Teatro D’Aldeia mergulha no universo do melodrama em ‘Perdóname’
Peça estreia neste fim de semana em São José Divulgação O melodrama das radionovelas, que imperavam durante a era de ouro do rádio, é o ponto de partida de ‘Perdóname’, nova produção do Teatro D’Aldeia, grupo de São José dos Campos. O fim de semana de estreia da peça conta com duas apresentações: uma no […]


Peça estreia neste fim de semana em São José
Divulgação
O melodrama das radionovelas, que imperavam durante a era de ouro do rádio, é o ponto de partida de ‘Perdóname’, nova produção do Teatro D’Aldeia, grupo de São José dos Campos. O fim de semana de estreia da peça conta com duas apresentações: uma no sábado (5) e outra no domingo (6), ambas às 20h, no Teatro D’Aldeia, que fica na Avenida Lisboa, 85, no Jardim Augusta.
A peça, que conta com a direção de Ana Luisa Cardoso, é baseada em obra do dramaturgo português Alfredo VIviani. Narrada em forma de radionovela em sua primeira parte, a adaptação do Teatro D’Aldeia convida a plateia a entrar no coração de um estúdio aos moldes daqueles onde os atores de rádio soltavam a voz e alimentavam a imaginação dos ouvintes.
À medida que a peça vai acontecendo, a história, que, de início, os espectadores acompanham apenas pela rádio, descortina-se em enredo com personagens vivendo as situações narradas antes apenas pelos atores de rádio.
“Trata-se de um texto clássico do melodrama, gênero que hoje ganha as telenovelas e do qual, particularmente, somos muito afeitos. Todos os elementos estão presentes: os desencontros amorosos, um vilão que quer separar o casal, a jornada do protagonista que passa por diferentes provas até conseguir ter seu valor reconhecido, entre outras características”, comenta Vander Palma, do Teatro D’Aldeia.
CORAÇÃO
Para a diretora da peça, Ana Luisa Cardoso, a experiência de trabalhar com o Teatro D’Aldeia é a realização de um trabalho de pesquisa que vem sendo desenvolvido há muito tempo nos circo-teatros, assistindo filmes dos anos 1940 e 1950, gravações antigas de rádio e, principalmente, conversando com os atores circenses que fizeram melodrama.
“É uma vontade enorme de fazer, mesmo sem contar com apoio. Quem está apoiando este projeto é o nosso coração. E como é nosso coração que está apoiando, a gente nunca deixaria de passar sem falar de amor. E o melodrama fala do amor que ultrapassa qualquer senão”, explica a diretora.
De acordo com Ana Luisa, trata-se de uma experiência única de direção e de atuação. Ela explica que a adaptação foi realizada da maneira mais fiel possível para não descaracterizar o texto.
“Eu adoro dirigir ator e, neste caso, o gesto, o tom de voz são ‘cronometrados’ (risos). O gesto leva à voz, a voz ao sentimento. Não é preciso só sentir, mas demonstrar esse sentimento. É uma experiência incrível, é um grupo pelo qual eu tenho muito carinho. Parece que nesse espetáculo eu sou desse grupo. Nos esmeramos em cada personagem para honrar cada sentimento, cada emoção. Nós estamos fazendo um trabalho super bacana”, completa.
RÁDIO
A ambientação em um estúdio de rádio, que domina a primeira parte da peça é uma escolha sintomática. Se atualmente é na televisão que o melodrama encontrou seu habitat, no princípio, eram as ondas do rádio que levavam as histórias às casas dos espectadores.
“O melodrama começa nas rádios antes de ser encenado, primeiro nos circos, e, depois, na televisão. A peça faz essa alusão aos primórdios das novelas, que levavam multidões a colar o ouvido no aparelho de rádio para saber o que aconteceria com seus personagens preferidos”, explica Palma.
Além do rádio, a linguagem circense também estará presente na peça. E não se trata apenas dos conhecidos malabares e acrobacias. A peça homenageia o circo, local onde os melodramas passaram a ser encenados antes da televisão, ao compor um ambiente circense, com direito a intervalos na peça para a distribuição de pipoca, inclusive.
“É aquela dinâmica do circo. A gente chora com a peça, depois se entretém e se diverte nos intervalos, come uma pipoca para, depois, voltar a se emocionar de novo. Queremos transpor essa energia para o teatro e, por isso, transformaremos o Teatro D’Aldeia em um verdadeiro picadeiro”, afirma Palma.
PESQUISA
Para chegar ao roteiro da adaptação, o grupo valeu-se de uma minuciosa pesquisa pelos caminhos do melodrama. Para isso, a trupe também contou com a ajuda de Ana Luisa Cardoso como pesquisadora, que orientou os caminhos do roteiro, emoldurando-o como uma fiel homenagem ao gênero.
“A ideia de fazer essa peça, na verdade, surgiu em um curso da Ana Luisa, do qual participamos há cerca de dez anos. A gente se apaixonou pela linguagem, mas acabamos atribulados com outros projetos. Foi quando procuramos novamente a Ana para que tirássemos essa ideia do papel. Lemos vários textos clássicos do gênero até chegar neste que encenamos”, explica.
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