Setor da construção civil teme déficit de imóveis e demissões em São José
Até 2018, cerca de 9.820 pessoas poderão perder o emprego na cidade


Até 2018, cerca de 9.820 pessoas poderão perder o emprego na cidade
Flavio Pereira/Meon
Até 2018, cerca de 9.820 trabalhadores do setor da construção civil poderão perder o emprego em São José dos Campos. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (25), durante uma reunião realizada pela Aconvap (Associação das Construtoras do Vale do Paraíba), para discutir a situação do mercado imobiliário na cidade.
Além das possíveis demissões, uma pesquisa elaborada pela entidade aponta para um déficit de imóveis na cidade. Para os empresários, a demora na definição da nova Lei de Zoneamento tem atrapalhado o setor.
“Estamos na expectativa de ter a nova lei desde o ano passado, o interesse das empresas locais do setor e dos moradores da cidade é muito grande para que ela seja definida”, disse Juliano Dantas, vice-presidente da Aconvap. Calcula-se que, até 2019, o déficit de imóveis para venda em São José estará em torno de 9.600 a 12 mil unidades.
De acordo com o levantamento, o estoque de unidades para comercialização em São José está extremamente baixo, com um total de 2.100 unidades em dezembro do ano passado. “O estoque para comercialização nunca esteve tão baixo em toda a história da entidade”, informou William Hsie, membro da Aconvap e responsável pela pesquisa.
Segundo Hsie, “no momento existem apenas 108 empreendimentos em fase de comercialização, entre imóveis comerciais e residenciais de 1 a 4 dormitórios, sendo 68 prontos e 40 em andamento”, disse.
Dos 40 projetos em construção, 19 deverão ser entregues em 2015, 15 em 2016, quatro em 2017 e dois em 2018. A partir daí, futuros empreendimentos na cidade dependerão da nova Lei de Zoneamento. Segundo o presidente da Aconvap, Francisco Roxo, os números da pesquisa não incluem projetos do Minha Casa Minha Vida.
Seguno a entidade, a urgência com que o setor espera a nova Lei de Zoneamento se justifica porque o tempo médio entre a prospecção de um empreendimento e a sua entrega ao comprador é de 7,5 a 8 anos.
“São quatro anos e meio da prospecção à aprovação do projeto na Prefeitura, mais seis meses de projeto executivo e lançamento, mais dois a dois anos e meio de construção e seis meses de pós-obra. Isto significa que, mesmo se tivermos uma lei menos restritiva hoje, os novos lançamentos só chegarão ao mercado a partir de 2019”, disse William Hsie.
De acordo com a Aconvap, como os atuais empregados estão sendo demitidos após a entrega das obras em andamento, calcula-se que até 2018 cerca de 9.820 pessoas poderão perder o emprego. “Como cada emprego direto no setor gera três indiretos, poderemos ter 29.460 desempregados no município caso os efeitos da nova lei não sejam rápidos”, completou Hsie.
Legislativo
Compareceram na reunião o presidente da Câmara, vereador Shakespeare Carvalho (PRB), e os membros da Comissão de Planejamento Urbano, Habitação e Obras, vereadores Valdir Alvarenga (SD), presidente; Walter Hayashi (PSB), relator; e o vereador Cyborg (PV).
Segundo Alvarenga, a prefeitura pretende dar início ao processo de consulta pública em meados de julho, o que poderá levar cerca de um mês para ser concluído. O parlamentar explicou que o prefeito Carlinhos Almeida (PT) vai definir “rito de urgência” para a apreciação do projeto. “Como a convocação para as audiências públicas leva 15 dias, creio que 30 dias sejam suficientes para a população se manifestar e, em 45 dias, o projeto ser votado”, disse.
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