“Tenho um bom time, é o que me transmite tranquilidade”, diz Anderson Farias (PSD), prefeito de São José dos Campos em entrevista
Completando dois meses de gestão, o prefeito de São José fala sobre as expectativas para esse ano e sobre sua vida além da prefeitura

Com quase dois meses à frente da prefeitura da maior cidade do Vale do Paraíba, o novo prefeito de São José dos Campos abre o jogo em relação à sua trajetória, aos desafios a serem enfrentados e à sua vida familiar diante dessa sua nova fase como homem público. Anderson Farias (PSD) assumiu a prefeitura joseense no dia 1º de abril, em virtude da renúncia de Felício Ramuth (PSD) para disputar o governo de São Paulo.
Senhor Prefeito, conte um pouco sobre sua trajetória até aqui.
– Tenho 47 anos, sou casado há 27 anos e tenho três filhos. Sou formado em Gestão Pública, fui criado em Caraguatatuba e, em 1991, vim para São José dos Campos. Trabalhava em uma empresa privada, seguindo os passos do meu pai, como vendedor.
Tive o meu primeiro emprego aos 14 anos, como promotor de vendas, sendo responsável por organizar os produtos na prateleira de supermercado. Aos 18 anos, me tornei gerente da empresa. Em 1998, recebi um convite para trabalhar na administração pública, algo que era novo para mim. Aceitei o convite e vim trabalhar na prefeitura com o Emanuel Fernandes, onde tive a oportunidade de trabalhar na assessoria financeira e também como gestor de contratos e diretor da saúde.
Com o Eduardo Cury, participei do mandato como diretor de compras e licitações e depois como secretário de Administração e secretário de Transportes. Após isso, trabalhei na Câmara dos Deputados e tive uma boa experiência com Cury durante dois anos e com Fernandes por mais um ano e meio, ambos como deputados federais.
Em 2016, Felício (Ramuth) ganhou a eleição como prefeito e, me convidou para ser secretário de Governança. Em 2020, aceitei o desafio de ser candidato a vice-prefeito. Foi a primeira vez que fui candidato. Ganhamos a eleição, e, até abril deste ano, eu acumulava as funções de vice-prefeito e secretário de Governança recebendo, logicamente, um salário. Tive essa trajetória dentro do Poder Público e, de acordo com a minha formação, costumo dizer que tive um “bom estágio na prática” trabalhando na prefeitura e podendo servir o cidadão joseense.
Em quase dois meses de sua gestão, é possível dizer quais são as expectativas para esse ano?
– São boas expectativas. Tenho um bom time, é o que me dá tranquilidade para continuar com o trabalho e com os compromissos firmados pelo Felício. É o mesmo grupo de pessoas, mantive todas elas e não pretendo mudar, mas são muitos desafios pela frente.
Nós temos um ano que, graças a Deus, em relação ao coronavírus, está bem mais tranquilo, estamos virando a página desse ciclo, mas com algumas missões pela frente como a retomada dos setores econômicos, do entretenimento, das reuniões presenciais, o aniversário da cidade, tudo isso com os devidos cuidados, já que não podemos dizer que a pandemia acabou.
Qual o seu maior desafio já enfrentado dentro da prefeitura?
– Já tive bons desafios participando das ações da prefeitura, nas quais eu pude colaborar. Um deles que posso destacar é do ano de 2008, quando fui diretor de Compras e Licitações e fui responsável por realizar a nova licitação do transporte público. Em 2009, fui secretário de Transportes, período de transição da última empresa que assumiu esse serviço. Digo que esse foi um grande desafio, já que havia muitos problemas, empresas muito antigas e sem contrato algum para a operação.
Como é o dia a dia de um prefeito?
– É um dia a dia de uma agenda bem corrida, de muita responsabilidade, mas de uma forma bem organizada. Começa cedo, às 6h30 e, com certeza, vai todos os dias até às 21 ou 22h. Tenho como missão representar a nossa cidade, estar sempre nos compromissos importantes dentro ou fora dela.
Sou o porta-voz da cidade, por isso, cabe a mim vender o que temos no sentido de oportunidades. Como prefeito, 24 horas por dia, sete dias por semana, estou sempre atento a tudo que acontece.
Como é o seu relacionamento com a população?
– Procuro ter um relacionamento muito próximo. Almoço todos os dias na rua, em um bairro e numa região diferente, conversando com as pessoas, deixo para almoçar com a família no domingo.
