Última rota: ignorância
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Distopias. Realidades idealizadas através da análise e reflexão de coisas presentes na sociedade que as levariam a seu fim. Sendo assim, a representação de coisas de lugares onde se vive em condições de extrema opressão, desespero e privação. Precária e negligente e suja… Um lugar ruim.
Há muito tempo, a nossa sociedade se dividiu entre aqueles que estavam do lado certo e errado, os que tiveram sorte e os azarados, os que trabalhavam para se manter e os que usavam o trabalho dos outros para ir além… Entre pobres e ricos. Escravos e seus donos.
Agora, me digam: quando vocês olham para o mundo, o que vocês veem? Uma ferramenta? Um lugar? Ou estão ocupados de mais para perceber que são ratos banais, correndo em uma espiral banal atrás de seus sonhos banais achando que se trabalharem o bastante serão tão ricos quanto eu?
Ah, vocês têm preguiça de pensar meus pequenos cabritinhos. Por isso, entregam o destino do mundo nas mãos de alguém… Na minha mão.
Bom, não importa se só perceberam isso agora ou não. Não importa, de verdade, não importa. Já não dá mais para parar, muito menos mudar o rumo que as coisas tomaram. Por isso, eu tenho outra pergunta mais importante para vocês: que tipo de escravos vocês querem ser?
Querem ser os escravos que cuidam dos outros? Querem ser os escravos que cuidam da papelada para os outros? Ou… Já sei! Que tal os escravos que gerenciam outros escravos!? Esses são os que mais ganham. Tenho certeza de que seus pais vão ficar super orgulhosos. Afinal, todos nós temos que sobreviver de alguma forma.
Vocês têm sonhos, não? Objetivos? E mesmo que não tenham ainda precisam comer.
Eu posso ajudar
Eu posso te dar uma infância e todos devem dizer que você é jovem demais para entender. Posso te dar um lugar de poder, fazer seus sonhos acontecerem – obviamente não antes de te dizer qual seu sonho deve ser. Que tal viajar por lugares incríveis? Uma casa, família? – mentira, casas são caras demais para vocês comprarem- digo, mas tudo bem! Vocês podem tentar. Contanto que dediquem seu tempo, sua vida. Ainda podem tentar.
Querem mesmo jogar isso fora por um mero ganho de consciência sobre quem são? E o que vai sobrar depois? Só o desconforto da incerteza.
Ou vocês realmente acharam, mesmo que por um segundo, que a humanidade chegaria a um consenso?
O criador do sistema não está mais aqui para reger. Logo, eu tive que dar um jeito de manter tudo nos trilhos. Esse é meu trabalho, meu dever. Afinal, o que vocês pensam que vai acontecer se ele quebrar, hum!? Vocês não fazem a menor ideia de como é a humanidade quando está com medo.
É difícil abrir mão do que temos. Principalmente quando não se sabe mais o que o esforço de seus trabalhos gera. Eles perderam a autonomia disso quando entenderam que teriam comida e um teto para morar sem precisar pensar muito nisso.
Falar sobre a causa é completamente diferente de se importar com ela. Por isso, pegamos, criamos e não compartilhamos… E nem nunca vamos. Ah, que idiotice: parar as velhas tradições.
Me chamem como quiserem por isso. E se o inferno for o destino que me amaldiçoarem, posso descer de Porsche e traje fino. Mas vocês vão continuar a trabalhar. Porque comprei suas vozes por um motivo. Não os contratei porque são bons, contratei porque são baratos. E, se não estão satisfeitos, tudo bem, tem 4 bilhões de pessoas que adorariam estar nos seus lugares por muito menos.
Podem me condenar, só não me condenem à toa. Sou tão humana quanto vocês. Mais até. É natural das pessoas terem medo, querer uma maneira de controlar seus destinos. Se importar, amar, odiar. Se machucar e revidar. Cair e levantar, mas, em específicos, cair. Eu sou tudo isso. Isso é o que nos torna humanos: sentir.
Com isso, todos nós somos escravos de alguma coisa. Nossas famílias, filhos, necessidades, vícios, medo, ganância, orgulho, preconceito, arrogância e uma lista incontável com mais pecados do que podem imaginar.
Precisamos ser escravos de alguma coisa para seguir a diante. Precisamos.
Por isso, se enganam ao dizer que irei ao inferno por ser insensível. Eu já estou lá. Comando este lugar. E posso afirmar com toda certeza de que ele está vazio. Porque os verdadeiros demônios estão aqui. E o único motivo pelo qual vocês vão voltar para lá é pela própria idiotice.
A verdade, é que não precisa ser uma ameaça alienígena para destruir a o mundo. Nós já somos mais que o suficiente. Cada ação, cada suspiro, cada natureza provida de ignorância, é mais que o suficiente.
Vocês perceberam quem são, mas não perceberam onde estão. Como sou benevolente, vou dizer: vocês estão no estopim do fim.
A partir de agora, suas vidas serão miséria. Trabalharão para ganhar menos que seus pais e que seus avós. Assistirão o mundo sucumbir e a natureza eliminar a própria doença. Não terão um lugar para chamar de seu, muito menos segurança e dignidade. Vocês levarão a culpa de seus ancestrais nas costas e seus filhos também. Então é bom que nem filhos tenham, nem adotando. Eles serão os protagonistas de Mad Max 4.
Dá medo, não é? Assumir o controle da sua vida. Ter liberdade. Eu sei como é, sei muito bem. Em específico quando não se vale a pena começar a lutar agora.
Olhem bem, os guiarei novamente através da escolha da liberdade, que se resume a ilusão contemporânea do livre arbítrio de escolher os que se submeter e obedecer. Darei a cada um de vocês, essa dádiva da nova ignorância. E tudo passará.
Escutem bem, vocês sabem o que vai vir, só não estão preparados. Podem até não gostar, mas, não podem negar o quê digo.
Vocês são rebanhos. Então é bom que estejam preparados para correr, porque essa realidade vai bater. E quando bater, eu não vou ser a primeira a morrer. Vão ser os idiotas que se venderam para o criador do dinheiro.
Por isso, vou oferecer a vocês uma última proposta: vocês vão trabalhar para mim e ficarão livres dessas consequências ou vocês podem sair por essa porta… E fazer barulho.
Então as vezes, é melhor ficar em silêncio.
Com supervisão de Isabela Sardinha, jornalista do Meon Jovem.

2º ano do ensino médio - EE Joaquim de Moura Candelária - SJC
