2° Seminário de Mães do Vale discute afeto em São José
Evento reuniu especialistas em encontro sobre relação entre pais e filhos


Foram discutidos temas como vínculo parental e educação
Foto: Fernando Capelatto

São José dos Campos, a cidade da tecnologia e dos aviões discutiu afeto neste último sábado (17), durante o Seminário de Mães do Vale. Com um público de 200 pais, na maioria formado por mães, foram discutidos temas como vínculo parental e educação.
No palco, profissionais renomados da região e do mundo com experiências em neurociência como o psicoterapeuta Ivan Capelatto, da educação como Roberta e Thais Bento, que desenvolvem também um trabalho na internet com o SOS Educação, e hoje são membros do Conselho Acadêmico da Universidade de Vancouver. E ainda, a educadora parental Thais Basile e Mônica Marques, educadora física que faz parte do projeto nacional Brasil Mais Ativo que será lançado na próxima semana em Brasília.
Ivan Capelatto explicou a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento humano, e falou das fases da neurobiologia de emoção que estão relacionadas com medo, ansiedade, raiva, amor e apego. E alertou para o principal desejo do ser humano, o da atenção.
“É no primeiro ano de vida que desenvolve a saúde mental da criança. Ela tem que ter contato com o adulto dentro de uma rotina, de cuidados, cheiro, ambiente, desse conjunto inicia-se uma conexão”, disse Capelatto.
Dentro do mesmo raciocínio foi a palestra de Thais Basile sobre “Educar entre o Autoritarismo e Permissividade”. Ela explicou que a criança é pura emoção, que ela exige a presença dos pais porque ela vive o presente, não está nem no futuro e nem no passado, como os adultos.
“A atenção é necessidade básica como alimentar e fazer a criança dormir. A criança precisa do interesse dos pais de corpo e alma”, observou Thais Basile.
A saúde mental vem acompanhada da saúde física, e a importância da atividade física no desenvolvimento infantil foi tema da empresária joseense e educadora física, Mônica Marques. Ela fez questão do enfatizar que o treino não é apenas para força e flexibilidade, que o treino ajuda o desempenho cerebral. O exercício ajuda a diminuir a ansiedade, melhora o sono e ajuda na autoconfiança.
“Os pais não devem definir a atividade da criança. Os pais devem deixar ela fazer várias experimentações e deixar ela resolver o que deseja praticar para se divertir”, afirmou Mônica Marques.
Roberta e Thais Bento deram dicas de incentivo e concentração para os estudos e como conciliar isto com o uso da tecnologia. Roberta emocionou o público com sua história de vida, que foi superar os momentos de dificuldade com o seu problema de paralisia cerebral, e que isto só foi possível com o apoio, dedicação e afeto dos pais, e apontou que acreditar na potencialidade do filho é o maior ato de amor e inclusão.
“É a expectativa positiva dos pais que vai ajudar o filho a superar os desafios da vida. Os estímulos corretos ajudam a criança ou adolescente. É preciso focar no potencial e não na deficiência, na falha da criança”, ressaltou Roberta.
Roberta Bento já visitou vários países incentivando a educação e disse que ver um Seminário desta qualidade, voltado para a formação do ser humano, voltado para mães que necessitam de ajuda é de uma enorme grandeza.
“Foram temas profundos que trouxeram valores humanos e informação para a mãe que precisa lidar com a realidade dela. Acredito que este Seminário vai se tornar referência no Vale”, concluiu Roberta Bento.
O Seminário contou com uma mesa redonda sobre Filhos Atípicos (autismo, síndrome de down, paralisia cerebral). Mães que tiveram essa experiência explanaram como enfrentaram a situação e passaram a ser engajadas, partindo para ação, para inclusão de seus filhos em família, na escola, entre amigos e como criaram canais de informações para outras mães.
Na plateia Lisandra Molina com o pequeno Benjamim de 8 meses no colo. Ela é de Brasília e está na cidade por conta da licença maternidade, ficou sabendo do Seminário e mesmo já sendo mãe de outras duas crianças, fez questão de assistir as palestras.
“A maternidade é uma constante aprendizagem. Esta troca de informação é uma oportunidade de me conhecer melhor, de ser uma mãe equilibrada, de saber a melhor maneira de como passar valores, ética, respeito para as crianças”, revelou Molina.
O Seminário de Mães também chamou a atenção de Rosana Siqueira, profissional da área que atua há anos em psicologia. “Emocionada com esta proposta, com um trabalho simples, de informação o Seminário está acolhendo as necessidades dos pais. São pessoas engajadas na transformação de pessoas”.
O 2° Seminário de Mães do Vale é um projeto da Rede Mãe que foi idealizado pela psicóloga joseense Lívia Rocha e que foi colocado em prática por ela e pela psicóloga e especialista parental Wélida Viana.
“O vínculo parental não é bom somente para a família, a parentalidade consciente vai ajudar a promover filhos melhores para o mundo”, disse Wélida.
“O afeto é revolucionário. Eu acredito que é capaz de transformar vidas. Ser pai e mãe não é apenas ensinar a obedecer e ter boas maneira. É extrapolar as relações familiares, é ensinar a ser um bom ser humano”, finalizou Lívia Rocha
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