Sucen inicia pesquisa sobre resistência do Aedes aegypti em São José

Coordenadora do CCZ de São José afirma que mosquito está se adaptando

Escrito por: Rodrigo Ribeiro4 min de leitura
fundo_placeholder-023136

aedes_aegypt_1

A Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), da Secretaria de Estado da Saúde, iniciou nesta semana em São José dos Campos uma pesquisa chamada de Ovitrampa, com o objetivo de testar a resistência do Aedes aegypti aos inseticidas que atualmente estão em uso para o combate ao mosquito.

A pesquisa consiste na instalação de 200 armadilhas, distribuídas em todas as regiões a cidade. A ovitrampa é composta por um pote preto fosco sem tampa, onde é colocado uma calda de feno e uma palheta de madeira compensada que é presa verticalmente por um clipe, no interior da armadilha.

Segundo a pesquisadora da Sucen e co-coordenadora da pesquisa, Gisela Monteiro Marques, é comprovado cientificamente que essa calda tem grande poder de atratividade das fêmeas, que procuram um local seguro para botar seus ovos. “Há indícios de que o cheiro dessa solução sinaliza para a fêmea que aquele é um local seguro. Então, ela é atraída para a armadilha e coloca lá os seus ovos”, disse.

Para o sucesso da pesquisa, os ovos precisam ser recolhidos antes de eclodirem. Por isso, as armadilhas são monitoradas, às segundas e sextas-feiras. “Em toda segunda-feira e sexta-feira temos de passar nessas armadilhas e recolher a palheta e enviar à Sucen”, disse a coordenadora do CCZ (Centro de Controle de Zoonozes), Margarete Correia.

20151111_armadilha dengue_sucen_são josé dos campos_(Divulgação/PMSJC)

Armadilha usada na pesquisa da Sucen em São José dos Campos

Divulgação PMSJC

As palhetas enviadas à Sucen serão analisadas em laboratório e, para viabilizar os estudos, é necessário recolher de 12 mil a 15 mil ovos e formar uma colônia. O trabalho de campo termina quando se atingir esse número de ovos recolhidos, o que deve acontecer por volta do dia 18 de dezembro, segundo a Sucen.

As primeiras cem armadilhas começaram a ser distribuídas nesta terça-feira (10), na região sul de São José. Nesta quarta-feira (11), serão instaladas as outras armadilhas nas regiões norte, centro, oeste e leste de São José.

“Os resultados dessa pesquisa serão muito importantes e podem nortear nossas ações de combate ao mosquito da Dengue em toda a região do Vale do Paraíba e Litoral Norte”, disse Gisela Monteiro Marques.

“Num ano em que trabalhamos duro e investimos pesado na prevenção da dengue, mesmo assim tivemos uma epidemia. Talvez, a resposta esteja na resistência ou mutação do mosquito e tenhamos de alterar nossa forma de ação para os próximos anos. Por isso, os resultados desse levantamento feito pela Sucen é tão importante”, disse o secretário de Saúde, Paulo Roitberg.

Possível mutação e resistência do mosquisto
Segundo Margarete Correia, apesar de se tratar basicamente de uma pesquisa para analisar a resistência do mosquito ao produto utilizado no combate, a Sucen terá um amplo material para realizar várias outras pesquisas. Entre elas, as possibilidades de mutação do Aedes aegypti .

“Essa questão de mutação está em estudo. Também está em estudo, por exemplo, a possibilidade de transmissão vertical, ou seja, quando o ovo já nasce com o vírus. Com essa pesquisa, será analisado todo o ciclo de vida do mosquito e a Sucen terá um amplo material para todas as formas de pesquisa”, diz.

Apesar de ainda não ser possível confirmar uma mutação do mosquito, a coordenadora do CCZ de São José afirma que o Aedes aegypti  tem se adaptado. “Temos encontrado larvas onde antes diziam que não haveria possibilidade de existir, como por exemplo, em água com tinta. O mosquito está se adaptando ao meio, pode virar noturno, e não só diurno, como falam, etc”, conta.

Margarete inclusive relaciona essa adaptação do mosquito aos casos da doença registrados no período mais frio do ano, após o início de junho, quando, na teoria, os casos diminuem. “As ocorrências da doença no inverno também apontam para uma adaptação do mosquito à temperatura. Ou seja, está se tornando uma questão sustentável”, conclui.

Dengue em São José
O último levantamento feito pela Secretaria de Saúde de São José, realizado no dia 20 de outubro, registra 14.303 casos de dengue na cidade neste ano, sendo 13.814 autóctones e 489 importados. Em 2015, seis pessoas morreram na cidade vítimas da doença.

Publicado em: