Adolescente de Lorena escreve para suportar doença crônica
Para incentivar a filha com doença de Crhon, Danieli Marinha Souza Santos, moradora de Roseira, entrou em contato com a redação do Jornal Atos e pedindo a publicação de um dos contos escritos pela adolescente. Thaís Santos Falco, 15 anos, descobriu a doença há um ano e sete meses. “Descobrimos que ela tem uma doença crônica que inflama partes do intestino e, desde então, vem sofrendo muito. Por isso quero realizar o sonho dela”, explica Danieli.

Para incentivar a filha com doença de Crhon, Danieli Marinha Souza Santos, moradora de Roseira, entrou em contato com a redação do Jornal Atos e pedindo a publicação de um dos contos escritos pela adolescente.
Thaís Santos Falco, 15 anos, descobriu a doença há um ano e sete meses. “Descobrimos que ela tem uma doença crônica que inflama partes do intestino e, desde então, vem sofrendo muito. Por isso quero realizar o sonho dela”, explica Danieli.
A mãe conta que a estudante escreve desde que descobriu a doença. “Ela sempre foi muito alegre e comunicativa, mas depois da doença está um pouco depressiva, por isso começou a escrever.”
Thaís busca forças para a rotina de tratamento escrevendo contos e sonha em escrever um livro. “Uma vez por mês vamos até São José do Rio Preto para ela fazer infusão da medicação. Tudo isso serve de inspiração para ela desabafar escrevendo. Já começou a escrever dois livros”, conclui.
Perspectiva de Amar
“Ela gostava de lírios. Eu era alérgico a flores. Ela amava cachorros, principalmente os labradores. Eu preferia gatos. Ela sorria com facilidade e tinha a risada mais gostosa do mundo. Eu não tinha senso de humor. Ela dizia sempre que estava gorda, mas amava chocolates. Eu odiava doces. Ela tinha mania de ficar enrolando os cabelos com o dedo e de fazer careta quando não estava satisfeita com algo. Eu tinha mania de morder os lábios e resmungar quando nada dava certo. Ela amava cantar, e não se importava com o tom. Eu preferia tocar o meu violão. Ela gostava de crianças, sonhava em ter vários filhos e uma casa com um jardim imenso. Eu sonhava em ficar rico. Ela amava passar o tempo lendo livros e ouvindo músicas. Eu adorava passar o tempo dormindo. Ela amava dançar, mesmo não sabendo. Eu odiava qualquer tipo de dança, mas gostava de vê-la dançar. Ela adorava receber cartas e flores. Eu não me dava bem com palavras, muito menos com flores. Ela amava o cheiro de baunilha. E eu de café. Ela gostava de fazer outras pessoas rirem. E eu torcia para não fazer ninguém chorar. Ela amava visitar os avós e ouvir histórias sobre as vidas dos mesmos. Eu fugia de minha família. Ela adorava descer ladeiras de bicicleta e soltar as mãos do guidão enquanto descia. Eu amava ver o sorriso que se formava em seus lábios. Ela adorava assistir filmes de romance e comer pipoca. Eu só gostava da pipoca. Ela dizia amar muitas coisas. E eu só amava ela. Ela dizia que sempre correria atrás de seus sonhos. E o meu único sonho era ela. No fim, ela correu até seus sonhos, correu até a liberdade. E eu não corri atrás dela. Ela dizia amar muitas coisas, mas eu não era uma delas.”
Thaís Santos Falco
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