Ticiane Toledo: uma história de superação

Ticiane Toledo sofreu uma grave fratura enquanto praticava um esporte e, assim como muitas pessoas, imaginou que não tivesse sido grave. Mas era. Acompanhe a história da moça que, do joelho dolorido e da dificuldade em andar passou a maratonista

Escrito por: Ticiane Toledo8 min de leitura
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Ticiane, assim como muitos, não foi procurar ajuda
médica depois de se machucar

Reprodução/Facebook

Ticiane Toledo sofreu uma grave fratura enquanto praticava um esporte e, assim como muitas pessoas, imaginou que não tivesse sido grave. Mas era. Acompanhe a história da moça que, do joelho dolorido e da dificuldade em andar passou a maratonista.

“Eu rompi o LCA (ligamento cruzado anterior) esquerdo em julho de 2010, durante um treino preparatório pra minha estréia no universo dos campeonatos de artes marciais, o Campeonato Paulista de KickBoxe categoria Light Contact Feminino.

Eu já treinava desde 2006, entre idas e vindas. Um dia, num combate, eu dei um golpe super básico e que sempre foi meu forte – o chute circular – e ouvi um CREC, e em seguida caí no chão e fiquei deitada sem saber o que tinha acontecido.

Achei que tivesse sido apenas uma torção, mas o estalido foi bem alto, os meus colegas todos ouviram. Eles vieram me ajudar e queriam me levar pra casa, mas eu, teimosa que sou, fui dirigindo ainda crente de que tinha sido uma lesão qualquer.

Nos dias seguintes, meu joelho inchou e travou. Fiquei no gelo e no antiinflamatório e só fui procurar um médico mesmo depois de 30 dias, quando achei estranho não conseguir mexer o joelho se tinha sido “apenas uma torção comum”. Daí vieram os exames, as ressonâncias e o diagnóstico: ruptura total do ligamento cruzado anterior. E no pacote veio também o desespero quando me falaram que eu não poderia mais voltar a lutar nem a fazer atividades de alto impacto. E o medo de engordar? E a tristeza em deixar o kickboxing? Fiquei desesperada!

A lesão
O cruzado anterior é um dos quatro ligamentos responsáveis pela estabilização do joelho e, de todos, é o mais frequentemente lesionado por ser responsável por evitar a rotação exagerada do joelho (hiperextensão). E por esse mesmo motivo, essa lesão é mais comum em atividades em que exigem essa rotação do corpo sobre o joelho, como futebol, vôlei, basquete, artes marciais e outros.

De acordo com especialistas, qualquer um está sujeito a essa lesão, seja um atleta profissional ou um amador “de final de semana”. Mas os amadores são mais propícios a se lesionarem justamente porque não possuem preparo muscular nem ligamentar. Se a pessoa apresenta sobrepeso ou obesidade que a situação se agrava pela sobrecarga em cima dos ligamentos dos membros inferiores, que absorvem todo o impacto das nossas atividades do dia-a-dia.

Na época da minha lesão, os dois ortopedistas que consultei não recomendaram a cirurgia de reconstrução porque eu ficaria muito tempo sem me locomover, muito tempo da fisioterapia, com muita dor e não teria chances de voltar 100% ao que era antes. Isso sem falar na cicatriz, que falaram que ficaria gigante. Então, eu confiei neles. Afinal, eles eram os especialistas, não eu.

Tratamento: fortalecimento muscular
Saí do ortopedista sem guia para fisioterapia e voltei para a natação por ser um esporte sem impacto e que me ajudaria muito a recuperar o movimento da perna lesionada. Em quatro meses eu já estava melhor física e mentalmente (afinal, eu não tinha parado de me exercitar e isso ajudou a diminuir o medo de engordar mais – na época, 2010, eu pesava 85kg! E eu tenho apenas 1,58m de altura). Em seguida, no início de 2011, me matriculei numa academia e comecei a fazer aulas de spinning. Li que ajudava a fortalecer o joelho e arrisquei.

Deu super certo! Fiz com toda a orientação dos professores da academia e minha perna aos poucos foi se fortalecendo, e eu fui acrescentando outras atividades no meu dia-a-dia por lá. Foco total no fortalecimento muscular, sempre. Foi aí que recomecei o tratamento com nutricionista, aliada à terapia, e comecei a controlar a compulsão alimentar e a emagrecer pouco a pouco.