Durante o dia, sempre visito nossas obras ou unidades de serviço, sejam elas escolas, postos de saúde ou órgãos da prefeitura para verificar como está acontecendo o serviço. Gosto também de fazer reuniões nos bairros, conhecidas como “Olho no Olho”, que são momentos para conversar prestando contas e principalmente ouvir as demandas.
Como andam as principais obras da cidade?
– Hoje nós temos cinco importantes obras na educação, que são as novas escolas. Temos uma nova UBS (Unidade Básica de Saúde) localizada no Jardim da Granja, que inicia a construção em breve.
Além disso, temos obras importantes de mobilidade urbana, como a Linha Verde, uma grande obra, que agora já está em sua reta final, para que possamos, nos próximos meses, ter a operação do VLP (Veículo Leve sobre Pneus). É o primeiro corredor 100% sustentável do Brasil.
Também referente à mobilidade, foi feito o processo de licitação da duplicação da Av. João Rodolfo Castelli, na região do São Judas, e, nos próximos dias, será emitida a ordem de serviço. Na Av. Eng. Sebastião Gualberto, já fizemos a contratação e há uma empresa vencedora.
Neste momento, estamos no prazo da entrega do projeto executivo, que é mais do que uma obra de mobilidade, é uma obra de requalificação, que irá favorecer inclusive o Parque da Cidade.
Agora como chefe do Executivo, sua rotina fora da prefeitura mudou?
– Hoje como prefeito ela muda um pouco, a agenda fica mais cheia. Mas, consigo conciliar meus afazeres pessoais com os da prefeitura. Em casa, mantenho a tradição de ir ao mercado com a minha filha fazer a compra semanal. Nas manhãs de domingo, pratico pedalada com os amigos, faço trilha e almoço com a família.
Como lida com as críticas?
– Eu sei ouvir as críticas. O duro é quando você tem que escutar críticas de desconstruções, principalmente as de cunho pessoal. Infelizmente, ainda temos práticas de uma oposição do “quanto pior, melhor”. Algumas pessoas preferem vender que a cidade está péssima a fim de desconstruir a imagem para poder obter vantagens pessoais ou eleitorais.
O joseense possui uma régua de exigência muito elevada. Isso é bom e deve ser mantido. Não devemos nos comparar por baixo, sempre por cima. As críticas são sempre construtivas, e eu levo para esse lado. Quando, porventura, há uma crítica mais contundente, precisamos entender que esse problema é algo vivenciado pelo cidadão que está na ponta, algo que incomoda a pessoa diariamente e não nós, que às vezes não estamos tão próximos. Por isso, é interessante compreender as pessoas para tentarmos resolver os problemas da melhor maneira possível.
Como sua família se comporta diante dessa sua nova fase como homem público?
– Para eles, é tudo muito novo apesar de termos vivido esse filme anteriormente. Mas, lógico, hoje como prefeito, muda. Eles se comportam bem e estão sempre ao meu lado, isso é o mais importante. Tenho três filhos: um filho que estuda fora do país e duas filhas que moram comigo. Moro com minha filha de 24 anos, que está se formando em Direito, com a de 13 anos e com a minha esposa. Para mim, é importante tê-las ao meu lado e, inevitavelmente, elas acabam fazendo parte da minha rotina como gestor público.
Como vê a cidade em uma perspectiva futura distante?
– Vejo nossa cidade cumprindo um papel muito promissor. São José dos Campos já é por si só uma vanguarda de inovação. Isso não é pelo prefeito ou apenas pelo Poder Público. Cabe a mim fomentar a continuidade disso, mas depende da colaboração de todos. É uma construção em que a gente não faz nada sozinho. Precisamos do Executivo, do Legislativo, do Judiciário, da indústria, do comércio, dos serviços, enfim, de todos.
Vejo um futuro muito positivo para São José dos Campos com tudo o que tem para acontecer. Um ponto que julgo importante e que vai mudar a característica da nossa região, que possui um grau de importância a nível estadual e possivelmente até nacional, é o nosso aeroporto. Ele irá mudar totalmente de configuração. Foi feita uma concessão, uma empresa trabalhará para realizar esse desenvolvimento. Isso é importante para a geração de empregos e renda, para o desenvolvimento econômico da região do Vale do Paraíba e Litoral Norte. A cidade deve crescer de maneira ordenada gerando renda sem perder qualidade de vida. Essa é a nossa preocupação.
Com supervisão de Yeda Vasconcelos, jornalista do Meon Jovem.

1ª ano do Ensino Médio - Colégio Embraer Juarez Wanderley - São José dos Campos
