidas alcoólicas e drogas, motivos que atingem grande parte destas pessoas. “Quem quiser doar agasalhos, por exemplo, pode usar nossos serviços. A recomendação é que procurem a secretaria primeiro. É importante termos voluntários, mas precisamos construir isso de forma organizada, é um trabalho constante e essas pessoas podem contribuir o ano todo”, afirma.

De acordo com Valéria, no último fim de semana o serviço de Abordagem Social da secretaria intensificou o atendimento à população em situação de rua. “Abordamos 68 pessoas e 25 aderiram ao abrigo. Ou seja, ainda ficamos com contingentes nas ruas. É difícil convencê-los, é uma conversa de convencimento e a larga oferta atrapalha isso e constrói a permanência dessas pessoas nas ruas”, diz.

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social, o reforço no serviço refletiu no aumento do número de pessoas em situação de rua encaminhadas aos abrigos. “Antes, a média era de cerca de 85 atendimentos diários, mas subiu para 115 pessoas. Nos abrigos, eles recebem alimentação, roupas e fazem sua higiene pessoal”, informa a pasta em nota.

“A abordagem foi intensificada também nos pontos mais críticos durante a madrugada, onde se localizam as pessoas em situação de rua que recusaram o encaminhamento para as unidades de acolhimento”, diz em outro trecho.

Ainda segundo a secretaria, no período mais crítico, que é a madrugada, cerca de 61 pessoas em situação de rua são abordadas, sendo que 80% dessa média aceitam atendimento e são encaminhadas para os abrigos e outras unidades de atendimento. “Aquelas que recusaram o encaminhamento para os serviços, são monitoradas pelos educadores sociais”, informa a pasta.

Abordagens
A secretaria informou que mantém a abordagem 24 horas por dia, com 20 agentes que trabalham com rádios de comunicação e se dividem em seis equipes que atuam em toda a cidade. A população pode acionar o serviço pelo telefone 153. “Muitos deles ainda pensam em conseguir um emprego, ainda têm sonhos”, comenta Valéria. De acordo com a secretaria, o Centro Pop (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua) atende em média 95 pessoas por dia e fica na rua Henrique Dias, 363, Monte Castelo.

Em São José dos Campos foram identificadas 355 pessoas em situação de rua.

Durante a madrugada, cerca de 61 pessoas moradores de rua são abordadas

Informações da Secretaria de Desenvolvimento Social.

Centro Pop

Segundo a secretaria, o Centro Pop é uma opção durante o dia para os moradores de rua de São José. No local são oferecidos “serviços de acesso à rede pública de saúde, educação, trabalho, além das oficinas e acompanhamento individual, visando a construção de projetos de vida”, informa a pasta.

Moradores de rua em São José
Uma pesquisa feita em novembro passado pela Prefeitura de São José identificou a presença de 355 pessoas em situação de rua na cidade. Os resultados foram divulgados em fevereiro deste ano e informaram, por exemplo, que a cidade possui 136 pontos de permanência de moradores de rua, a maioria na região central.

Outra ação realizada foi a desativação do espaço de convivência no Alto da Ponte, muito distante, e sua transferência para o prédio anexo à sede da Secretaria de Desenvolvimento Social, na Rua Henrique Dias, no Monte Castelo, mais próximo dos abrigos municipais e da grande concentração desta população na região central.

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