“30% das pessoas que procuram ajuda conseguem abstinência em um ano”, diz coordenadora do CAPS de São José
Centro atende 400 dependentes de álcool ou droga gratuitamente por mês


De acordo com Patricia, existem diferentes usos da bebida alcoólica
Marcos Santos/USP Imagens
Apenas 30% das pessoas que buscam tratamento no CAPS-AD (Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas), de São José dos Campos, conseguem a abstinência em aproximadamente um ano. A informação é da psicóloga Patricia Minari, coordenadora do centro.
Segundo Patricia, o melhor caminho é a prevenção. “É preciso trabalhar com os fatores de proteção, que são, por exemplo, uma família bem estruturada, auto estima, etc. Pessoas com auto estima baixa, depressivas ou que não tenham uma família estruturada estão mais expostas”, diz.
O CAPS-AD oferece atendimento ambulatorial gratuito a dependentes químicos na cidade e segundo Patricia, são atendidas em média 400 pessoas por mês, além de seus familiares. “Quando comecei a trabalhar no CAPS-AD em 1982, 80% das pessoas eram alcoolistas. Hoje, 40% é usuário de álcool, 40% de crack e 20% das outras substâncias”, conta.
“Não existe aquela história que uma droga é pior que a outra, para cada paciente existe uma dinâmica e é tudo muito individualizado”, diz Patricia, que trabalha com uma estatística nacional de pendentes de álcool.
“A estatística que usamos é nacional, e ela diz que 10% da população tem dependência instalada, ou seja, a pessoa já se tornou dependente do uso do álcool e isso se a gente for reportar para São José dos Campos nós vamos ter um cenário de mais ou menos 70 mil pessoas num uso nocivo, ruim e dependente do álcool, o uso do álcool hoje é um problema de saúde publica”, conta.
De acordo com Patricia, existem diferentes usos da bebida alcoólica, do experimental até a dependência, passando pelo recreativo e nocivo. O uso experimental é aquele em que a pessoa usa uma dou duas vezes na vida e nunca mais bebeu.
O uso recreativo ou social, acontece, por exemplo, em uma festa. “A pessoa bebe duas taças de vinho, que é preconizado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como algo aceitável, e ela não pode dirigir um veículo depois disso”, explica Patrícia.
“Passando o uso recreativo chegamos a um ponto mais ruim do uso da bebida, que é o uso nocivo: a pessoa não é dependente da substância, mas toda vez que bebe, tem problemas, briga com a esposa, chuta o cachorro, bate o carro, já teve vários acidentes por causa do uso da bebida, falta ao trabalho, então passa a ter um uso ruim da bebida”, diz Patricia.
“Daí o próximo passo é a dependência, apresenta sinais e sintomas, físicos e psíquicos, de que ela precisa da substancia, um sinal, por exemplo, é o tremor”, conclui Patricia. De acordo com a psicóloga, “não existe uma cura, mas existe o controle”, conta.
A coordenadora do CAPS-AD afirma que o diagnóstico tem que ser feito por um profissional. “Mas existem sinais que percebemos que podem alertar para um problema. Temos, por exemplo, um teste interessante que chama audite, que são quatro perguntas para a pessoa, se duas respostas forem positivas a pessoa já sabe que tem problemas com álcool”, diz.
“Geralmente a família é a primeira que sente que alguma coisa não está boa. Por isso, que também atendemos os familiares. Muitas vezes, a pessoa que está com o problema não busca o tratamento ou os familiares não conseguem levá-la”, conta.
De acordo com a psicóloga, o papel do CAPS-AD é reestabelecer a pessoa sem que ela seja retirada da sociedade em que vive. “Mas existem casos que a internação é necessária. O importante é saber que existe em São José uma rede e algumas portas para atender essas pessoas”, afirma.
“O CAPS-AD atende homens adultos, o UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Saúde Mental atende crianças, adolescentes e adultos em casos emergências e o Sama (Serviço Ambulatorial Especializado no Tratamento da Dependência Química em Mulheres e Adolescentes) cuida de adolescentes e mulheres usuários de álcool e drogas”, explica Patricia.
O CAPS-AD fica na rua Sebastião Humel, 785, no centro, a UPA de Saúde Mental, na rua Pituba, 100, no Jardim Satélite e o Sama na rua Santa Clara, 783, na Vila Adyana.
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