Araras-canindés reabilitadas em Aparecida voltam à natureza no Rio após mais de 200 anos
Soltura no Parque Nacional da Tijuca marca reintrodução histórica da espécie

Araras-canindés reabilitadas em Aparecida (SP) voltaram a voar em liberdade no Rio de Janeiro, marcando o retorno da espécie à Mata Atlântica carioca após mais de dois séculos de ausência. A soltura ocorreu no dia 7 de janeiro, no Parque Nacional da Tijuca, como parte de um projeto de reintrodução ambiental conduzido pela ONG Refauna, com apoio do ICMBio.
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Conhecidas também como araras-azul-amarelas, as aves — batizadas de Fátima, Fernanda e Sueli, todas fêmeas — passaram por um rigoroso processo de recuperação antes de serem devolvidas à vida livre. Elas foram reabilitadas no Refúgio das Aves, localizado no Parque Três Pescadores, em Aparecida, no interior de São Paulo.
O espaço funciona como centro de acolhimento de animais silvestres resgatados de situações de tráfico, cativeiro ilegal e maus-tratos. Durante cerca de um ano, o local foi responsável pela recuperação física e comportamental das araras.
Desde junho, as aves já estavam no Parque Nacional da Tijuca, onde passaram por um período de aclimatação em recinto específico. Nesse tempo, receberam treinamento de voo, fortalecimento muscular, adaptação alimentar com frutos nativos e acompanhamento constante das condições físicas e sanitárias.
Segundo o biólogo Rafael Moreira, do Parque Três Pescadores, a soltura representa um avanço importante para a conservação ambiental. “O objetivo é manter populações viáveis, capazes de retornar aos seus habitats naturais e contribuir para a restauração ecológica”, destacou.
Além do Refauna e do ICMBio, o projeto contou com apoio do Parque Paineiras Corcovado e de outras instituições parceiras. A expectativa é que as araras auxiliem na dispersão de sementes e na recuperação de áreas degradadas da Mata Atlântica.
O monitoramento das aves será realizado por meio de anilhas, microchips e colares de identificação, além da participação da população por meio da Ciência Cidadã. Moradores e visitantes poderão colaborar com registros fotográficos e envio de informações aos canais oficiais do projeto.
Outras aves do Refúgio das Aves já estão em preparação para novas solturas ao longo de 2026, ampliando o projeto de refaunação e aumentando as chances de reprodução da espécie em vida livre.
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