Músico taubateano embarca em projeto sonoro imerso no LSD
Julito Cavalcante convida para um ‘rolê’ lisérgico-autoral em “Bike”


“Bike” é é repleto de referências ao alucinógeno inventado por Albert Hoffman
Cássio Crisco/Divulgação
O músico Julito Cavalcante, de Taubaté, abre o invólucro de alumínio e convida para dissolver, sob a língua, suas aventuras lisérgicas em “Bike”, seu primeiro trabalho autoral – e declaradamente movido a LSD.
Com previsão de lançamento para a primeira quinzena de julho, o disco 1943 já traz, no título, a referência ao ano em que o alucinógeno foi concebido pelo químico Albert Hoffman. E se a dose completa de psicodelia ainda leva tempo para sair, um quartinho do que vem por aí já está disponível no sondclound.
A música “Enigma do Dente Falso” apresenta atmosfera onírica, com vocais distantes, reticências sonoras e aquela sensação de cabeça voando que, bem, talvez você já saiba como é. O trabalho leva a anuência de Rob Plant, produtor do Tame Impala e de outros representantes do novo rock psicodélico.
“Eu tinha visto o nome dele nos encartes de algumas bandas que eu tenho ouvido bastante e resolvi tentar. Mandei a música e o cara gostou. A partir daí ele foi super solícito, me deu algumas dicas na mixagem e até ofereceu um preço mais barato ainda do que se eu fizesse a masterização no Brasil”, explica.
Cada faixa uma história diferente de chapação. As músicas são todas inspiradas em incursões pessoais ao universo alucinógeno.
“’Filha do Sol’, por exemplo, remete a uma viagem que tive com um amigo meu. Sem se ligar que era ele mesmo que fazia eco às suas palavras, repetia a palavra sol sem parar. Ele queria provar sua teoria de que tudo no mundo reverbera”, ri Julito.
Apesar da graça, os rolês do músico pelos caminhos do ácido ultrapassam a fronteira da euforia para alcançar um estado de supersensibilidade e autoconhecimento. E é sobre esse prisma, afirma, que o trabalho se debruça. Depois de dez anos como baixista do The Vain e tocando atualmente com o Macaco Bong, Julito viu que era hora de fazer um trabalho do seu jeito.
“Foi uma necessidade de fazer uma viagem mais pessoal mesmo. Não tem aquela coisa de banda, que vence a maioria. Escrevi todas as músicas, peguei a guitarra, fiz todas as letras. É um ritmo próprio. E escolhi me inspirar nas viagens de ácido porque é quando tenho um contato mais profundo comigo mesmo”, diz.
O taubateano apresenta seu novo trabalho na noite desta sexta-feira (22), no Hocus Pocus, em São José dos Campos. Na casa, Julito toca em dose dupla: primeiro com o Bike, e, depois, com o Macaco Bong. O evento está marcado para as 22h.
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