Acervo do ex-presidente Rodrigues Alves está trancado em Guaratinguetá

A burocracia entre Estado de São Paulo e Prefeitura de Guaratinguetá tem deixado o maior acervo temático do quinto presidente do Brasil, o guaratinguetaense conselheiro Rodrigues Alves, trancado há mais de cinco anos.

Escrito por: João Pedro Teles2 min de leitura
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A burocracia entre Estado de São Paulo e Prefeitura de Guaratinguetá tem deixado o maior acervo temático do quinto presidente do Brasil, o guaratinguetaense conselheiro Rodrigues Alves, trancado há mais de cinco anos.

Dentro do museu que leva seu nome -um casarão do século 19, no centro de Guará-, mobílias, documentos e objetos pessoais do ex-presidente, que governou o país entre 1902 e 1906, estão prontos para receber um público que não tem direito a entrar. O prédio é patrimônio tombado pelo Condephaat na esfera estadual e pelo Iphan em esfera federal.

09 de Abril de 2014, Guaratinguetá, Museu Conselheiro Rodrigues Alves permanece fechado. Foto: Warley Leite/Meon

Portas fechadas: restaurado, museu Rodrigues Alves está fechado para visitação

Warley Leite / Meon

O imbróglio começou depois que o Governo do Estado entregou o restauro do museu, em dezembro de 2009. Com custos de R$ 725 mil, as obras deixaram o casarão como era no século 19 e os objetos em exposição prontos para visitação. Entretanto, o local não irá abrir as portas até que seja completado o processo de municipalização, que corre desde então.

A demora para a abertura do museu ao público chamou atenção do Ministério Público Federal. A promotora Flávia Rigo Nóbrega abriu um procedimento preparatório de inquérito civil para apurar suposto descaso com o patrimônio histórico e interdição de acesso.

“Ainda estamos recolhendo informações e vamos ouvir os responsáveis para entender de quem é a culpa por essa demora no processo de municipalização do museu. Caso sejam constatados indícios de má gestão, iremos abrir inquérito para apurar quem são os culpados. Afinal, é um investimento de dinheiro público que não retornou para a população”, afirma.

As portas fechadas também intrigam quem trabalha no comércio ao redor do casarão. Atendentes ouvidos pelo Meon afirmam que ainda não chegaram a ver visitações no museu e que nem sabem qual acervo se encontra ali.

Outro lado
Sem oferecer detalhes sobre os trâmites que envolvem a municipalização e nem qual a finalidade do processo, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Cultura, atual responsável pelo prédio, informou que a tendência é que o museu seja aberto novamente no final deste ano.

Segundo a secretaria, o acervo recebe periodicamente a visita de uma equipe técnica para averiguar as condições das mobílias, objetos pessoais do ex-presidente e do restauro realizado.

A assessoria de imprensa da Prefeitura de Guaratinguetá preferiu não se pronunciar, alegando que o patrimônio ainda pertence ao Estado.

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