Aparecida registra aumento de crianças pedindo esmolas na cidade

Com o grande movimento registrado em Aparecida no último fim de semana, alguns problemas se acentuaram, como o aumento no número de pedintes nas ruas. Muitos deles usam crianças para a prática.

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
fundo_placeholder-023136

Com o grande movimento registrado em Aparecida no último fim de semana, alguns problemas se acentuaram, como o aumento no número de pedintes nas ruas. Muitos deles usam crianças para a prática. O cenário nos principais pontos turísticos da cidade era de crianças pedindo dinheiro e vendendo balas, o que gerou revolta de moradores e comerciantes locais.

“Domingo na praça Nossa Senhora Aparecida, tinha muita gente pedindo esmola com criança. Sendo que na sexta-feira, tinham pessoas do Ministério do Trabalho passando no comércio verificando se tinha criança trabalhando. A mesma lei deve ser aplicada também no caso de pedir esmolas e vender as coisas na rua”, protesta o coordenador da Matriz Basílica, Roberto Castilho. Ele lembrou que recentemente as autoridades implantaram um programa de erradicação do trabalho infantil na cidade, principalmente na feira livre.

A opinião é compartilhada pelo ambulante Paulo Henrique, que afirma ter visto no fim de semana do feriado, muitas crianças em situação precária e que não houve a atuação do Conselho Tutelar para coibir o ato. “Vi muitas crianças pedindo dinheiro e vendendo bala. Eu mesmo liguei várias vezes para o Conselho Tutelar, mas ninguém atendeu, estava tudo dando caixa postal”, afirma.

A secretária de Bem Estar Social de Aparecida, Isabel César, disse que usar crianças para pedir dinheiro na rua é crime e que a pasta atua frequentemente na cidade, principalmente em dias de grande movimento. “Nós trabalhamos todo final de semana com cinco assistentes sociais nas ruas para coibir essa prática. Elas fazem a busca e encontram pessoas com crianças pedindo dinheiro”, assume.

Isabel esclarece que por se tratar de uma ocorrência com menores de idade, seria necessária a presença do Conselho Tutelar, mas que assim como relatado pelo ambulante, os telefones só davam caixa postal. Ela disse também que já notificou o CMDCA (Conselho Municipal de Defesa da Criança e do Adolescente de Aparecida) para que os conselheiros sejam repreendidos pela omissão em diversos casos de mendicidade envolvendo menores de idade. “Nós já fizemos a notificação e o CMDCA vai fazer por escrito essa reclamação e os conselheiros com certeza tomarão uma advertência”, explica.

A secretária ressalta que a população pode ajudar a acabar com a prática, não dando dinheiro às crianças. “Pedimos também o apoio dos moradores e romeiros, que eles não doem dinheiro para não aumentar a prática”.

Conselho
O conselheiro Valdemir Rodrigues de Godói desmente as acusações e disse que as denúncias de que o celular não foi atendido não procede. “Eu já encaminhei um ofício para o CMDCA dizendo que não é verdade essa acusação, e ainda deixo o aparelho à disposição de todos para averiguar e ver que não temos nenhuma chamada no celular que não foi atendida”, argumenta.

Godói disse ainda que atendeu duas ocorrências, uma às 7h20, quando solicitado pela Santa Casa, e outra às 21h20, quando atendeu a um chamado da Guarda Patrimonial do Santuário. “Eu atendi a duas chamadas no dia 12, e no intervalo de uma para outra nenhuma ligação foi recebida no nosso celular de plantonista”.

O número do celular utilizado para atender plantões aos finais de semana é o (12) 99633 5073.

Publicado em: