Alunos protestam contra ‘divisão’ nas escolas estaduais, em São José

Grupo não aceita as transferências de alunos propostas pela Secretaria de Estado da Educação

Escrito por: Adriano Pereira3 min de leitura
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Alunos da Escola Miguel NAked, zona sul de São José, protestam contra o Estado

Fotos: Adriano Pereira

Os alunos e professores da Escola Estadual Major Miguel Naked, no Jd. Morumbi, zona sul de São José dos Campos, realizaram um protesto hoje pela manhã contra as medidas anunciadas pela Secretaria de Estado da Educação sobre a “reorganização” do ensino.

A proposta do governo estadual é que as escolas ofereçam classes de apenas um dos três ciclos do ensino básico – anos iniciais (1º a 5º) e finais (6º ao 9º) do ensino fundamental e ensino médio. Com a mudança, uma região com três escolas para alunos de todas as séries terá uma unidade para cada etapa.

Segundo a professora Marcileni da Mota, as medidas anunciadas pelo Estado são compulsórias e não levam em consideração as necessidades dos alunos e professores. “Aqui os alunos estão acostumados com os professores, estão ambientados e os pais conhecem todo o sistema da escola. Mas o pior de tudo é que não fomos comunicados de nada, não sabemos se vamos acompanhar os alunos na transferência ou não”, diz.

Na Miguel Naked, 700 alunos seriam afetados com as mudanças e o período noturno seria extinto. A transferência aconteceria para a Escola Estadual Joaquim de Moura Candelária, no mesmo bairro.  A faxineira Marinei Souza Rodrigues é mãe de um aluno do 6º ano e não concorda com as medidas.

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“Acho um absurdo. Lutei muito para colocar meu filho aqui porque eu tive problema na escola aonde eles querem transferir. Meu outro filho estudava lá e o ambiente é muito ruim. Aqui ele faz computação, aula de matemática de reforço, é ideal pra ele”, afirma Marinei.

Entre os alunos, a opinião é a mesma. “Eu quero poder escolher onde estudar, estou aqui desde o 5º ano e agora o governo vem desorganizar tudo. Não vou poder escolher nem o horário que vou estudar”, conta Ana Beatriz Medeiros de Almeida, aluna do 9º ano.

Está previsto para amanhã um novo protesto, desta vez na Praça Afonso Pena, às 15h, na região central de São José, com todos alunos e professores da rede estadual de ensino de São José.

Outro lado
Segundo a secretaria, a previsão é que 1 mil escolas do total de 5.108 unidades espalhadas pelo estado sejam afetadas pela reorganização. A secretaria prevê um aumento de 25% das escolas de segmento único e que as mudanças atinjam um milhão dos 3,8 milhões de alunos matriculados.

De acordo com a pasta, de maneira preliminar é possível prever a ampliação de quase 3 mil salas em todo o estado. Algumas unidades podem até ser fechadas para a reorganização da rede, mas isso não está definido. A secretaria diz que a rede tem capacidade para absorver 6 milhões de alunos, como o número de matriculados é menor, a reorganização foi proposta para tornar o ensino mais eficiente.

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) diz ter feito um levantamento preliminar de escolas que podem ser fechadas, apontando que ao menos 155 unidades seriam afetadas. O governo nega e diz que este número não está definido.

No caso da Miguel Naked, apenas o fundamental ficaria funcionando  numa estrutura que acabaria ociosa pela redução do número de alunos. O Estado afirma que no caso de escolas que ficarem sem turmas, os prédios serão usados para outros fins como creches e cursos técnicos.

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