Sem canal “oficial”, pessoas recorrem às redes sociais para anunciar pets perdidos
Protetora dos animais informa sobre o que fazer ao perder ou encontrar animal na rua

Só quem ama bichos e já passou pela situação sabe a agonia que é perdê-los, seja por furto ou porque escaparam de casa. Na falta de um canal “oficial” e por município, muitas pessoas recorrem às ferramentas que consideram mais eficazes, principalmente às redes sociais, para divulgar que perderam seus pets ou que precisam encontrar o tutor de algum que foi visto na rua.
Basta uma pequena busca no Facebook, por exemplo, para encontrar dezenas de posts no mesmo bairro e período sobre algum cachorro ou gato perdido.
Divulgação
“A gente decidiu anunciar o desaparecimento nas redes sociais porque acho que é o mais prático, é o que mais vejo entre as pessoas que também perdem os bichinhos, vão divulgando em grupos da região, da zona sul (por exemplo). Então, deu bastante alcance, compartilharam e continuam compartilhando”, disse Bruna Toffolo, que perdeu o gatinho “Sereio” na sexta-feira (25).
“Eu não recebi nenhuma informação sobre ele ainda, o que eu espero conseguir com a publicação sobre o sumiço é alguma informação, que seja. Que, de repente, a pessoa tenha visto ele por aí, que a pessoa tenha pegado e entre em contato. Meu intuito é só esse, é saber como ele está, se está bem. Faz cinco anos que tenho ele, para mim, é uma perda muito grande, estou desesperada, tenho ansiedade, não estou conseguindo dormir direito, nem comer direito, então, qualquer ajuda é muito bem-vinda”, desabafou.

“Normalmente, as pessoas postam nas redes pessoais. Seria interessante se o próprio poder público tivesse um canal de divulgação em cada cidade. No momento, a gente vai postando nas páginas, citando o bairro onde o animal desapareceu e tentando encontrar o tutor o mais rápido possível”, disse Marilu Godoi, presidente do instituto que leva seu nome e que foca na proteção de animais.
Segundo Godoi, é difícil obter estatísticas sobre desaparecimento de animais, mas são muitos. “Alguns animais têm medo de fogos, então, quando é final de ano, a incidência de fuga de animal é muito grande, quando tem jogo também. Tem uma série de fatores que influenciam na fuga desses animais. O ideal é, se o animal tem medo de barulho, de trovão, de fogos, é mantê-lo em local seguro para que não tenha condições de fuga”, explicou.

O que fazer se o animal escapar
A criadora do Instituto Marilu Godoi tem algumas dicas para quando alguém perde o próprio bichinho de estimação ou encontra algum na rua.
“Quando um cachorro ou gato foge de casa, o ideal é espalhar cartazes pelo bairro, usar as redes sociais o mais rápido possível e sair à procura do animal. Com gatinho é mais difícil, porque pode entrar no bueiro, pode subir num telhado, numa árvore, entrar na mata. O ideal também é espalhar cartazes; sair, de preferência, à noite, chamando pelo gatinho e tomar todo cuidado para que ao animal não consiga escapar. Colocar coleirinha de identificação ajuda, com o nome do animal e telefone para contato — isso é fundamental”.

O que fazer ao encontrar um animal perdido
“Para a pessoa que encontrar um animal perdido, o primeiro passo é resgatar e colocar num lugar seguro, depois, ir para as redes sociais e anunciar sobre esse animal, porque ele pode ser do bairro, de um vizinho próximo. O ideal é ser muito rápido na divulgação sobre esse animal e deixa-lo num local seguro”, explicou a protetora.
Envenenamento
Embora seja crime, envenenar animais ainda é uma prática comum entre os brasileiros. “Envenenamento é uma situação muito complicada, porque não tem como evitar que os vizinhos os envenenem. Quando existe a pessoa má, cruel, ninguém segura. As pessoas precisam ter consciência de que envenenamento é crime, maus-tratos. O tutor pode colocar uma câmara de segurança na frente da casa, mas isso não impede que essa pessoa cruel cometa essa maldade de envenenar os animais”, afirmou Godoi.

Deve-se oferecer recompensa?
No momento de desespero e incerteza sobre o bichinho, algumas pessoas oferecem recompensa em dinheiro para quem encontrá-lo. Não há nada que desencoraje a prática, mas o tutor acaba por depender da honestidade de quem diz ter encontrado o animal. “Particularmente, acho muito complicado isso de oferecer recompensa, porque, se a pessoa perde o animal e outra pessoa encontra, nada mais justo do que devolver sem recompensa nenhuma, porque isso não é uma mercadoria”, opinou a presidente do instituto.
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