Tratamento: cirurgia
Mesmo assim, o joelho dava suas falseadas e eu sofria muito. Nem tanto com a dor na hora, mas com o desconforto que vinha em seguida: mais inchaço, mais gelo, mais antiinflamatórios, mais dias afastada das minhas atividades. Em 2013, mesmo com musculação, spinning, body pump e outras atividades e 10kg mais magra, o joelho começou a falsear com coisas bobas, como pisar em falso na calçada. Isso começou a me irritar e a me frustrar muito. Foi quando meu namorado começou a, todo dia, me cobrar de procurar um novo ortopedista e ver uma terceira opinião sobre a cirurgia.

Fui visitar uma ortopedista e ela me indicou exatamente o contrário do que os outros médicos haviam me dito. Ela me esclareceu todas as dúvidas da cirurgia, me explicou o procedimento passo a passo, como seria a reabilitação mês após mês, riscos, etc. E me garantiu que a cicatriz seria bem pequena. ‘Também sou mulher e sei como somos vaidosas com essas coisas’, me disse. Resolvi arriscar. Dia 22 de julho de 2013 eu me internei e fui pra faca. Morrendo de medo, claro, porque anestesias sempre me assustam.

A cirurgia em si é muito simples e consiste, basicamente, em pegar um tendão da minha perna, dobrá-lo em algumas partes e pregá-lo no meu osso com alguns “clipes”, passando alguns fios por uns tubos feitos com brocas no meu osso pra ajustar e fixar o novo enxerto. Tudo minimamente invasivo. Passei a noite no hospital em observação, enquanto a anestesia passava, e no dia seguinte eu já estava em casa novamente.

Tratamento: reabilitação e fisioterapia
Os primeiros dias pós-operatórios foram horríveis. Eu não podia ficar em repouso absoluto pra não perder tanta força na perna e também pra não correr risco de fibrose. Sentia muito medo de pisar com a perna esquerda no chão, o joelho estalava bastante, minha perna inchou bastante e fiquei com um hematoma bem feio por algumas semanas, que se espalhou pela perna toda também. E, olha, furar o osso dói… Mas nada que os analgésicos não ajudem. Comecei a fisioterapia uma semana após a cirurgia. Aliás, quando o VIDA FIT foi lançado, em setembro de 2013, eu ainda estava na fisioterapia e fiquei bons sete meses em reabilitação.

Foi difícil, chato, cansativo, tinha dias que eu não queria pisar na clínica e ter que passar por mais 60 minutos de sessão. Ao todo, acredito que tenham sido mais de 100 sessões, entre agosto de 2013 e fevereiro de 2014. Uma hora por dia, todos os dias úteis. E quando eu não estava na clínica, estava fazendo gelo e alguns exercícios em casa ou no trabalho. A fisioterapia consistia em muito alongamento e fortalecimento muscular, além da pior hora da sessão que era a flexão do joelho: eu me deitava de costas e meu fisioterapeuta dobrava minha perna para trás. No começo era relativamente tranquilo, mas mais pro final do tratamento foi ficando mais difícil. Eu saía chorando da clínica alguns dias!

Em outubro, vimos que a recuperação ainda não estava completa. E já era pra estar bem avançada. Foi quando minha médica pediu uma nova ressonância para ver se meu caso era de uma artrofibrose. A artofibrose é uma falha na reconstrução e é bastante incapacitante porque ela limita a recuperação total da extensão do joelho. É incomum, mas acontece. E aconteceu comigo. Assim que soubemos do diagnóstico, eu voltei pra sala de operação novamente e, no centro cirúrgico, eles já fizeram a manipulação dos movimentos do meu joelho. Quando voltei da anestesia, meu joelho estava bem melhor e mais maleável. No dia seguinte eu já voltei pra fisioterapia e aí as coisas melhoraram. Em dezembro eu já voltei pra musculação com foco em fortalecimento e reabilitação – nada de hipertrofia ainda naquela época.

Alta da reabilitação
Tive alta da fisioterapia em fevereiro de 2013. Poucos dias da alta oficial, fui convidada pelo Celso, da GO Assessoria Esportiva, pra fazer aulas experimentais de corrida. Tive o aval de minha médica e fui. Sempre quis correr, mas achava que era incapaz por vários motivos. No começo eu não corria nem 200 metros porque não tinha fôlego, mas agora já estou correndo meus 10k no sub-60′, sem dores no joelho, e com a capacidade respiratória melhorada. Já tenho até 3 provas-alvo em um planejamento macro.

Nesse meio tempo, também comecei a fazer treinamento funcional com foco em fortalecimento muscular com a GO e minhas pernas já estão bem fortes. E com uma rotina prazerosa de treinos, engatilhei numa dieta que também me deixa bem feliz  e saudável e agora estou muito próxima de atingir meu objetivo de emagrecimento! Em janeiro, eu voltei a pesar 76kg e hoje estou nos 66kg, e baixando cada vez mais. Esse é o foco!”

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