Acusado de matar motorista de ônibus em São José tem prisão preventiva mantida pela Justiça
Caso aconteceu há cerca de 1 mês na zona leste da cidade

A Justiça manteve a prisão preventiva de Wesley, acusado de matar a motorista de ônibus Thalita de Arantes Lima, de 41 anos, encontrada morta dentro de casa no bairro Majestic, na zona leste de São José dos Campos. A decisão reforça os indícios de que o crime ocorreu em um contexto de violência doméstica e descumprimento de medidas protetivas concedidas à vítima.
Thalita foi encontrada morta na noite de 4 de maio, após familiares registrarem seu desaparecimento. Policiais militares precisaram arrombar a porta da residência para entrar no imóvel, onde localizaram o corpo enrolado em um cobertor e em avançado estado de decomposição. Vestígios de sangue também foram encontrados no local.
Inicialmente registrado como morte suspeita com indícios de feminicídio, o caso passou a ser investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Durante as apurações, veio à tona que a vítima havia registrado boletim de ocorrência por violência doméstica em 2025 e obtido medidas protetivas de urgência contra o acusado.
Na decisão, o juiz Milton de Oliveira Sampaio Neto destacou a gravidade concreta do crime e o histórico de agressões atribuídas ao investigado. Segundo os autos, há registro de um episódio anterior em que a vítima sofreu a fratura de um dedo após agressão. Também consta o relato de que Wesley teria acordado Thalita durante a madrugada portando uma faca e afirmado que poderia “fazer uma merda”.
O magistrado ressaltou ainda que, na data do crime, em 2 de maio de 2026, havia medidas protetivas de urgência em vigor em favor da vítima. Para a Justiça, o descumprimento dessas determinações e o histórico de violência demonstram a necessidade da manutenção da prisão preventiva para garantia da ordem pública.
Outro ponto considerado pela decisão judicial foi a conduta do acusado após o crime. De acordo com a investigação, ele deixou o local dos fatos, passou por diversas cidades dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, descartou a arma utilizada no crime, jogou fora o celular da vítima e abandonou o veículo dela em outro estado. Para o juiz, essas ações evidenciam uma tentativa de evitar a responsabilização criminal.
Além da manutenção da prisão preventiva, a Justiça acolheu um pedido do Ministério Público para fixação de indenização mínima de R$ 50 mil aos sucessores da vítima. O valor será analisado durante o julgamento do processo.
O caso gerou grande repercussão em São José dos Campos e em toda a região do Vale do Paraíba, reacendendo discussões sobre a proteção de mulheres vítimas de violência doméstica e a efetividade das medidas protetivas previstas na legislação brasileira.
As investigações seguem em andamento para a conclusão dos laudos periciais e demais etapas do processo criminal.
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