Transplantes no estado de São Paulo têm queda de cerca de 31% no primeiro semestre de 2020
De acordo com a Central de Transplantes estadual, quem quiser ser doador de órgãos não precisa mais incluir a informação no RG ou CNH


Os transplantes realizados no estado de São Paulo apresentaram uma queda de pouco mais de 31% no primeiro semestre de 2020. Segundo a Central de Transplantes estadual, em razão da pandemia de Covid-19, medidas de segurança e novos protocolos foram adotados.
De acordo com o órgão, até a primeira quinzena de junho deste ano, foram realizados 2.560 transplantes no estado. No mesmo período do ano anterior foram realizados 3.725 transplantes.
O órgão informou em nota que:
“Por conta da pandemia, medidas de segurança e novos protocolos foram adotados. Os hospitais seguem os protocolos de triagem clínica dos potenciais doadores, realizando testes para COVID-19 antes de qualquer procedimento, prezando pela segurança dos profissionais de saúde e pacientes receptores.
Conforme protocolo do SUS, pessoas com diagnóstico da doença com menos de 28 dias da regressão completa dos sintomas não podem ser doadores de órgãos.
Por orientação do Sistema Nacional de Transplantes, as captações de tecidos, como córneas, estão temporariamente suspensas durante a pandemia. Os procedimentos eletivos serão reagendados para garantir a segurança de todos.”
Segundo o Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), referente ao primeiro trimestre de 2020, “Ao compararmos o número de transplantes realizados em março com o número médio dos transplantes realizados em janeiro e fevereiro, meses em que habitualmente se realiza menor número de transplantes, observou-se em março uma queda nos transplantes de todos órgãos, na ordem de 83% para pâncreas, 48% para pulmão, 30% para coração, 16% para rim e 15% para fígado. Portanto, já se evidencia, no final do trimestre, a influência nefasta da covid nos transplantes”.
De acordo com o relatório da ABTO, no Brasil a pandemia se agravou a partir de meados de março, “portanto, seus reflexos deverão ser observados nos segundo e terceiro trimestres deste ano, com possível recuperação no último trimestre”.
Doações
Ainda segundo a ABTO, no primeiro semestre de 2020, verificou-se que a taxa de doadores efetivos foi superior à do primeiro trimestre de 2019 e do ano no geral. O que se deu graças à diminuição da taxa de não autorização familiar no país. “Esses resultados evidenciam que a covid não afetou a procura de doadores, neste trimestre, no país”, consta no relatório.
Segundo a Central de Transplantes estadual, quem quiser ser doador não precisa mais incluir a informação no RG ou CNH. “Basta comunicar a família sobre esse desejo. No caso dos falecidos, a autorização para doação deve ser dada por familiares com até o 2º grau de parentesco”.
Fila de espera
No estado de São Paulo há 16.679 pessoas aguardando por transplantes. De acordo com a Central de transplantes, 13.200 pacientes aguardam um transplante de rim, 339 de fígado, 120 de coração, 105 de pulmão, 8 de pâncreas e 2.907 mil de córneas.
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