Alunos de São José embarcam para competição internacional de robótica

Grupo vai promover bingo para arrecadar dinheiro que ainda falta

Escrito por: Marcus Alvarenga4 min de leitura
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Equipe ‘Braziliam Storm 6404’ e o robô construído para competir nos EUA

Divulgação

O time ‘Brazilian Storm 6404’, formado por 10 alunos, de 15 a 17 anos, da escola estadual Alceu Maynard Araújo, no Jardim Motorama, zona leste de São José dos Campos, embarca para o estado da Flórida, nos Estados Unidos, no próximo dia 28 para participar da seletiva regional da FRC (First Robotics Competition). Porém, o valor arrecadado garantiu a passagem aérea para apenas seis estudantes e eles ainda buscam uma saída para arrecadar dinheiro para estadia e alimentação.

A trajetória do grupo começou em abril do ano passado, quando o professor Leonardo Rosa, ex-aluno da escola Alceu Maynard Araújo, implantou um projeto de aulas gratuitas de robótica para estudantes do ensino médio. “Eu sempre tive vontade de realizar um trabalho voluntário na minha área, e com o apoio de uma funcionária, que é minha tia, consegui uma reunião com a direção da escola e desde de abril me encontro com um grupo de alunos aos sábados”, disse o professor, que selecionou 50 estudantes de um total de 100.

Para que esses alunos, que nunca haviam se aproximado de um curso técnico, conseguissem obter o conhecimento necessário para serem selecionados para a competição internacional, Leonardo precisou levar as suas aulas da escola particular para dentro da escola estadual.

“O período de construção do robô foi de seis semanas, mas para conseguir que eles tivessem uma bagagem técnica, precisei me dedicar e que eles também participassem de disciplinas técnicas. Ministrei aulas teóricas e prátiicas para que eles próprios conseguissem ter o conhecimento para projetar e manipular o robô”, disse.

Projeto
No final de todo o projeto, quando eles decidiram que iriam trabalhar para participar da competição internacional, havia apenas 10 estudantes que não desistiram de estudar robótica. Nesse momento, o professor dividiu com os alunos e pais que eles estavam preparados, mas o problema principal ainda era a falta de dinheiro.

“O maior diferencial da nossa equipe são os próprios alunos e a superação dos desafios. Acredito que estamos fazendo a mesma atividade que grandes equipes, mas sem recursos. Os pais se dividem para trazer o almoço, conseguimos a doação de peças, materiais e outras estruturas de ferro-velho e lojas. Esses meninos usam da criatividade para construir um robô do mesmo nível de competição. Posso afirmar que gastamos no máximo R$ 500, enquanto outros gastam mais de US$ 20 mil”, afirmou Leonardo.

A inscrição do grupo na competição custava um valor de US$ 6 mil, garantido por um patrocinador que surgiu de última hora. “Conseguimos garantir a nossa vaga no último dia de dezembro. O prazo de pagamento da inscrição era até dia 28, mas somente dia 30 recebemos o incentivo de uma multinacional e por ela ser patrocinadora direta da competição, eles nos aceitaram. Essa empresa nos financiou com US$ 5 mil e outra já havia nos patrocinado com US$ 1.5 mil no início.”.

Objetivos
Os alunos, professores e mentores se dividiram para dois objetivos nos últimos meses antes da viagem: deixar o robô totalmente pronto para a competição e angariar dinheiro para a estadia e alimentação de todos. “Todos que vão são os que conseguiram a documentação e o visto, e que os pais concordaram em deixar o filho viajar para fora do país. Estamos fazendo rifas e eventos para conseguir arrecadar um valor de R$ 2 mil por pessoa”, explicou.

Neste domingo (19), a partir das 15h, os alunos vão promover um bingo para tentar arrecadar o valor total, que fica em torno de R$ 10 mil. O evento para arrecadar dinheiro vai acontecer na escola estadual Alceu Maynard Araújo.

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