Sistema ajuda cidades a economizar parte da água desperdiçada no Brasil

A falta de chuvas que desencadeou uma crise no setor de recursos hídricos foi a oportunidade que faltava para a Nexus, uma empresa que desenvolve software em São José dos Campos, popularizar o programa que criou para identificar vazamentos nas redes de abastecimento e ajudar as cidades a economizar, e muito, a tão preciosa água.

Escrito por: Elaine Rodrigues3 min de leitura
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José Maria Villac Pinheiro, proprietário da Nexus, no Parque Tecnológico

Flavio Pereira/Meon

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A falta de chuvas que desencadeou uma crise no setor de recursos hídricos foi a oportunidade que faltava para a Nexus, uma empresa que desenvolve software em São José dos Campos, popularizar o programa que criou para identificar vazamentos nas redes de abastecimento e ajudar as cidades a economizar, e muito, a tão preciosa água.

Basicamente, o que o sistema GeoSan faz é desenhar por onde passa cada cano, adutora e tubulação da rede de abastecimento de água e monitorá-los.

“Conseguimos medir a quantidade de água que passa por cada parte da cidade, se diminui ou aumenta a vazão, se algo está errado. Com precisão e rapidez encontramos o lugar e a empresa de saneamento pode resolver”, detalha José Maria Villac Pinheiro, proprietário da Nexus.

De acordo com o engenheiro, diversas cidades em São Paulo e em outros estados do país já usam o sistema da Nexus, entre elas, Valinhos (SP). Antes mesmo da crise que assola o Sistema Cantareira em São Paulo chegar, a prefeitura decretou estado de emergência e implantou um racionamento.

“Com o GeoSan eles se planejaram. O software permitiu que tivessem antes os cálculos e soubessem exatamente o tamanho do problema que teriam. Aos poucos a população se preparou para a falta de água, o que todo mundo viveu de susto meses depois”, conta.

A grande diferença do GeoSan, segundo Pinheiro, é que o software usa uma plataforma de informações do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial) com tecnologia aberta, colaborativa, acessível para qualquer região do país.

“Pretendo abrir meu sistema e disponibilizá-lo na internet para que outros desenvolvedores do país possam usar e implantar. Com isso, podemos reduzir e muito o desperdício de água. A Nexus ganha nome e presta suporte e treinamento”, conta.

Tecnologia
A Nexus foi fundada por um estudante de engenharia elétrica da USP de São Carlos. A empresa passou por São Paulo e está há três anos dentro do Centro Empresarial 1 do Parque Tecnológico em São José, onde veio buscar parcerias para desenvolver novas tecnologias.

“Escolhi vir para cá por causa do Inpe e por ser um lugar focado em tecnologia. Pesquisei muito, escolhi e batalhei um lugar no Parque já com o projeto de desenvolver sistemas para a área de saneamento básico. Agora, esta crise hídrica veio para mim em boa hora”, conta o empresário.

Até o final do ano, Pinheiro vai estar entre o grupo de especialistas que vão prestar consultoria ao Ministério das Cidades, em Brasília. O engenheiro foi convidado para participar da implantação do projeto Interáguas, que pretende reduzir as perdas nas redes de abastecimento, antes de chegar às torneiras, em todo o país.

“Por ano são perdidos R$ 10 bilhões nas tubulações abaixo da terra. Ao todo, de cada 100 litros de água, 42 são perdidos e isso pode mudar. Vamos trabalhar nisso”, conclui Pinheiro.

Nexus
Onde fica:
 Centro Empresarial 1 do Parque Tecnológico
O que faz: Sistemas de Informação Geográfica
Fundação: 1992
Funcionários: 1 pessoa 
Faturamento 2013: R$ 400 mil 
Faturamento 2014: R$ 1 milhão (previsão)

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