Sem verba, restauro da Igreja São José vai custar R$ 6,2 mi em Pinda
A obra de restauro da Igreja São José, na região central de Pindamonhangaba, está orçada em R$ 6,2 milhões, com prazo para conclusão em dois anos. A igreja, que completa nesta segunda-feira (8) 166 anos de existência, é considerada um Panteão Cívico Nacional porque alguns membros da Guarda de Honra de Dom Pedro 1º, quando foi declarar a Independência do Brasil, foram enterrados na igreja.


Igreja de São José segue interditada por risco de desmoronamento
Bruna Pires/Jornal Atos
A obra de restauro da Igreja São José, na região central de Pindamonhangaba, está orçada em R$ 6,2 milhões, com prazo para conclusão em dois anos. A igreja, que completa nesta segunda-feira (8) 166 anos de existência, é considerada um Panteão Cívico Nacional porque alguns membros da Guarda de Honra de Dom Pedro 1º, quando foi declarar a Independência do Brasil, foram enterrados na igreja.
O projeto de restauro foi apresentado em uma reunião pública no auditório da prefeitura realizada na última terça-feira (2). Representantes do Departamento de Patrimônio Histórico e da empresa contratada para a obra tiraram dúvidas da população, tanto sobre a restauração quanto sobre as condições
Karina Lacorte, diretora do departamento, diz a Igreja São José está com sérias avarias em sua estrutura e corre risco de desabar. Por isso, em 2013, o prédio e seu entorno foram interditados. “Em 2010, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico pediu que essa interdição fosse feita, mas foi realizada só em 2013. Então teve uma morosidade para acontecer a interdição. A interdição foi feita para proteger a igreja porque quando ficam passando os carros, abalam a estrutura da igreja que está muito sensível”, explica.
De acordo com a arquiteta Rosangela Martinelli, da empresa Paulicéia Arquitetura e Restauro, o projeto de restauro foi aprovado. “Com a aprovação, a gente consegue formatar um projeto para o Ministério da Cultura, visando os benefícios da Lei Rouanet, que autoriza as empresas culturais a fazerem uma captação de recurso”, conta a arquiteta.
“Tentamos fazer duas maneiras de captação de recursos, uma pelo FID (Fundo de Interesses Difusos) da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, e outro pelo Ministério da Cultura. Tivemos uma notícia que o Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) liberou o projeto para análise do MEC. Só está faltando agora uma reunião para eles dizerem que estamos aptos a captar recursos da iniciativa privada”, afirma Rosangela.
Sobre os problemas que culminaram no possível desabamento da igreja, a arquiteta diz que sua estrutura é toda feita em taipas de pilão e que alguma infiltração ou processo de reparo não adequado para sua estrutura contribuiu para que o piso cedesse e as rachaduras aparecessem por todo o prédio. “Algumas reformas e um possível vazamento de água afetaram toda sua estrutura. Ela não tem ferragem, concreto, pilar e nem viga, é inteira feita de barro”, diz.
Após a liberação da verba pelo FID ou captação pela Lei Rouanet, os primeiros trabalhos serão de escoramento e preservação do local. “Temos de executar todos os projetos, escoramentos e conversação da igreja e depois, com a segunda fase da obra, é a parte de restauro. Temos que pensar em sanar todos esses problemas para depois pensar na pintura”.
Sobre a igreja
A Igreja São José foi entregue em 1848 e substituiu a capela primitiva de 1680. Partes do altar são desta capela, datada do século 17. A igreja foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e é considerada um marco arquitetônico e histórico para o município por abrigar membros da Guarda de Honra.
“Essa igreja, além de ser um templo religioso, também é considerada um Panteão Cívico Nacional porque alguns membros da Guarda de Honra de Dom Pedro 1º, quando foi declarar a independência, foram enterrados nesta igreja. Ela tem uma parte de patrimônio histórico arquitetônico, a parte de templo religioso do século 17 e faz parte da história do Brasil. Hoje em dia está bem deteriorada, tem cupim, infiltração, rachaduras e por isso esse movimento de restauro da igreja”, conta a diretora Karina Lacorte.
A igreja pertence à Mitra Diocesana de Taubaté e, por ser propriedade particular, a Prefeitura de Pindamonhangaba não pode investir dinheiro público no restauro, mas, segundo Karina, está auxiliando de outras formas por meio do Departamento de Patrimônio Histórico.
“A Prefeitura pode realizar alguns escoramentos no interior da igreja, pois isso está fazendo uma rachadura na rua, e a rua é responsabilidade do município. Através do Departamento, ela pode fazer essa interlocução, como por exemplo, contratar o projeto de restauro, fazer reuniões, como a de hoje, de educação patrimonial, de juntar a sociedade civil para que esse restauro aconteça”.
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