Aparecida receberá restos mortais de Dom Aloísio Lorscheider em agosto
Igreja prepara cerimônia rara para exumação e traslado do corpo


Dom Aloisio Lorscheider comandou Arquidiocese de Aparecida entre 1995 e 2004
Divulgação
Após mais de dez anos da sua morte, os restos mortais do cardeal arcebispo emérito de Aparecida (SP), Dom Aloisio Lorscheider, serão enviados para o Santuário Nacional. O corpo do religioso será transladado em outubro e ficará sepultado na Capela da Ressurreição, ao lado de seus antecessores.
Dom Aloisio Lorscheider assumiu a Arquidiocese de Aparecida em agosto de 1995 e permaneceu no cargo até 2004, quando entregou o posto para Dom Raymundo Damasceno.
No Santuário Nacional, a expectativa para receber o corpo do cardeal é grande. “Além das referências canônicas, temos também o sentimento dos clérigos e do povo que vem ao Santuário. Muitos deles veem os túmulos dos demais bispos que já faleceram e perguntam por Dom Aloísio, desejando rezar junto dos restos deles”, disse o atual arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, por meio de nota da assessoria de imprensa.
A cerimônia para transferência de túmulo, rara na Igreja, envolverá autoridades civis e religiosas, desde a exumação em Daltro Filho, distrito de Imigrante (RS), onde atualmente encontra-se sepultado o corpo de Dom Aloísio, até Aparecida.
A decisão de transladar os restos mortais do terceiro arcebispo de Aparecida foi tomada em maio durante uma reunião na cidade de Imigrante (RS). Representantes da Arquidiocese de Aparecida, da Ordem dos Frades Menores (OFM) e da Prefeitura local participaram do encontro. Nele, foram definidos detalhes do cortejo e das celebrações que serão realizadas em Daltro Filho e no Santuário Nacional.
Dom Aloisio Lorscheider
Nascido em Estrela (RS) em 08 de outubro de 1924, Aloísio Leo Arlindo Lorscheider foi ordenado sacerdote em 1948 e bispo em 1962, após a nomeação do papa João XIII. Além de exercer seu episcopado na Diocese de Santo Ângelo (RS), participou de todas as sessões do Concílio Vaticano II de 1962 a 1965, atuando como membro das Comissões Conciliares. Também foi secretário geral da CNBB, presidindo-a depois por duas vezes. Depois, dirigiu o CELAM em diversos cargos, tornando-se presidente da instituição em 1976.
Foi nomeado arcebispo de Fortaleza em 4 de abril de 1973 pelo Papa Paulo VI. O mesmo pontífice o criou cardeal em 24 de abril de 1976, o que fez com que Dom Aloísio participasse de dois conclaves. Em 1978, o primeiro, que elegeu o papa João Paulo I. Na ocasião, tornou-se o primeiro brasileiro a receber votos em um Conclave, segundo as palavras do próprio pontífice eleito. e depois, tomando parte no que elegeu João Paulo II.
Foi o papa polonês que o transferiu para a Arquidiocese de Aparecida em 18 de agosto de 1995. Nas terras da Padroeira do Brasil, Dom Aloísio foi responsável por dinamizar a vida do Santuário Nacional e criar a Família Campanha dos Devotos. Além disso, estabeleceu novas paróquias e organizou a estrutura clerical arquidiocesana.
Comandou Aparecida até sua renúncia, pedida após atingir o limite canônico de idade, deixando a Arquidiocese em 28 de janeiro de 2004. O religioso entregou o cargo para Dom Raymundo Damasceno Assis em 25 de março do mesmo ano. Em seguida, retirou-se para o Convento dos Franciscanos, em Porto Alegre, onde passou os últimos anos de sua vida. Morreu em 23 de dezembro de 2007, após quase um mês de internação no Hospital São Francisco, em Porto Alegre.
Com informações do Santuário Nacional
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