“Sou contra a parada no meio do ano”, diz vereador Willis Goulart
Para Willis, recesso parlamentar de julho deveria acontecer no fim do ano


Para vereador, recesso parlamentar de julho deveria acontecer no fim do ano
Divulgação/CMSJC
Willis Bento Goulart nasceu em 4 de outubro de 1968, em São José dos Campos e aos 9 meses de idade contraiu paralisia infantil. Entrou na escola já com quase 9 anos de idade, mas foi pré-alfabetizado pelos próprios irmãos em casa.
O joseense passou por 14 cirurgias das quais 11 foram realizadas em São José dos Campos e três em São Paulo. Quando estava na 4ª série do Ensino Fundamental, ganhou um violão e, como não tinha condições de pagar um professor particular, começou a vender sorvetes nos portões do Senai, que fica no Santana, região norte da cidade, e a engraxar sapatos de seus vizinhos para pagar seus estudos.
Em 1989, Willis entrou no Conservatório Musical Santa Cecília, onde se formou músico. Em 2000, o joseense decidiu entrar para a política e ficou como suplente por duas oportunidades, em 2004 e 2008 -neste último ano, se tornou pai de gêmeas.
Em 2012, Willis foi eleito vereador, tornando-se o segundo cadeirante a assumir a câmara municipal como parlamentar na história de São José dos Campos. No Política: Fala aí! de hoje você vai conhecer um pouco mais do vereador, que também é o 1º secretário da Mesa Diretora da Câmara e como Willis avalia seus dois anos e meio no Legislativo joseense.
Nesses dois anos e meio na Câmara, qual sua avaliação sobre o trabalho no Legislativo e quais as principais dificuldades para o vereador joseense?
O papel real do vereador que é criar lei e não fazer obras, muitas vezes as pessoas e os próprios vereadores confundem isso. As pessoas me procuram e pedem por obras, poda de árvore, etc, isso é comum e essa falta de entendimento é uma dificuldade. Nesse mandato, tive 29 projetos aprovados, então temos cumprido muito bem nosso papel. Também encontramos certa dificuldade na atuação desde quando me tornei oposição, quando assinei a CEI (Comissão Especial de Inquérito) do kit escolar, quando fui contra a taxa da lei de iluminação, contra a multa de R$ 1 mil no desperdício de água -não que eu seja contra a multa, mas R$ 1 mil é muito pra uma pessoa que não tem salário de R$ 1 mil reais. Também sou contra a parada no meio do ano (recesso legislativo de julho), seria justo mais para o final do ano, como todo trabalhador, temos que trabalhar todos os dias, como todos, e não terça e quinta [as sessão ordinárias em São José acontecem às terças e quintas-feiras].
Como o senhor avalia a acessibilidade para deficientes em São José?
Tem um vereador que foi para o Chile sobre mobilidade urbana para trazer modelos pra São José. Mas o Chile não é o local mais exato, temos Curitiba que é modelo para o mundo. Eu que ando de cadeira de rodas sei o quanto é complicado andar nas ruas, supermercados, lojas e comércio. Alguns estabelecimentos deixam mercadorias nas rampas de acessibilidade e impedem a passagem, são poucos que possuem banheiro adaptado.
E há políticas públicas voltadas para os deficientes físicos na cidade?
Ainda é precário, mas não só para deficiente físico, mas deficiente de uma forma geral, cadeirante é o que tem menos impacto entre os deficientes, algumas pessoas dependem de outras pessoas, como por exemplo, o deficiente visual. Por isso, criamos pelo menos seis projetos voltados para os deficientes, como a cota e vagas para deficientes em concursos públicos da Câmara, o que não tinha antes, e a doação de cadeira de rodas para quem tem poliomielite, entre outros. Mas ainda falta muito.
Recentemente, a discussão durante a votação das PPPs (Parcerias Público-Privadas) repercutiu na cidade. Como o senhor avalia tudo o quê aconteceu? Foi uma situação prejudicial para a imagem da Câmara e dos vereadores?
A Câmara é dividida em dois grupos, de 10 e 11 vereadores. Quando o grupo da situação percebeu que a votação seria pelo voto qualificado, o que determina uma votação a favor de pelo menos dois terços do total de vereadores -sendo necessário 14 votos favoráveis ao projeto- tiveram certo desequilibro. Me afastei [no momento da discussão] e aconteceu que o vereador passou pot trás da minha cadeira e do presidente, puxou o microfone dele, que se desequilibrou e caiu. Em seguida, teve assessor pulando em cima da mesa, enfim, foi uma situação complicada. Isso não é interessante pra cidade e só prejudica o andamento das coisas.
Posts Relacionados

Chuva mata oito bovinos, alaga casa e provoca deslizamento em rodovia no Vale do Paraíba

EDP investe R$ 4,5 milhões para ampliar capacidade energética de Lorena em 15%

Defesa Civil emite alerta severo para chuva forte em São José dos Campos e Jacareí
