30 anos após Diretas Já, 1,7 milhão de eleitores vão às urnas na RMVale

Neste domingo (5), 30 anos depois do movimento ‘Diretas Já’, os brasileiros vão às urnas para eleger pela sétima vez seu presidente após a volta da democracia ao país. Na RMVale, 1,7 milhão de pessoas são esperadas nas 5.026 sessões eleitorais para escolher seus representantes também para o Senado, Câmara Federal, Assembleia Legislativa e governo do Estado.

Escrito por: Elaine Rodrigues5 min de leitura
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30 anos depois do movimento ‘Diretas Já’, população vive sua sétima eleição

Flávio Pereira/Meon

Neste domingo (5), 30 anos depois do movimento ‘Diretas Já’, os brasileiros vão às urnas para eleger pela sétima vez seu presidente após a volta da democracia ao país. Na RMVale, 1,7 milhão de pessoas são esperadas nas 5.026 seções eleitorais para escolher seus representantes também para o Senado, Câmara Federal, Assembleia Legislativa e governo do Estado.

A campanha nacional da ‘Diretas Já’ foi um dos maiores movimentos populares da história do país. Em 1984, milhões de pessoas tomaram as ruas pedindo a volta das eleições diretas para presidente e o fim do regime militar, que já durava 20 anos. Depois de um caminho que passou por eleições indiretas em 85, a promulgação de uma constituição federal em 88, o Brasil viveu então mais uma vez eleições direta, em 1989, com vitória de Fernando Collor de Mello (PRN).

Segundo especialistas, apesar de passados 30 anos do fim da ditadura, o país ainda é uma jovem democracia e a importância do voto não foi assimilada por todos. “É pelo voto que a democracia se consolida, se perpetua e traz a representatividade que garante a igualdade social. O voto deveria ser visto por todos como um direito estabelecido, conquistado”, afirma Maurício Cardoso Rego, cientista político.

Para Carlos Manhanelli, presidente da associação de consultores políticos, o voto imposto como uma obrigação enfraquece a democracia. “Sou a favor do voto facultativo. Nos EUA, onde isso acontece, 30% da população vai livremente às urnas e de forma consciente, escolhe que políticas quer para o país de todos” explica.

Manhanelli detalha que o eleitor obrigado a votar segue, em sua análise, três leis que desvalorizam a democracia. “A primeira é a lei da indiferença, quando a pessoa acha que tanto faz em quem vota. A segunda é a da procrastinação, quando o eleitor deixa para a última hora a decisão de quem deve escolher e acaba escolhendo sem pensar direito, e a última a da efemeridade, quando a pessoa vende seu voto ou troca por favores”, detalha.

De outro lado, Rego avalia que é de suma importância que os eleitores entendam que o voto obrigatório é o que garante hoje que as minorias sejam representadas. “A obrigatoriedade no estado em que nossa democracia se encontra garante o equilíbrio das forças partidárias. Estamos na adolescência deste processo. Quando estivermos mais maduros, quando o brasileiro deixar de votar pela emoção e entender que a disputa é entre partidos, acredito que o voto não precisará mais de ser obrigatório”, conclui.

Em uma coisa os especialistas concordam: apesar de suas opiniões diferentes, o voto é obrigatório e deve ser feito de forma consciente. “O melhor a fazer hoje é escolher bem as pessoas em quem vai votar, ver se tem competência para o cargo que disputa e o que o partido dela traz de propostas. Apesar de parecer que são os financiadores das campanhas que decidem as eleições, temos que acreditar na democracia e ver que aos poucos ela tem mudado o país”, conclui Rego.

O QUE PODE E O QUE NÃO PODE*

Voto Nulo: Para votar nulo o eleitor deve apertar um número que não identifique nenhum candidato e confirmar apertando a tecla verde. Entre os mitos que cercam o voto nulo está a expectativa de que se mais de 50% dos votos do país forem nulos, será convocada nova eleição. Isso não ocorre porque a legislação prevê a convocação de uma nova eleição dentro de 20 a 40 dias somente caso mais de 50% dos votos válidos sejam anulados por meio de fraude ou outros motivos que os invalidem.

Voto Branco: No voto em branco, o eleitor aperta, na urna eletrônica, a tecla “branco” seguido de uma confirmação na tecla verde e o voto não será computado. O voto em branco pode ser considerado uma manifestação política, já que o eleitor não exerce preferência por nenhum dos candidatos.

Coeficiente Eleitoral: No caso das eleições proporcionais (deputado federal, deputado estadual e vereador), os votos nulos e brancos interferem no resultado. É que para ser eleito a um desses cargos, o candidato precisa alcançar o quociente eleitoral -índice que determina o número de vagas que cada partido vai ocupar no Legislativo, obtido pela divisão do número de votos válidos (votos atribuídos aos candidatos ou à legenda) pelo de vagas a serem preenchidas. Desse modo, quanto maior for a quantidade de votos nulos e brancos, menor será o quociente eleitoral e mais fácil será para o candidato conquistar a vaga.

Voto na legenda: É aquele em que o eleitor não manifesta sua vontade por um candidato específico, mas pelo partido (digitando apenas os dois primeiros dígitos). O voto é considerado válido e entra para o cálculo eleitoral da mesma forma que os votos nominais (para os candidatos). Esse tipo de voto ocorre nas eleições proporcionais (deputados federais, estaduais e vereadores)

Acompanhante: Apenas uma pessoa pode entrar na cabine para votar por vez. O eleitor só tem direito a um acompanhante se tiver dificuldade para exercer o direito do voto, como problemas de locomoção, entre outras dificuldades físicas e de visão.

Boca de urna: É vedada a distribuição de material de campanha pelos partidos, mas é permitida a manifestação individual e silenciosa da preferência do eleitor por partido político, coligação ou candidato com o uso de bandeiras, broches e adesivos. Camisetas podem ser usadas desde que o eleitor a tenha feito ou mandado fazer com seus recursos.

*com informações da Agência Brasil

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