Teatro da Rua Eliza: a independência da arte em São José dos Campos
Peças de Teatro do Absurdo, de Samuel Beckett, de Edgar Allan Poe e grupos de pesquisa sobre o teatro de Nelson Rodrigues. São poucos os espaços de teatro tão alternativos quanto o Teatro da Rua Eliza, de São José dos Campos.


Um dos exercícios de expressividade dos cursos ministrados pelo teatro
Divulgação/Larissa Lucc
Peças inspiradas em Teatro do Absurdo, Samuel Beckett e Edgar Allan Poe. São poucos os espaços de teatro que oferecem programação tão alternativa quanto o Teatro da Rua Eliza, em São José dos Campos.
“A gente prefere uma coisa menos comercial, mas por questão de gosto mesmo. Nada contra as peças comerciais, já vi boas e ruins, mas são muito caras, nós queremos ser alternativos, sim”, afirma Natália Bastos, um dos dez nomes que fundaram o teatro.
Fundado em agosto de 2012 por membros dos grupos joseenses Cia. de Trailer e Laboratório Teatro Químico, o espaço foi criado com o objetivo de não depender do poder público para realizar apresentações ou fazer ensaios.
“O aluguel do Teatro Municipal [de São José] é muito alto e não dá para depender da agenda da Fundação [Cultural Cassiano Ricardo) para ensaiar”, conta Natália. “A gente queria um teatro pra entrar e sair a hora que a gente quisesse”.
Embora aconteçam espetáculos de sexta-feira a domingo “custando até R$ 20, a inteira, e R$ 10, a meia”, como diz Natália, a arrecadação das peças não é significativa para pagar as despesas do local que tem 50 lugares.
Os cursos de teatro são a principal fonte de renda do Teatro da Rua Eliza. 49 alunos se dividem em cursos às terças-feiras e aos sábados para aprender sobre improvisação, comicidade, poética, entre outros. São os próprios administradores do teatro quem dão os cursos que custam R$ 100 por mês.
Estrutura
“A gente pintou tudo, tivemos que assistir tutorial no Youtube para aprender a passar massa corrida”, lembra Natália, dos tempos de pré-inauguração do teatro. A reforma e a estruturação do espaço custaram R$ 70 mil aos bolsos dos proprietários, que não quitaram a dívida até hoje e ainda pagam aluguel.
Mesmo não recebendo incentivo público, o grupo pensa numa possível ampliação e nova reforma do teatro com o fomento do Proac (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo).
“Nossa cadeira não é uma superpoltrona e a gente não tem camarim, tem que se trocar na recepção, mas é o nosso teatro”, diz Natália. A atriz avisa que nesta sexta-feira e sábado, às 21h, tem peça baseada em conto de Allan Poe e no domingo, às 19h, acontece uma exibição de documentário sobre o teatro Benedito Alves, também de São José. Depois o teatro realiza um debate com vinho a R$ 5 a taça (R$ 3 a reposição), ao som de LP’s tocados na vitrola do teatro.
TEATRO DA RUA ELIZA
Quando: às sextas e sábados, às 21h, e aos domingos, às 19h
Onde: rua Eliza Costa Santos, 154, Jd. São Dimas, São José dos Campos
Quanto: até R$ 20
Mais informações: fanpage do Teatro da Rua Eliza
Posts Relacionados

Europa concentra maior número de casos de violência contra brasileiras no exterior

Discurso de Lula na Avibras, em Jacareí, provoca crise diplomática com o Paraguai

Novo tarifaço de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor
